9 de dez de 2017

A amizade lucrativa e canalha de Roberto Civita e Aécio deixa no chinelo a de Lula e Kadafi

Aécio Neves e o amigo Roberto Civita, dono da Abril até sua morte em 2013
A “bomba” da Veja sobre a delação de Palocci acerca do dinheiro de Kadafi para Lula durou exatos 43 minutos desde a hora em que foi ao ar até o momento em que caiu no esgoto do jornalismo.

A coisa é tão vagabunda que mesmo a mídia amiga — Estadão, Folha, Jornal Nacional etc —, que repete qualquer empulhação contra Lula, deu notas protocolares para não ignorar por completo a história.

Palocci teria recebido em 2002 a missão de “internalizar” 1 milhão de dólares, o equivalente a 4 milhões de reais,  “disponibilizados” pelo então ditador da Líbia para a campanha lulista.

Provas? “Nos relatos entregues aos investigadores, os chamados ‘anexos’, o ex-ministro promete exibir comprovantes da operação”. Ou seja, nada.

Vai piorando: “Especialistas ouvidos por VEJA ressaltam que, caso a operação seja comprovada, o registro do PT pode ser cassado”. Em torno disso, compõe-se uma peça de especulação que encanta indigentes mentais que lêem a publicação e os meninos do MBL.

Poucos dias antes, a Piauí deu matéria sobre Palocci.

“Um integrante da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal me contara, numa conversa informal, que o problema crucial da proposta de delação de Palocci era ‘a dificuldade dele em se incriminar’, além do natural embaraço que o fato de estar preso há mais de um ano impõe à produção de provas que corroborem o que o outrora grão-petista diz ter a entregar aos investigadores”, conta o repórter Rafael Moro Martins.

Ou seja, se o MPF não topa, a Veja encara. Vai que cola.

Há uma outra amizade muito mais lucrativa e que deixou rastros bem mais visíveis que a de Kadafi e Lula.

Roberto Civita, dono da Abril e “editor da Veja” até sua morte em 2013, trocou favores explícitos com Aécio Neves em troca de, para início de conversa, bons contratos de publicidade.

Em 2010, pouco antes de deixar o governo de Minas, Aécio cedeu um helicóptero oficial para Roberto e sua mulher Maria Antônia visitarem o museu de Inhotim, na cidade de Brumadinho.

O fundador é o empresário Bernardo Paz, irmão do publicitário Cristiano Paz, condenado no mensalão. Bernardo foi condenado por lavagem de dinheiro em novembro.

Aécio ainda ciceroneou o casal de amigos em passeio a São João Del Rey no jatinho Learjet do estado. Roberto e a patroa foram de helicóptero para o Aeroporto Internacional de Confins na hora de voltar para casa. Tudo às custas do contribuinte.

A visita de Civita rendeu, logo na sequencia, uma reportagem laudatória sobre Inhotim e um bate papo gostoso nas “páginas amarelas” da Veja. “Os gregos diziam que a política é a amizade entre vizinhos”, afirmou Aécio na entrevista.

Onde estão as provas da conexão pão de queijo? Na Veja.

Lixo

Kiko Nogueira
No DCM

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.