2 de nov de 2017

Tenho medo do guarda da esquina

Estudante da Paraíba recebe voz de prisão de PM por reproduzir frase de artista famoso

Liliane, Estudante da Universidade Estadual da Paraíba é acusada de apologia ao crime por escrever frase de Hélio Oiticica, anarquista e artista plástico durante a ditadura militar em mural da instituição.

Estudante da Paraíba recebe voz de prisão de PM por reproduzir frase de artista famoso

A aluna da Universidade Estadual da Paraíba, Liliane Maria, do curso de Letras, recebeu voz de prisão na sexta-feira (27) acusada de apologia ao crime e dano ao patrimônio público. O crime da aluna, segundo um policial militar do 4º batalhão, foi escrever em um mural da instituição de ensino a frase de Hélio Oiticica, artista plástico e anarquista: “Seja marginal, seja herói”. O policial também quis prender o professor Waldeci Ferreira Chagas, diretor do Centro de Humanidades (CH) da universidade.

Em defesa da aluna, a direção do Campus declarou Liliane estava se expressando em um espaço apropriado, destinado à livre expressão cultural e artística dos alunos, fruto de grande reivindicação da comunidade acadêmica. A frase de Oiticica já tinha sido escrita anteriormente por outros alunos e foi apagada pelo policial.

“A frase é um protesto e todas as minorias sociais devem se posicionar e lutar pelos seus direitos. Ele [o policial] tinha apagado a frase de manhã e à tarde eu escrevi de novo e ele me deu voz de prisão, sem mandado e sem motivo algum”, declarou Liliane. Na semana passada, acontecia o 2º Simpósio de Gênero, Sexualidade e Educação, onde os alunos expressaram suas ideias neste mural. O policial, que é ex-professor substituto do curso de Direito do CH, só não concluiu a prisão de Waldeci e de Liliane porque os participantes do simpósio e professores presentes impediram.

Segundo Liliane, ela explicou para o policial que tinha autorização para escrever no mural e ele a ignorou. Também relatou que ele apertou seus punhos com força, apesar dela pedir para ele largar. Este ocorrido mostra que a direita utiliza-se da atual situação para amedrontar setores críticos e que a constituição garante os poderes repressivos de policiais, com evidentes atos de abuso de autoridade.


Hélio Oiticica: produziu uma série de trabalhos conhecidos como marginália ou cultura marginal na década de 60, durante a ditadura militar no Brasil. Foi acusado de apologia ao crime na época, por sua arte ser considerada uma forma de transgressão dos valores burgueses e conservadores.

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