7 de nov de 2017

Os degenerados que queimaram a “bruxa” Judith Butler nos atiraram de vez na Idade Média




Se alguém tinha alguma dúvida de que regredimos à Idade Média, basta ver a boneca de Judith Butler sendo queimada na frente do Sesc Pompeia.

Dezenas de cidadãos de bem resolveram nos transportar para o século 13 e reencenar os espetáculos macabros em que mulheres eram atiradas à fogueira como bruxas.

É resultado de uma campanha incessante de ignorância e manipulação capitaneada por gente como Marco Feliciano, a Escola Sem Partido, o MBL, Alexandre Frota.

Os mesmos batedores de panela que gritavam contra a corrupção e instalaram uma canalhocracia no poder agora se preocupam com a palestra de uma filósofa perto de cujos livros jamais chegaram.

Butler, segundo essa matilha, é a profeta da ideologia de gênero, coisa que não entendem mas, segundo o pastor lhes garantiu, vai destruir a família numa sacanagem sem limites.

Em entrevista à Carta Capital, Judith falou que o ataque a ela e ao que ela prega “emerge do medo a respeito de mudanças”.

É isso. O boçal na multidão não vai mudar o fato de que o filho querido do papai talvez seja gay, a filha possa gostar de meninas, ambos eventualmente gostem de garotos e garotas comunistas — mas essa veadagem se combate com cura gay, porrada, Jesus, tiro na cara.

No meio deles há corruptos, pedófilos, homossexuais no armário e fora dele — e, sobretudo, burros. 

O que os incomoda, perturba, causa repulsa e os faz babar de cólera são reflexos de sua sombra.

Já temos ataques a centros de umbanda e candomblé, alguns deles realizados por traficantes evangélicos. Temos gays sendo mortos. Temos condenações sem provas. Temos censura à arte.

O que faltava para chegarmos ao medievalismo moleque, brejeiro, moreno, cheio de molejo? Nada. Bolsonaro é o sujeito que veio para legitimar esse brasileiro retrógrado, doente, cheio de ódio, e que veio para ficar.

O Brasil fornece aulas dolorosas diárias de algo que não achávamos necessário saber ou ser lembrados: quanto mais a história muda, mais ela continua a mesma. A Inquisição está ali na esquina e o próximo a ser queimado é você.

Kiko Nogueira
No DCM



Em 2017, a direita brasileira tenta censurar a palestra de uma FILÓSOFA e, retornando à Inquisição, grita “queimem a bruxa!”. Assumem, com isso, que adotam a lógica do passado e a este pertencem.

Também gritavam palavras de ordem pró-Bolsonaro, obviamente.

O que essas criaturas não entendem é que não podem parar a evolução do mundo. Atrasar, sim; não interromper. Por esta razão, serão vistas como aberrações pela História; serão os equivalentes, em 2017, dos segregacionistas e daqueles que combateram o sufrágio feminino.

Essa direita bolsodemente, MBLoide, pode ter um destaque hoje graças ao ódio propagado pela mídia - que, por sinal, já percebeu ter perdido o controle sobre o monstro que criou -, mas está condenada ao fracasso. Afinal, como cantava Cazuza ainda na década de 80, o tempo não para - e essas aberrações que querem manter o mundo na era da intolerância sabem disso.

No fundo, compreendem que o mundo que querem será rejeitado pela simples evolução de ideias, o que os estabelece como fósseis ambulantes.

E é por isso que são tão raivosos.

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