9 de nov de 2017

Xadrez da Maçonaria no Brasil - uma contribuição — 3


Ao iniciarmos esta terceira parte, deixo já a sugestão para os que não tiveram a oportunidade de ler as partes 1 e 2 deste artigo, ou mesmo o “Xadrez da Maçonaria no Brasil”, de Luís Nassif, que o façam, de preferência antes dessa.


Nesta parte 3, iremos detalhar como a Maçonaria atua dentro de (quase) todos os partidos políticos no Brasil e por consequência, nos poderes executivo e legislativo. E deixaremos no ar a seguinte pergunta: por que a imprensa brasileira não trata essa questão da mesma forma que o faz a imprensa estrangeira?

Sob esse aspecto, volto a pedir para que vocês vejam como a ingerência da maçonaria é tratada em Portugal. Segue, então, um vídeo de não mais que 13 min. de uma reportagem feita pela RTP - Rádio e Televisão de Portugal, que, diga-se de passagem, é uma empresa estatal que concorre de igual pra igual com os canais privados. Vejam como o assunto é levado ao conhecimento do público português em horário nobre. Não é de madrugada, não! (RTP: Maçonaria infiltrou todos os governos da era democrática)

Muito se comenta, e é verdade, que não existe uma única maçonaria no Brasil (nós falamos sobre isso na parte 2), mas não há como negar que o GOB - Grande Oriente do Brasil, (fundado em junho de 1822 como a primeira obediência maçônica da América Latina), ligado, oficialmente, ao Distrito América do Sul Divisão Norte da Grande Loja Unida da Inglaterra, é a mais representativa obediência maçônica brasileira.

É também inegável que o GOB é uma instituição conservadora. Mas, apesar disso, o Grande Oriente do Brasil abriga entre seus membros pessoas que, ideologicamente, se posicionam mais à esquerda. Para tanto, vamos mostrar, mais uma vez, a já famosa lista de 110 maçons ilustres do GOB. Ressalte-se que essa lista foi feita por um membro do próprio GOB. (Vide “Uma pausa pra falar da Maçonaria X Intervenção”, neste Jornal GGN).

Vejam que a maçonaria está presente em (quase) todos os partidos políticos (sejam eles de direita, esquerda ou centro). Veja também que nomes como os dos petistas Antônio Palocci, João Paulo Cunha (ex-presidente da Câmara Federal), Luís Eduardo Greenhalgh e Tião Vianna, atual governador do Acre e irmão do senador Jorge Viana (além de outros políticos considerados de esquerda como Alceu Colares, Aldo Rebelo e Fernando Gabeira), estão ao lado de políticos de toda classe (ideológica).

Vamos por ordem alfabética (dos anos 50 pra cá): Ademar de Barros, Almir Pazzianotto, Álvaro Dias, Antônio Carlos Magalhães, Ciro Gomes, Divaldo Suruagy, Enéas Carneiro, Ernesto Geisel, Esperidião Amin, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Francisco Dornelles, Geraldo Alckmim, Germano Rigotto, Gilberto Kassab, Gilmar Mendes (por que não?), Golbery do Couto e Silva, Jânio Quadros, João Batista Figueiredo, José Roberto Arruda, José Serra, Mário Covas, Michel Temer, Mozarildo Cavalcante, Newton Cardoso, Orestes Quércia, Paulo Maluf, Renan Calheiros, Roberto Jéferson, Roberto Requião e Valdir Raupp.

Que lista, não? Pena que o autor da mesma resolveu priorizar nomes de artistas, caso contrário, sobraria espaço para incluir outros políticos, talvez nem tão famosos, mas, ainda assim, muito atuantes, como Wagner Rossi, ex-ministro da Agricultura dos governos Lula e Dilma, e seu filho, Baleia Rossi, atual líder do PMDB na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Também valeria a pena incluir nessa lista um sujeito chamado Demóstenes Torres. Dá pra acreditar que um cara como esse, ainda enquanto senador, deu palestra no “Templo Nobre do Grande Oriente do Estado de Goiás” com o sugestivo título "A Favor da Moralidade - Contra a Corrupção"? (Demóstenes Torres é maçom?)

Sem levar em conta que muitos dos políticos citados passaram por mais de um partido, temos aí representados nesta lista a seguintes agremiações: PT, PCdoB, PSDB, PMDB, DEM (ex-PFL), PP, PTB, PDT, PSD, PODEMOS (ex-PTN), e um tal PTC - Partido Trabalhista Cristão de Fernando Collor de Mello. Todos esses partidos estão representados no conservador GOB.

Então, o que se passa? Ora, é muito simples. Percebendo o risco de perder a hegemonia, e não havendo melhor alternativa para se manter no poder, a maçonaria, ou uma parte dela, não hesitará em “cair para a esquerda”, como foi o caso da aliança de um partido ultraconservador como o PL - Partido Liberal de José Alencar e Valdemar Costa Neto com o PT em 2002. Só que, antes mesmo do primeiro turno, é preciso tranquilizar as elites, fazendo o candidato “progressista” assumir compromissos não tão progressistas assim. Vide a “Carta ao Povo Brasileiroe o que disse dela o Sr. Emílio Odebrecht, quinze anos depois, já com a operação Lava Jato em curso.

Nos planos estadual e municipal, isso também ocorre, dentro, é claro, daquilo que afeta a oligarquia local, qual seja, a manutenção do status quo, principalmente, em relação à licitação de obras públicas e à concessão de serviço público nas áreas de transporte, coleta de lixo, alimentação escolar, etc. Mas isso vou deixar para os jornalistas investigativos locais.

Cabe aqui uma menção (honrosa) a um grupo muito pequeno de pessoas que se identificam como integrantes da maçonaria progressista brasileira. É um grupo, realmente muito pequeno, mas de qualquer forma, vale destacar e reconhecer a luta que travam por suas ideias e seus ideais. 

Pra quem tiver tempo, vale a pena conhecer a opinião de um maçom consciente sobre o posicionamento das duas alas, conservadora e progressista, na eleição presidencial de 2014. Os comentários feitos ao final do artigo também são muito bons, apesar de extensos. 

Bom, vem aí a eleição presidencial de 2018. E já temos vários políticos da lista dos 110 ilustres lançando a sua candidatura, a saber: Álvaro Dias, Ciro Gomes e Geraldo Alckmim. Na verdade, Geraldo Alckmim não é maçom. Ele é da Opus Dei, outra sociedade secreta, ligada à ala ultraconservadora da Igreja Católica.

Por que será que eles não mostram, em suas campanhas na televisão, que estiveram palestrando em uma Loja maçônica?  Vejam os candidatos Aécio Neves e Geraldo Alckmim em visita à Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo. Melhor fez o José Serra que, embora não diga que faça parte, ao menos, colocou na TV a homenagem que prestou à “família maçônica”. 



Vejam também o candidato Álvaro Dias palestrando no “Templo Nobre da Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo” no dia 08 de julho do ano passado, quando foi apresentado como maçom, iniciado em 23 de novembro de 1974 e placetado (?) em 25 de setembro de 2012 na Loja “Apóstolo da Caridade” em Curitiba, loja essa que segue o Rito Escocês Antigo e Aceito. 



O candidato Ciro Gomes ainda não deixou escapar nenhum vídeo na internet. Mas, certa vez, por ocasião da briga do irmão Cid Gomes com Eduardo Cunha chegou a comentar que: “falar a verdade nesse país custa muito caro”. Eu, sinceramente, espero que não.

Não é só aqui, no mundo inteiro é assim, a maioria dos políticos esconde a condição de integrante da maçonaria. Vide o caso do candidato da extrema esquerda à presidência da França, Jean Luc Mélenchon

Mas, por que será que os políticos maçons agem desse jeito? Afinal, não deveria ser uma honra pertencer à maçonaria? Um grupo tão seleto de pessoas de bem. De “homens livres e de bons costumes”, como eles se auto proclamam? Por que não se apresentar como tal?

Então, voltamos à pergunta inicial: e por que a imprensa brasileira não trata a ingerência da maçonaria na política brasileira da mesma forma que o faz a imprensa estrangeira? O que se passa? Não sabem disso? Com a palavra os nossos jornalistas investigativos independentes.

Luiz Cláudio de Assis Pereira
No GGN

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.