4 de nov de 2017

‘STF decidiu a favor do desrespeito aos direitos humanos’


"STF decidiu a favor do desrespeito aos direitos humanos. Contra inclusive opinião de Raquel Dodge. A quem apelar? Só resta o Francisco...", escreveu neste sábado o jornalista e escritor baiano Emiliano José.

Ele fala sobre a decisão da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, de mantem proibição de zerar redação que desrespeitar direitos humanos.

No 247



STF incentiva a safadeza e o ódio

Falei hoje à CBN: é democrático expor ideias diferentes. Mas atacar os fundamentos éticos da democracia, pregando a escravização dos negros, o extermínio dos indígenas, a repressão às mulheres, a tortura aos presos, a punição sem julgamento, isso tudo afronta a ética pública de nosso tempo, que aparece nas declarações de direitos, inclusive em nossa Constituição, e na da ONU, de 1948.

Por isso mesmo, democracias mais fortes que a nossa punem esse tipo de discurso. A Alemanha manda para a cadeia quem apoia o nazismo. A França condena quem nega a realidade dos massacres nazistas. E ninguém há de dizer que o Brasil é mais democrático que esses países.

...

Mais um ponto quanto ao zero, no ENEM, para quem violasse os direitos humanos (regra agora suspensa graças à presidente do STF):

Desse novo modo, a escola que quiser pode preparar o aluno para dizer que negro é burro, que indígena é vagabundo, que mulher pode ser estuprada, sem que essa doutrinação resulte em nota mais baixa no ENEM.

Se a escola ensinar química errado, ou história ou o que for, ela é sancionada nos resultados do ENEM.

Mas agora, se a escola ensinar a falta de ética, a sem-vergonhice, ela não sofrerá nada nesses resultados.

Renato Janine Ribeiro



Tolerando a intolerância: Cármen Lúcia é uma versão piorada de Marina Silva

Cármen Silva, mas pode chamar de Marina Lúcia
Cármen Lúcia é uma emanação de Marina Silva.

Onde ela precisa ter pulso, não tem. Sua intervenção tímida, maternal, no barraco entre Barroso e Gilmar foi vergonhosa.

O deboche com Dilma, quando a petista já estava no chão em agosto do ano passado, dizendo que não queria ser chamada de “presidenta” do STF, foi de uma covardia atroz.

Como Marina, Cármen engana alguns desavisados com uma postura de primeira voz do coro da igreja, a prolixidade e o talento para o passivo agressivo.

No vocabulário, o marinismo de Carminha se manifestou no voto decisivo que liberou Aécio Neves de sanções pelo flagrante das malas cheias de dinheiro — confuso e cheio de idas de vindas.

Agora volta a dar o ar da graça na negação do pedido da Advocacia Geral da União para permitir ao MEC dar nota zero a redações do Enem com teor considerado ofensivo aos direitos humanos.

Cármen trouxe para a sala o bode do fascismo como se fosse um gatinho com um blablablá pedestre.

A ação original foi apresentada no ano passado pela Escola sem Partido, cuja porta voz é uma tal Bia Kicis, ex-sócia dos saudosos Revoltados On Line.

Segundo o grupo, o critério de correção ofende o direito “à livre manifestação do pensamento, a liberdade de consciência e de crença e os princípios do pluralismo de ideias, impessoalidade e neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado, todos garantidos pela Constituição”.

Na decisão acaciana, Cármen lembra que “não se combate a intolerância social com maior intolerância estatal. Sensibiliza-se para os direitos humanos com maior solidariedade até com os erros pouco humanos, não com mordaça”.

Noves fora o insuportável clichê da “mordaça”, termo que ela já utilizou algumas vezes em outras ocasiões, Cármen parece viver na Finlândia e não num pântano alimentado por discursos de ódio da extrema direita sem qualquer limite.

O filósofo Karl Popper formulou o famoso paradoxo da tolerância: “Nós devemos declarar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar o intolerante.”

Segundo Popper, “a sociedade tem um direito razoável de auto-preservação”. É isso.

A questão é que preservação que interessa ao Supremo Tribunal Federal não é necessariamente a da democracia, do estado de direito e muito menos dos garotos e garotas que farão o Enem.

Kiko Nogueira
No DCM

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.