10 de nov de 2017

Xadrez da Maçonaria no Brasil - uma contribuição — 4


Ao iniciarmos esta quarta parte, deixo aqui, para os que não tiveram a oportunidade de ler as partes 1, 2 e 3 deste artigo, ou mesmo o “Xadrez da Maçonaria no Brasil”, de Luís Nassif, a sugestão de que o façam, de preferência antes dessa.


Hoje iremos detalhar como a Maçonaria atua politicamente a nível estadual e municipal.

Primeiro, vamos mostrar como que “entra governo, sai governo”, seja de que partido for, a Maçonaria sempre estará no poder, diretamente, através do integrante de uma Loja (por sinal, o modo preferido pela “Ordem”), ou através de um amigo de estrita confiança, indicado por um membro de alta patente, que empresta a esse amigo todo o seu prestígio.

E o exemplo que vamos passar vem do Estado do Mato Grosso do Sul. Um Estado bastante interessante, do ponto de vista “maçônico”, visto que o mesmo foi criado em 1977 atendendo interesses da Maçonaria. Nada muito diferente do que aconteceu em 1988, quando criaram o Estado do Tocantins, e do que vai acontecer com o Estado do Pará.

Então, vamos ver o que temos sobre os três últimos governadores deste Estado.

Pra começar, a foto do atual governador, Sr. Reinaldo Azambuja, do PSDB, o mesmo que recebeu Michel Temer neste fim de semana para assinatura de um decreto atendendo interesses da bancada ruralista com o firme propósito de livrá-lo da 2ª denúncia da PGR.

Depois, temos do ex-governador, o Sr. André Puccinelli, do PMDB, que precedeu ao Sr. Reinaldo Azambuja, do PSDB, uma foto semelhante a esta, anexada a uma matéria feita por um blog maçônico, e um vídeo onde o Sr. André Puccinelli, alvo da Operação Lama Asfáltica da PF, na qual seu aliado político, o ex-deputado federal Edson Giroto (PR), foi preso. Neste vídeo, Puccinelli aparece em “reunião” com funcionários públicos, passando “orientações administrativas”. Vejam vocês! 



Temos também uma foto do ex-governador, Sr. Zeca, do PT, que precedeu ao Sr. Puccinelli, do PMDB, tirada “na solenidade onde o querido amigo Ovalto foi agraciado com Grau 33° da Maçonaria”. Lembrando que o grau 33 é o mais alto posto do Rito Escocês Antigo e Aceito.

Portanto, se o Sr. Zeca do PT não for maçom, como são os Srs. André Puccinelli e Reinaldo Azambuja, ele, o Sr. Zeca, se enquadra, perfeitamente, no segundo caso, qual seja, a do “amigo de um maçom de alta patente, que a ele empresta todo o seu venerável prestígio”.

Vale destacar que são políticos de três partidos diferentes: um de esquerda (PT), um de direita (PSDB) e um de não sei o que (PMDB).

Por último, uma matéria com Wesley, irmão sem aspas do Joesley da JBS, acusando estes mesmos três governadores de “participação num esquema” em troca de redução de ICMS.

Passemos para o Distrito Federal. O que temos lá. Primeiro a foto do ex-governador José Roberto Arruda (aquele do mensalão do DEM), junto ao senador Mozarildo Cavalcanti (PTB), ambos incluídos pelo GOB na lista dos 110 maçons ilustres deste Grande Oriente do Brasil.

Trata-se de matéria da revista Época, intitulada “Arruda e a crise na Maçonaria”.

A matéria aponta “suspeitas” sobre a Fundação Gonçalves Lêdo, vinculada à maçonaria e que fechou convênios, sem licitação, de quase R$ 30 milhões com o Governo do Distrito Federal.

Interessante observar como essa matéria destaca o fato de um membro da maçonaria estar batendo de frente com o Arruda como se a instituição quisesse “passar a limpo” o ocorrido.

Temos também um discurso feito da tribuna do Senado em 2011, pelo mesmo senador Mozarildo, que chegou a ser candidato à presidência do Grande Oriente do Brasil em 2013, prestando homenagem aos 40 anos de fundação do Grande Oriente do Distrito Federal.

Nesse discurso são citados como maçons vários políticos e membros do Judiciário, entre eles o ex-vice-governador do DF na gestão Agnelo Queiroz (PT), Sr. Nelson Tadeu Filipelli (PMDB).

Vale lembrar que os dois, Tadeu Filipelli e Agnelo Queiroz, juntos com José Roberto Arruda, chegaram a ser presos pela Polícia Federal na Operação Panathenaico, acusados de desvio de quase um bilhão de reais das obras do Estádio Mané Garrincha, um dos maiores ídolos da história do futebol brasileiro. Ironicamente, um Mané que nem sepultura decente recebeu.

Dizia o agora ex-senador Mozarildo: "... dentre elas o Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Antônio Cezar Peluso; o Vice-Governador do Distrito Federal, que é maçom, Nelson Tadeu Filippelli; o Vice-Presidente do Superior Tribunal de Justiça, também maçom, Ministro Félix Fischer; o Ministro do Superior Tribunal de Justiça, também maçom, José de Jesus Filho; o Desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, também maçom, Lécio Resende da Silva; este Senador da República ..."

E quem é o Sr. Tadeu Filippelli? Bom, além de ex-vice-governador do DF, ele é presidente regional do PMDB do Distrito Federal, e era, até ser preso pela PF (depois foi solto), assessor especial da Presidência da República, despachando no 3º andar do Palácio do Planalto junto ao presidente Michel Temer.

Aí estão mais três nomes e mais uma vez a mesma situação: dois deles (o Arruda e o Filipelli), flagrados sem ter como negar sua pertença aos quadros maçônicos, e um terceiro (o Agnelo), que, se não é maçom, tem, ao menos, um amigo maçom (e de alta patente, claro). E, mais uma vez, tal como no caso do Mato Grosso do Sul, os três são de três partidos diferentes: um de esquerda (PT), um de direita (DEM) e um de não sei o que (PMDB).

Por falar nisso, temos um outro assessor especial de Michel Temer que também despachava no 3º andar do Palácio do Planalto. Ele é conhecido como Sandro Mabel, um dos homens mais ricos de Goiás. Mas o nome dele mesmo é Sandro Antônio Scodro, ex-deputado federal pelo PMDB, autor do PL 4330/2004 que regulamentou a terceirização.

Depois da delação do Joesley, ele deixou a função de assessor presidencial e nem precisou pedir demissão, pois estava "trabalhando" de graça no Palácio do Planalto. No link, você poderá ver a foto do Sr. Sandro Mabel no nº 235 da lista de “obreiros”.

Ainda sobre os assessores palacianos de Michel Temer, vale destacar o Sr. Rocha Loures do PMDB. Mas vamos deixar pra falar sobre o “Zé Alencarzinho do Paraná” quando formos detalhar a relação do ex-presidente Lula com a Maçonaria. Por hora, fica só o registro. OK?

Um dos Estados onde a Maçonaria se mostra politicamente bastante atuante é o Estado de São Paulo. Todo Grande Oriente Estadual tem dentro da sua estrutura um grupo de políticos maçons que forma a sua Assessoria Parlamentar. O interessante no caso do GOSP é que o próprio vice-governador do Estado, Sr. Márcio Luiz França Gomes (PSB) faz parte dessa assessoria. Além dele, estão lá, o deputado federal Baleia Rossi (PMDB), líder do PMDB na Câmara, filho de Wagner Rossi, ex-ministro da agricultura de Lula e Dilma; o ex-prefeito de Ribeirão Preto, Welson Gasparini (PSDB) e o dep. estadual Itamar Francisco Borges (PMDB).

Muitos maçons afirmam não haver atuação política articulada dentro da Maçonaria. Então, para os incrédulos, temos, no link abaixo, como as três “obediências maçônicas” do Estado de São Paulo trabalharam nas eleições municipais de 2012. Juntaram-se GOSP - Grande Oriente de São Paulo, GLESP – Grandes Lojas de São Paulo e GOP – Grande Oriente Paulista para formar o GEAP – Grupo Estatual de Ação Política da Maçonaria Paulista.

Interessante observar que, além dos diversos partidos tradicionalmente alinhados à direita, o GESP apoiou diversos candidatos do Partido dos Trabalhadores, dois quais destacamos os casos:

- o de São Paulo (capital), onde dois candidatos a vereador pelo PT, o “irmão” Luiz Carlos Corrêa Mendonça, vulgo “Marronzinho do Trânsito” e o Sr. Carlos Augusto Sousa Silva, receberam apoio da maçonaria paulista junto com o “irmão” Mario Covas Neto, do PSDB;

- e o de Ribeirão Preto, onde dois candidatos a prefeito foram apoiados pela Maçonaria paulista, um pelo PSDB, o “irmão” Antônio Duarte Nogueira Junior, e outro do PT, o também “irmão” João Agnaldo Donizeti Gandini.

Mas, não é só isso. Muitos outros candidatos do PT foram apoiados pelo GEAP:

- em Araraquara, o “irmão” Nicolau Waldemar Lambort,  candidato a vereador;

- em Campos do Jordão, o “irmão” Pr. Jesus Anacleto Rosa, candidato a vice-prefeito;

- em Jacareí, o “irmão” Adel Charaf Eddine, candidato a vice-prefeito;

- em Lucélia, o “irmão” José Fernando de M. Mendonça, candidato a vice-prefeito;

- em Santo André, o Sr. Waldir Persona, candidato a vereador;

- em São José do Rio Preto, o “irmão” Marcos Antonio Ferreira, candidato a vereador;

- em São Vicente, o “irmão” Dr. Ulisses R. Morozetti Martins, candidato a vereador.

Pior que depois de todo o trabalho feito em 2012, em julho de 2016, já com o país fervilhando em denúncias de corrupção, inclusive contra o governador apoiado pela Maçonaria paulista, o jornal “O Estado de São Paulo” publica um artigo do Grão Mestre Estadual do GOSP, Sr. Benedito Marques Ballouk Filho, onde ele, como “representante de mais de 24 mil maçons presentes em centenas de municípios paulistas”, tem a coragem de escrever o seguinte: “... fazendo parte desse coro que clama por medidas emergenciais de mudança, ... a Maçonaria do Estado de São Paulo busca seu protagonismo e o resgate do seu passado histórico de lutas e conquistas para a construção da nossa Pátria.”

A que “resgate do passado histórico”, o Sr. Ballouk Filho está se referindo? E que “reinserção” é essa? Será que é aquela que ele articulou em 2008 para a criação da Petrobras Biocombustíveis, onde conseguiu abrigar uma penca de “irmãos maçons petroleiros”, já citados aqui no Jornal GGN (vide “Xadrez da Maçonaria no Brasil”, por Luís Nassif)?

Mas, sobre isso, voltaremos com detalhes em outra oportunidade. Por hora, é só.

Luiz Cláudio de Assis Pereira
No GGN

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