30 de nov de 2017

Planilha apreendida com Aécio revela cota de cargos do tucano no governo federal

A Polícia Federal apreendeu no gabinete de Aécio Neves (PSDB-MG) no Senado 14 folhas com planilhas que detalham indicações políticas a cargos nos mais diferentes órgãos da administração pública federal em Minas Gerais. Além disso, Aécio detinha um mapeamento de cargos da União disponíveis em Minas, com as respectivas remunerações e vagas em aberto. Um dos documentos traz a data de 10 de fevereiro de 2017, o que indica a influência do senador no governo do presidente Michel Temer.


Os papéis foram apreendidos pela PF em 18 de maio deste ano, dia em que foi deflagrada a Operação Patmos, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No mesmo dia, a PF fez buscas em imóveis ligados ao senador em Brasília, Rio e Minas e prendeu preventivamente a irmã dele, Andrea Neves. O senador e candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2014 foi citado nas delações premiadas dos executivos do grupo J&F como beneficiário de repasses de recursos pelo grupo. Em junho, a Procuradoria Geral da República denunciou Aécio por corrupção passiva e obstrução de Justiça, pelo suposto recebimento de propina de R$ 2 milhões da J&F.

A planilha intitulada “Indicações para Cargos Federais – Minas Gerais” detalha quem indicou (político e partido) e quem foi indicado para 16 cargos em 10 órgãos do governo federal em Minas. É esta planilha que traz a data “10/02/2017”. Os órgãos são Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Superintendência Federal de Agricultura, Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Caixa, Ceasa, Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), Ibama, Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Geap e Companhia de Armazém e Silos de Minas.

Para cada nome há observação sobre efetivação ou não da indicação e a existência de pendências. Em pelo menos um caso, um ex-secretário parlamentar de um deputado aliado de Aécio assumiu um dos cargos listados.

Os outros mapeamentos traziam cargos com possibilidade de serem preenchidos. A planilha principal trazia o título: “Recrutamento Amplo Político em Minas Gerais”. Outra, indicava “recrutamento restrito”, com indicações de cargos técnicos.

Outros papéis traziam referência a um dos aliados de Aécio, o deputado federal Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG). Neste caso, a planilha traz a indicação de “Cargos em Órgãos Importantes Brasília/Rio”.
Relatório da PF informa que dois celulares apreendidos no apartamento de Aécio em Ipanema, no Rio, estão em nome do lavrador Laércio de Oliveira e do pedreiro Mitil Ilchaer Silva Durão. Em um dos aparelhos foram usados chips em nome de uma empregada doméstica e de um motorista de Andrea Neves, irmã do senador. A polícia suspeita que os quatro — o lavrador, o pedreiro, a empregada doméstica Valquíria Júlia da Silva e o motorista Agnaldo Soares — foram usados como laranjas para esconder a identidade do usuário dos celulares.
Segundo a PF, os celulares são descartáveis e, em geral, usados para quem não quer deixar pistas sobre interlocutores e conteúdo de conversas.



A mala de cargos de Aécio vai “desembarcar”, também?


Deixando de lado os celulares em nome de laranjas que foram apreendidos, que é caso policial, as 14 folhas com planilhas contendo indicações políticas a cargos do governo federal em Minas Gerais encontradas na revista da Polícia Federal ao gabinete de Aécio Neves mostram, para quem quiser ver, que o senador mineiro age, dentro do parlamento, como um operador de Michel Temer.

E como é falsa e cínica a história do “desembarque” tucano do governo.

Estão lá, vão continuar lá e agir sob o controle remoto do grupo presidencial, enquanto os tolos acham que o partido é “independente”.

Jogada que produz efeitos no campo da articulação política, do jogo do “apóia-sabota” da política cínica, mas que é fatal para os tucanos na opinião pública, à medida em que se aproxima o processo eleitoral.

Como explicar ser “neutro” diante de um governo que, qualquer que seja o levantamento que se considere, tem mais de 90% de rejeição popular?

Até Merval Pereira, que divide com Fernando Henrique Cardoso o papel de Olavo de Carvalho como filósofo do tucanato, diz que “o PSDB decididamente perdeu o rumo“, porque depois de chafurdar por meses na lama golpista, na “hora H” de saquear os direitos dos trabalhadores com a reforma previdenciária vacila em subscrever totalmente o projeto que, talvez, vá à votação.

O PSDB resolve, depois de ano e meio de traseiro golpista de fora, não pode vestir, de repente, as calças de veludo e os punhos de renda que pretende com seu “estou fora, mas estou dentro”.

Vai ter de carregar o bodum governista e não há banho de mídia que o possa tirar.

Fernando Brito

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