19 de nov de 2017

Sem moral, PMDB usa frase da mandioca para atacar Dilma em propaganda na TV

Peça publicitária, que começará a circular na próxima terça-feira (21), tenta vender a ideia que o Brasil melhorou depois do impeachment de Dilma e ainda usa informação errada para atacar governo da ex-presidenta



O PMDB, partido cuja cúpula está afundada em denúncias de corrupção, está veiculando na TV uma série de peças publicitárias para tentar salvar a popularidade do governo de Michel Temer, que tem menos de 3% de aprovação.

A próxima propaganda será veiculada a partir de terça-feira (21). Na peça, é vendida a ideia de que o Brasil melhorou após o impeachment de Dilma – mesmo com inúmeros indicadores mostrando o contrário – e ainda é usada a frase da mandioca, proferida em 2015 pela ex-presidenta, para atacá-la.

“Não dá para esquecer: 2016, com a economia em frangalhos, Dilma Rousseff anunciava a mandioca como uma das mais importantes conquistas do país. Dilma desenterrou a mandioca e enterrou a economia brasileira”, provoca a narradora na propaganda.

Acontece que, para atacar Dilma, o PMDB usou uma informação errada. A frase da mandioca foi feita em 2015, e não em 2016, “com a economia em frangalhos”, como diz a propaganda.

Na ocasião, Dilma acabou sendo motivo de chacota de opositores, que já arquitetavam o impeachment, por ter “saudado” a mandioca. A “saudação”, no entanto, foi certeira e simbólica para o contexto em que foi feita: Dilma abria os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, e afirmou que os índios trouxeram para a cultura brasileira “não só os nomes que estão em todas as cidades”, mas também o acesso à forma básica de alimentação.

No Fórum



A mandioca e os idiotas

mandioca

Primeiro foram os coxinhas juvenis. Agora, as múmias temeristas que resolveram, como bons idiotas que são, usar como deboche o elogio da ex-presidente Dilma Rouseff aos produtores de mandioca .

Claro, não acham ruim falar do agronegócio da soja, que os porcos comem, na forma de farelo, mas acham um horror o prato tão comum e principal fonte de amido – é o que tem a batata, para quem não sabe – da mesa do pobre em muitas regiões do país, embora aquela amarelinha, com consistência cremosa ainda arranque suspiros da memória de um diabético (amido se transforma em açúcar, como se sabe).

Não é só na memória afetiva dos brasileiros que a mandioca é importante – dela, Jorge Amado escreveu em seu Navegação de Cabotagem“onde quer que esteja levo o Brasil comigo mas, ai de mim, não levo farinha de mandioca e sinto falta todos os dias, ao almoço e ao jantar”.

É em nossa história.

Certamente, no alto de sua estupidez – aliás, o sr. Temer diz-se um constitucionalista, deveria saber – que mandioca já foi medida de riqueza no Brasil. Aquela que deveria ser a primeira Constituição Brasileira, em 1.823, abortada pela intervenção de Pedro I, ganhou o apelido de “Constituição da Mandioca”, porque o direito de voto, que era censitário, só seria dado a quem  tivesse no mínimo de 150 alqueires de plantação de mandioca. que elegeriam um colégio eleitoral, provincial, delegados que precisavam ter no mínimo de 250 alqueires da raiz e que, por sua vez,  elegeriam deputados e senadores, dos quais eram exigidos,  500 e 1000 alqueires, respectivamente, para se candidatarem.

A mandioca era quase um símbolo nacional, como o chá que – fortemente taxado pelos ingleses – esteve nas origens da formação dos EUA, tanto que os ultra conservadores de lá se organizam do Tea Party. Em 1817, na “Revolução dos Padres”, em Pernambuco, eles deixaram de fazer hóstias de trigo para fazê-las com tapioca. Mandioca, portanto.

Ao presente.

Até 1991,  o Brasil era o maior produtor mundial de mandioca. Hoje é o quarto, atrás da Nigéria, Tailândia e Indonésia. E a passos largos para ficar mais para trás: a produção brasileira, que já foi de 27 milhões de toneladas, este ano deve ficar abaixo de 21 milhões. Com uma produtividade menor que a da república africana de Gana. Ainda assim é a quinta maior cultura agrícola do país, atrás apenas da  soja, de cana de açúcar, do milho e do arroz.

Aos preços registrados, em média, pelas pesquisas da Companhia Nacional de Abastecimento – fresquinhos, já do Governo Temer – uma bagatela de R$ 38 bilhões.

Mas os “coxinhas” e , agora, a turma da pirâmide peemedebista debocham, usando o pobre vegetal com um duplo sentido escandalosamente fálico.

Talvez seja o único que venham a conhecer com este tipo de apelação imbecil.

Deviam aprender com João Doria e sua “farinata” no que dá debochar da comida dos pobres.

Fernando Brito
No Tijolaço

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.