14 de nov de 2017

Xadrez da Maçonaria no Brasil - uma contribuição — 8



Chegando ao final desta jornada, hoje vamos fazer um resumo das cinco partes que compõem esta série de textos e aproveitar para falar sobre a participação da Maçonaria na ascensão e queda do PT; o papel que ela tem desempenhado na Lava Jato e as alternativas que irá nos colocar à direita, à esquerda e ao centro, para as próximas eleições presidenciais.

Não foi muito difícil levantar informações para comprovar as colocações que fiz em relação à atuação política que a Maçonaria exerce de forma sistemática, instrumentalizada e articulada, sobre os mais diversos segmentos da sociedade. Mas deixo aqui uma observação para quem for ler (ou reler) o que escrevi: de certo, cometi erros, seja pela interpretação dada aos fatos históricos relatados ou por quaisquer outros motivos. Mas, apesar dos erros cometidos “no varejo”, a margem de erro para as questões centrais, “no atacado”, ou seja, no que é essencial ao que me propus a fazer, eu diria que essa margem é muito pequena.

Para quem leu, pelo menos um dos textos publicados, deixo meu sincero pedido de desculpas pela redação fora do padrão GGN de jornalismo. Infelizmente, não tenho formação específica. Daí, a leitura, acredito que não raro, ter se tornado não muito clara, principalmente, quando entrei no “campo minado” das crenças religiosas. Mas, ainda que dentro das minhas nítidas limitações técnicas, acreditem, procurei fazer o melhor possível, priorizando o conteúdo e não a forma. Daí, a quantidade de links com textos, reportagens, vídeos e fotos das mais diversas fontes.

Assim foi que, depois de um breve histórico sobre a criação da Maçonaria, apresentado na primeira parte, mostramos, na parte 2, como a Maçonaria atua dentro dos partidos políticos. E que, dependendo da ocasião, essa atuação pode ser com mais ênfase à direita, à esquerda, ou ao centro (vide Emmanuel Macron), mas sempre com o propósito de se manter no poder.

Começamos por mostrar que isso não é privilégio do Brasil, pelo contrário. A Maçonaria opera desse jeito pelo mundo afora; mesmo que clandestinamente, como é o caso de muitos países de maioria mulçumana que não a aceitam de jeito nenhum, dada a presença de judeus em seus quadros. Daí, a importância que demos, desde o início, à questão religiosa.

E para provar o que afirmamos acima, trouxemos exemplos da França e de Portugal.

Mostramos também como a imprensa estrangeira trata a ingerência da Maçonaria na política interna de cada um desses países. E como a abordagem que é feita pela mídia lá fora é bem diferente da que é feita aqui no Brasil, sendo esse um assunto tratado de forma muito mais transparente, mesmo em países, algo, semelhantes ao nosso, como é o caso de Portugal.

Na parte 3 foi possível detalhar a atuação da Maçonaria nos diversos partidos políticos brasileiros, sejam eles de direita, de esquerda, ou centro, tal como o que ocorre em outros países ocidentais. Nessa parte, deixamos no ar a seguinte pergunta: por que a imprensa brasileira não trata essa questão da mesma forma que o faz a imprensa estrangeira?

Ainda nesta terceira parte, mostramos a lista dos 110 maçons ilustres do Grande Oriente do Brasil. Destacamos dela a presença de políticos de toda a classe ideológica. E apontamos nela alguns dos candidatos às próximas eleições presidenciais, mostrando, inclusive, vídeos de palestras que os mesmos fizeram em Lojas maçônicas. Foi, então, que colocamos mais uma questão crucial: por que será que a maioria dos políticos esconde a condição de integrante da maçonaria? Afinal, não deveria ser uma honra pertencer a um grupo tão seleto de pessoas de bem? De “homens livres e de bons costumes”, como eles se auto proclamam?

Chegando à parte 4, apresentamos, a meu ver, de forma incontestável, como a Maçonaria atua politicamente a nível estadual e municipal. Mostramos como que “entra governo, sai governo”, seja de que partido for, a Maçonaria sempre estará no poder. Seja diretamente, através do integrante de uma Loja (o modo preferido pela “Ordem”), ou através de um amigo de estrita confiança, indicado por um membro de alta patente, que empresta a esse amigo todo o seu venerável prestígio.


Já na parte 5, colocamos em pauta a atuação da Maçonaria nas grandes empresas estatais brasileiras, dando como exemplo a maior de todas elas, a Petrobras. Mostramos como a Maçonaria mais do que indica, nomeia, pessoas para a presidência da Petrobras, com propósitos que, dependendo do governo, vão desde a intenção de privatizá-la até o de fazê-la “carro-chefe” de um programa de governo, o PAC, de forma totalmente irresponsável.

Mostramos ainda como que Maçonaria, através de um grupo auto denominado “maçons petroleiros” atuou silenciosamente para a criação de uma subsidiária de primeira linha, no caso a Petrobras Biocombustível SA, para abrigar em seus quadros, diretores, gerentes e outros asseclas, que nada fizeram além daquilo que Lula fez ao longo de todo o seu governo, ou seja: “deram migalhas aos pobres e encheram o cofre dos ricos”. Parece uma afirmação muito forte, não? Veja lá as informações que levantamos e depois me diz o que você achou.

Ao falar sobre a pretensa “Intervenção Militar” articulada dentro da Maçonaria, mostramos como maçons sulistas de diferentes setores da sociedade (não só militar) interagiram para, via rede sociais, colocar o povo na rua numa clara tentativa de reeditar a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”.

E quando falamos sobre o modo de agir e de pensar dos políticos maçons, destacamos que a atuação política da Maçonaria é nefasta à sociedade, pois nunca vai dar bom resultado um sistema que reúne agentes públicos e privados operando em causa própria, sugando o Estado através de uma organização subordinada a interesses estrangeiros.

Reunindo todo esse material, não foi difícil concluir qual foi a estratégia da Maçonaria brasileira para levar um partido de esquerda ao poder. Ora, ao perceber o risco de perder a hegemonia, e não havendo alternativa melhor para se manter no poder, a Maçonaria, ou, melhor, uma parte dela, não hesitou em “cair para a esquerda”, como fez o PL - Partido Liberal de José Alencar e Valdemar Costa Neto, em 2002. Só que, ainda antes do primeiro turno, foi preciso tranquilizar o “mercado”. Daí, a famosa “Carta ao Povo Brasileiro”. Vejam quão interessante foi o que, depois de muito tempo, disse dela o Sr. Emílio Odebrecht, já com a água da Lava Jato batendo na sua canela.

Assim foi a ascensão do PT à presidência da República. Com apoio de um maçom da mais alta patente e com muito bom trânsito junto às Forças Armadas, tanto é que, tão logo se deu a primeira crise com o Exército, José Alencar assumiu o Ministério da Defesa, acumulando funções, já que, enquanto vice-presidente, ele era tão figurativo quanto o Michel Temer. Apesar de alguns “pecadinhos”, devemos agradecer a José Alencar a oportunidade de termos eleito o primeiro governo de esquerda que chegou ao topo do poder central no Brasil.

Mas, voltando à esfera global, mais precisamente, ocidental, procuramos mostrar que, no fundo, o que os maçons fazem hoje em dia é tão perverso quanto o que a Igreja Católica, que eles tanto combateram, fazia na Idade Média. Havendo, porém, uma grande diferença, tanto na forma de atuação, quanto no conteúdo, pois, ao invés da clara aliança que havia entre as elites medievais (que se impunham pela força), e a Igreja Católica (que desejava manter o “monopólio da fé”), temos agora uma aliança oculta estabelecida entre governantes “democraticamente” eleitos e uma entidade que aceita as mais diferentes crenças religiosas.

Procuramos, e creio que também conseguimos, demonstrar que essa forma de atuação dissimulada facilita muito as coisas, tanto para a Maçonaria, quanto para os membros dos três poderes (executivo, legislativo e judiciário) a ela associados, pois, resulta numa relação “invisível” para a grande maioria da população; ao mesmo tempo, em que a aliança formada entre eles dispõe de um “olho que tudo vê” espalhado por todo canto.

Nesse contexto, denunciar a relação perniciosa que existe entre a Maçonaria e os poderes constituídos é tarefa das mais difíceis, até porque não se pode contar com a grande mídia, tendo em vista que a mesma é o principal pilar de sustentação de todo esse esquema.

De tudo isso, resulta uma questão, aí sim, central, qual seja: à Maçonaria, não basta ditar a moda e o comportamento das pessoas; manipular o que comemos e o que vestimos e determinar quem serão nossos ídolos na música e no futebol?

Que tipo de sociedade vocês, maçons, querem? Aquela que desejam os apoiadores do general Mourão, via Jair Bolsonaro? Ou a dos que sonham todas as noites os/as fãs do Luciano Huck? Ou tanto faz? Uma ou outra atende aos seus interesses do mesmo jeito.

Então, Senhores, já que não se faz política de outra forma que não através da Maçonaria, ofereçam-nos alternativas melhores do que essas, pelo amor do Grande Arquiteto do Universo. Como a do vosso amigo Fernando Haddad (vide link), por exemplo. Mas depois não tolham suas iniciativas para resgate da dívida social. OK?

E deixem o Lula ir pra casa descansar. Todos sabemos que se ele tivesse saído do governo como o Mujica saiu, por tudo que fez (e, se deixassem, ele teria feito ainda mais), Lula estaria consagrado internacionalmente. E o Fernando Henrique, a essa altura, estaria morto, de tanta inveja. E, convenhamos, alguém, em sã consciência, acredita que, no império do presidencialismo de coalizão, o PT fez algo muito diferente do que fez o PSDB?

Além das cinco partes mencionadas, dois outros textos foram também aqui tornados públicos: um relacionado à pretensa “Intervenção Militar” e outro à forma de agir e de pensar dos “políticos maçons".

Luiz Cláudio de Assis Pereira
No GGN

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