11 de nov de 2017

Xadrez da Maçonaria no Brasil - uma contribuição — 5


Ao iniciarmos esta quinta parte, deixo aqui, para os que não tiveram a oportunidade de ler as partes 1, 2, 3 e 4 deste artigo, ou mesmo o “Xadrez da Maçonaria no Brasil”, de Luís Nassif, a sugestão de que o façam, de preferência antes dessa.


Hoje iremos falar sobre como a Maçonaria atua infiltrada nas empresas estatais. Na verdade, o termo certo não é esse, pois os maçons, antes de estarem infiltrados nessas empresas, eles as dominam. Como exemplo, traremos para esse debate o caso da maior empresa brasileira.

No caso da Petrobras, o mais interessante é que, apesar de alguns maçons relatarem a liderança do “irmão” Monteiro Lobato na campanha “O petróleo é nosso”, e o próprio envolvimento da Maçonaria na criação da Petrobras ser do conhecimento de muitas pessoas, oficialmente, ela, a Maçonaria, não reivindica isso pra si. Deve haver uma explicação.

Mas não há dúvida de que o domínio da Maçonaria sobre a Petrobras sempre existiu e vai continuar existindo, mesmo que ela venha a ser privatizada.

E por falar em privatização, vale lembrar que na virada do século, já no segundo governo do Sr, Frenando Henrique Cardoso, o francês Henri Philippe Reichstul, enquanto presidente da Petrobras, numa clara tentativa de preparar a empresa para privatização, quis trocar o nome da empresa para Petrobrax (isso mesmo, com “x” no final, ao invés do “s”).

Quem conhece símbolos maçônicos sabe bem o significado da letra X na Maçonaria.  E o uso muito comum que se faz dela nas logomarcas de empresas e instituições públicas e privadas.

Até aí, tudo bem. Não dava para esperar nada muito diferente por parte do PSDB depois do que fizeram na “privataria tucana”. Mas o que vocês me dizem quanto à Sra. Dilma Rousseff nomear, “logo de cara”, no início do primeiro ano do seu primeiro governo, o mesmo  Henri Philippe Reichstul  como conselheiro do seu governo. Difícil acreditar, não? Então, vejam o que a CUT - Central Única dos Trabalhadores, ligada ao PT, disse a respeito desse episódio.


Sinceramente, eu fico me perguntando: como é que um sujeito que conduz uma gestão tão desastrosa à frente da maior empresa estatal do país é nomeado “conselheiro” de um governo que lhe fez ferrenha oposição e vice versa? É muito esquisito, vocês não acham?

Não quando se trata da ingerência da Maçonaria a nível internacional nos assuntos da Petrobras. Basta lembrar o que já mostramos aqui (vide parte 2 de “Uma Contribuição ao “Xadrez da Maçonaria no Brasil”), que a ex-presidente da Petrobras no governo Dilma, a Sra. Maria das Graças Silva Foster (mais conhecida com o nome pelo qual prefere ser chamada: Graça Foster), é mulher de um cidadão inglês chamado Colin Foster, que é, “tão somente”, a maior autoridade residente no Brasil da Grande Loja Unida da Inglaterra. Esse que aparece no meio da foto. Não se pode dizer que ele “está com o rei na barriga”, pois não é esse o caso dele.

Mas não é “só” deste modo que a maçonaria interfere na gestão da Petrobras. No início do terceiro mandato à frente do governo do Paraná, o Sr. Roberto Requião, o mesmo que andou “twittando”, por esses dias, que não tinha nada a ver com a Maçonaria, recebeu dois dos “maçons petroleiros” dos mais altos graus, que lá estiveram fazendo lobby para a indicação de um deles para a Diretoria de Abastecimento no lugar do ex-diretor, agora delator, Paulo Roberto Costa.

Você não acredita que a Maçonaria faça uma coisa dessa, não é? Então, pode conferir.

Detalhe para não gerar dúvidas: a data que aparece no link (28 de outubro de 2011) é posterior à saída de Requião do governo, mas a referência no texto (07 de março de 2007) é a que vale. Texto esse que comete um erro, se não proposital, de atribuir ao Sr. Alan Kardec o posto de diretor de refino, que não era o caso. Ele queria ser diretor, mas não conseguiu. Apesar do peso pesado que ele levava junto consigo na campanha para a diretoria da Petrobras, o lobby maçônico do Paulo Roberto era muito mais forte do que o do Alan Kardec.

O governador Roberto Requião recebeu os executivos Alan Kardec Pinto e José Inácio Conceição ligados à Maçonaria e  Petrobrás. Da esq. para a dir.: O governador Roberto Requião, o vice governador Orlando Pessuti, o Inspetor Geral da Ordem dos Maçons José Inácio Conceição, o diretor da Sanepar  Natálio Stica e o o gerente executivo de Refino da Petrobrás Alan Kardec Pinto. Foto Julio Covello-SECS
Foto: O governador Roberto Requião recebeu os executivos Alan Kardec Pinto e José Inácio Conceição ligados à Maçonaria e Petrobrás. Da esq. para a dir.: O governador Roberto Requião, o vice governador Orlando Pessuti, o Inspetor Geral da Ordem dos Maçons José Inácio Conceição, o diretor da Sanepar Natálio Stica e o o gerente executivo de Refino da Petrobrás Alan Kardec Pinto.

No texto referente às fotos feitas no encontro, o cargo do Sr. Alan Kardec já foi “corrigido”.

Mas o Sr. Alan Kardec não saiu de mãos vazias não. Pois, em março de 2008, ele e muitos outros “irmãos maçons petroleiros” ganharam, como “prêmio de consolação”, uma empresa subsidiária (na verdadeira acepção da palavra, qual seja, aquela que recebe subsídios), inteira, a PBio - Petrobras Biocombustível SA, com tudo que tem (e o que não tem) direito.

Vejam no link abaixo, uma troca de emails como os "maçons petroleiros" se vangloriam da sua própria "força e prestígio junto a Lula”. Não sei como isso foi aparecer no Google, mas veio numa pesquisa normal. Foi só digitar “maçons petroleiros”. Se você quiser conferir, faça o mesmo. Mas faça já, pois não sei por quanto tempo isso ainda vai estar disponível.


Reparem na importância que os “maçons petroleiros” deram ao “trabalho silencioso” do Grande Oriente de São Paulo, e à tal “reinserção política proposta pelo Eminente Benedito Marques Ballouk Filho”, aquele que lhes apresentei no final da parte 4. Se você ainda não viu, dá um pulo lá pra conhecer como a Maçonaria atua no “submundo” político- partidário.

Pois bem, essa empresa já nem existe mais, pois, depois de tanto prejuízo que deu, ela acabou sendo esfacelada. Mas cumpriu seu papel. Qual era esse? O mesmo que foi trilhado ao longo de todo o governo Lula: “dar migalhas aos pobres e encher o cofre dos ricos”.

Provavelmente, você deve estar se perguntando: mas porque esse cara está dizendo isso?

Elementar. A empresa foi criada com a desculpa de que iria tocar os negócios da Petrobras na área de biocombustíveis. No caso do biodiesel, ela incentivou pequenos agricultores familiares a plantarem oleaginosas, incluindo a mamona que o Requião mastigou como se fosse chiclete. Esses, “ficaram a ver navios”. Já os grandes empresários do setor sucroalcooleiro, que venderam participação acionária para a PBio, esses, “lavaram a égua”.

Teria mais a dizer sobre a “PBio”, mas não quero correr o risco de me perder a falar das mazelas dessa empresa e sair do foco que é a “atuação política da Maçonaria na Petrobras”.

Também não quero me estender muito. Então, pra finalizar, deixo aqui a pergunta feita à Petrobras pelo jornal Folha de São Paulo no dia 26 de abril de 2014, que até hoje está sem resposta: “A Petrobras atendeu pedido de patrocínio encaminhado em 3/10/2012 ao diretor de abastecimento José Carlos Cosenza para o VI Encontro Nacional de Maçons Petroleiros orçado em R$ 2,2 milhões apresentado por Valter Martins Martins Ramos? Qual o valor repassado? A Petrobras foi, de alguma forma, procurada pelo sr. Paulo Roberto para tratar desse assunto? Qual foi a participação do ex-diretor na negociação desse assunto?

Veja no link abaixo a postura de uma empresa que, a princípio, em princípio e a rigor, deveria prestar contas ao público sobre as “iniciativas extraempresariais” que incentiva. http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/carta-sobre-ref-brasil-resposta-a-folha-de-s-paulo.htm

Na próxima, falaremos sobre a participação da Maçonaria na ascensão e queda do PT; o papel que ela tem desempenhado na Lava Jato, e as alternativas que a Maçonaria tem à direita, à esquerda (?) e ao centro, para as próximas eleições presidenciais. Por hora, é só.

Luiz Cláudio de Assis Pereira
No GGN

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