12 de nov de 2017

Xadrez da Maçonaria no Brasil - uma contribuição — 6 — “Maçonaria X Intervenção“


Essa é uma pausa ligeira na série de contribuições para o “Xadrez da Maçonaria no Brasil” só para fazer um aparte em relação ao post “Maçonaria X Intervenção Militar” colocado ontem pelo Sr. Kennyo Ismail. A intenção não é polemizar, mas, sim, levar a questão para um público mais abrangente que tem se mostrado bastante interessado no assunto.


Ontem mesmo, respondi ao Sr. Kennyo da seguinte maneira:

“Prezado Kennyo, concordo plenamente consigo quanto ao fato de não existir uma única maçonaria brasileira.

Por outro lado, não há como colocar no mesmo plano as três "grandes vertentes maçônicas", minimizando desta forma a importância da mais antiga obediência maçônica do Brasil (o GOB foi fundado em junho de 1822 como a primeira obediência maçônica da América Latina). E a única das três que recebeu a chancela da Grande Loja Unida da Inglaterra, a quem está subordinada e que tem (ou teve) como Grão-Mestre Distrital, o marido da ex-presidente da Petrobras no governo Dilma. (vide "Uma Contribuição ao Xadrez da Maçonaria no Brasil" - parte 2, neste Jornal GGN)

Assim sendo, a palestra do general Mourão na sede do Grande Oriente do Brasil, bem como a do comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, que lá esteve (vide "Uma Contribuição ao Xadrez da Maçonaria no Brasil" - parte 1, neste Jornal GGN), tem, sim, um significado muito grande, pois não se trata de um "Irmão" qualquer.

E isso é muito grave. Se vai haver intervenção militar ou não, isso é outro problema. A questão que aqui se coloca é saber o que deseja a maçonaria brasileira, através da sua mais representativa obediência, promovendo e divulgando iniciativas como essa.

É isso que está em causa e é isso que precisa ser esclarecido por suas lideranças.”

Então, vamos aos fatos, em ordem cronológica, pra ver como é que a coisa funciona:

1º) no dia 17 de março deste ano, o comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, deu palestra, não numa Loja maçônica qualquer, como os jornais e TV’s também tentaram minimizar, mas na própria sede do GOB - o Grande Oriente do Brasil.

A palestra do comandante teve mais repercussão seis meses depois, quando o general Mourão foi ao GOB, igualmente fardado, para também dar palestra aos seus “irmãos”. Interessante observar que a fala do comandante foi mais amena do que a do general Mourão, mas, ainda assim, o general Villas Bôas deu uma interpretação bastante peculiar sobre o art. 142 da Constituição Federal (veja o vídeo e a matéria da Folha de São Paulo).

2º) no dia 17 de setembro, foi, então, a vez do general Mourão falar na sede do GOB

3º) oito dias depois, o maçom catarinense e dono da HAVAN, Luciano Hang, resolve gravar, e postar na internet, um vídeo em apoio ao general Mourão.

4º) três dias depois, foi a vez do general Edson Leal Pujol, que substituiu o general Mourão no Comando Militar do Sul, se manifestar publicamente sobre a situação política do país.

Dessa vez, a Folha de São Paulo não publicou o vídeo com a fala do general Pujol, mas um cidadão suspeitíssimo chamado Leudo Costa, da TV Cristal de Porto Alegre (???) e que tem um blog chamado CRISTALVOX, o fez. Repare que ele mesmo encaminhou a pergunta para o general, gravou a resposta e depois postou o vídeo na internet. Se não quiser ouvir o “blá-blá-blá” inicial desse cara, vá direto para o começo da fala do general aos 1:30 min.



5º) no fim da tarde do mesmo dia da palestra do general Pujol, me aparece um ministro do STJ - Supremo Tribunal de Justiça, chamado Og Fernandes (isso mesmo, Og?) fazendo enquete nas redes sociais sobre intervenção militar. Ora, se pode, um membro do STJ?

Bom, a intenção de tudo isso não é outra senão tentar reeditar a famosa “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, realizada em São Paulo no dia 19 de março de 1964, com total apoio do então governador do estado, Sr. Ademar de Barros (logo ele, o primeiro da lista de 110 maçons ilustres do GOB - Grande Oriente do Brasil, feita por um membro do próprio GOB). 

O problema é que está difícil cooptar parte da Igreja católica para mobilizar tanta gente, como foi em 64. Mas temos que ficar atentos, pois o Edir Macedo outro maçom ilustre da lista de 110, tem plena condição de fazer esse papel. Espero que os evangélicos, se convocados, não caiam nessa armadilha.

E espero ainda mais, que, dessa vez, os maçons não consigam reeditar a famosa “Marcha da Vitória”, idealizada pelo general Golbery do Couto e Silva, outro maçom ilustre da lista de 110, que depois ficou conhecido como a “eminência parda” do regime militar. Essa marcha foi realizada no Rio de Janeiro no dia 2 de abril de 1964 (na prática, um dia após a “revolução”).

Pra finalizar, vale lembrar a frase de outro maçom muito famoso:

“O preço da liberdade é a eterna vigilância” - Thomas Jefferson.

Luiz Cláudio de Assis Pereira
No GGN

Leia também:

Xadrez da Maçonaria no Brasil - uma contribuição — 12345

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