2 de nov de 2017

Página do Facebook aceitava encomenda de assassinatos

Com quatro mil seguidores, página com o nome “Caçadores de Queimados”, na Baixada Fluminense, recebia pedido de mortes e postava fotos das vítimas depois das execuções.


Uma quadrilha de milicianos do município de Queimados está sendo investigada pela Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). O grupo é acusado de receber encomendas de assassinatos. Oe envolvidos usavam um perfil no Facebook, o “Caçadores de Queimados”, por onde recebiam, além de mensagens de apoio, pedidos de execução. Depois de terminarem o serviço, eles ainda publicavam as fotos das vítimas. A notícia foi divulgada pelo “RJTV”, da Rede Globo.

A delegacia conseguiu apurar diversos homicídios cometidos pela quadrilha, a mando de moradores. O delegado responsável pelo caso, Luís Otávio Franco, disse ao “RJTV” que os “clientes” do grupo costumavam ter suas demandas atendidas: “(Os moradores) tiravam fotografias (das vítimas), passavam informações, o horário em que elas pudessem estar em determinado local e pediam que alguma medida fosse tomada, sabendo que essa medida seria a morte. (Após o contato), os elementos desse grupo matavam, tiravam fotografia dos indivíduos mortos e publicavam no grupo, como resposta aos moradores”, explicou o delegado.

Um dos moradores publicou na rede social elogios ao trabalho do grupo de extermínio e, em seguida, enviou a foto do próprio genro: “Muito bom! Estou torcendo para vocês passarem o rodo e me enviar (…) Ele está envolvido com o tráfico de drogas, já tentou matar a minha filha. Peço a sua ajuda. Ele tem que morrer”, pedia.

Os justiceiros de Queimados se declaravam “caçadores de gansos”, uma referência ao jargão policial, que classifica criminosos como “gansos”. Dispostos a executar traficantes e assaltantes, o esquadrão da morte ganhou seguidores. Antes de sair do ar – na última terça-feira, depois da morte do policial militar Rafael Von Held, em Queimados – a página já tinha cerca de quatro mil participantes.

O perfil era administrado por um homem que se identificava como Anderson Souza. Mas, de acordo com a Polícia Civil, o nome era falso. O bandido alimentava a rede social com imagens de personagens de filmes de terror e textos que sugeriam ameaças. Numa delas, a foto do palhaço Pennywise, do filme “It: A Coisa”, é seguida da mensagem: “Quem perdoa é Deus, porque comigo vacilão roda”.

A DHBF já conseguiu prender um integrante da quadrilha. Ainda segundo o delegado, os moradores que encomendaram as mortes também serão responsabilizados pelos crimes: “Já identificamos algumas pessoas que, efetivamente, induziram, instigaram e aplaudiram após o crime ter sido cometido”, disse o delegado.

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