2 de nov de 2017

Ministro acusa sem base e nada fez contra causa primordial da violência

A denúncia do ministro da Justiça – "Há toda uma linha de comando que precisa ser investigada"– tanto se aplica ao governo de que ele faz parte e, sobretudo, ao presidente que o comanda, como é por ele associada à Polícia Militar do Estado do Rio. Da primeira destinação, todos e ele sabemos mais do que o suficiente. A segunda destinação deve ser dividida, como atitude de um ministro da Justiça e pelo seu teor.

A cidade do Rio, como se diria há algum tempo, está jogada às feras. É ataque de todos os lados. Justificados, em imensidão deles, oportunistas como política e como negócio, sensacionalistas como apelação de má imprensa/TV/rádio. Entregue às feras, sim, mas não, em expressão menos distante, entregue às baratas. Este é o caso do governo nacional.

Só de um governo assim viriam, desacompanhadas de qualquer sustentação, denúncias escandalosas e inquietantes que apenas deveriam tornar-se públicas com a apresentação das conclusões investigatórias e, sendo o caso, dos culpados. Assim é a ação policial responsável e é o dever do seu superior, como o ministro Torquato Jardim é da Polícia Federal.

"Fiz uma crítica pessoal, mas, se estou errado, que me provem", pensou Torquato Jardim estar abrandando sua atitude. O princípio essencial de que a prova cabe ao acusador, não ao acusado, decai no Brasil com velocidade a jato. Mas o ministro da Justiça ainda tem, entre seus deveres, o de protegê-lo. Além disso, não fez "crítica pessoal", falou como ministro, de assunto afeto à sua pasta. Não lhe cabe senão assumir o que disse e dar-lhe consequência, com as medidas e comprovações que a denúncia necessita e todos esperamos, no Rio e fora.

"Os comandantes dos batalhões são sócios do crime organizado": Torquato Jardim não dá chance a nenhum. Sozinho, o Batalhão de São Gonçalo, município vizinho de Niterói, já excede em provas da infiltração de práticas criminosas na PM: quase cem dos seus integrantes presos em uma única operação, o envolvimento até do comandante no assassinato de uma promotora, a ficha é péssima.

A frequente constatação de PMs integrando milícias, assaltando, matando a serviço do tráfico de drogas, isso não espanta mais. Oficiais mal preparados, fuzilando passageiros inocentes de carros de desavisados, permitindo ou conduzindo complacência de patrulhas com a criminalidade, coisas assim são bastante sabidas.

Entre as menos conhecidas há, por exemplo, os pagamentos de PMs para entrar na escala de motociclistas que vão fiscalizar o trânsito, carros e motoristas. A taxa alta exige que a recuperem de quem fiscalizem. E, depois, de outros obtenham o que os faz quererem a escala nas motocicletas.

Não são características da PM fluminense, estão disseminadas pelo país, em variados graus. Mas nem comprometem as PMs por inteiro, nem condenam todos os comandos a priori. E, acima de tudo, contribuem para a dificuldade de combater a criminalidade, mas não estão entre as causas primordiais da violência que explode em alguns bairros do Rio e se espalha mais pelo país todo.

Entre as causas primordiais estão a fácil entrada, a fácil distribuição, o fácil comércio e a fácil posse de armas de combate e suas munições. É o que permite o crescimento dos bandos, quadrilhas, ou "facções" no dizer paulista.

Os ministérios da Justiça e da Defesa são os responsáveis pelo arsenal ilícito que é o Brasil. Os ministros Torquato Jardim e Raul Jungmann nada fizeram para sustar o aumento desse arsenal e, portanto, da criminalidade armada e de suas organizações. Assim favorecem o crime, dentro e fora das PMs.

Janio de Freitas
No fAlha

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