27 de nov de 2017

Marun, o jagunço de Cunha e Temer, dançou?

No show de horrores que castiga o país, com golpes e retrocessos inimagináveis no passado, algumas figuras grotescas se projetam no lodaçal político e ganham os holofotes da mídia. Um deles é o deputado Carlos Marun, do PMDB do Mato Grosso do Sul. Antes inexpressivo e medíocre, ele agora virou um astro em Brasília. Na votação da segunda denúncia contra Michel Temer por formação de quadrilha e obstrução da Justiça, ele até ensaiou uma dancinha em frente às câmeras de tevê. Devido aos serviços prestados, na semana passada o parlamentar foi cotado para assumir o cargo de ministro da Articulação Política – no lugar do desgastado tucano Antonio Imbassahy. O anúncio só não se confirmou porque gerou ainda maiores atritos no covil golpista. A máfia não se entende!

A ida do sinistro deputado para a Esplanada dos Ministérios pode acelerar a saída do PSDB do governo ilegítimo. Mesmo assim, ela é tida como certa. Segundo uma notinha postada na revista Época, “fiel até o fim ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e escudeiro leal do presidente Michel Temer, o deputado Carlos Marun deve chegar ao Palácio do Planalto como ministro tão logo passe a votação da reforma da Previdência. Temer disse a auxiliares que vai abrigar o aliado. A avaliação é que o deputado de Mato Grosso do Sul terá dificuldade para se reeleger em 2018 e estaria disposto até a abrir mão da disputa eleitoral. Acredita o presidente, que é só gratidão, Marun terá visibilidade e ganhará musculatura política para atravessar o pós-2018 sem mandato”.

O desgaste do gaúcho radicado no Mato Grosso do Sul é visível. Além de defender com ardor todas as regressões patrocinadas pela gangue no poder, como a “reforma trabalhista” que rasga a CLT e a “reforma previdenciária” que acaba com as aposentadorias, o “deputado da dancinha” é famoso por sua postura provocativa e gestos intempestivos. Sua biografia também é das mais sinistras. Carlos Marun ganhou projeção como chefe da tropa de choque do correntista suíço Eduardo Cunha. Era seu “moleque de recado”. Após a prisão do “amigão”, ele chegou a usar dinheiro da Câmara Federal para fazer uma “visita natalina” à cadeia em Curitiba. Na sequência, ele abandonou o presidiário e adotou o Judas Michel Temer, tornando-se o seu mais agressivo jagunço no parlamento.

Por enquanto, a biografia de Carlos Marun ainda não foi danificada por denúncias de corrupção. Mas, aos poucos, as suspeitas já aparecem. Na sexta-feira (24), a Folha publicou uma curiosa matéria sobre a situação financeira do parlamentar. Vale conferir:

* * *

Pobre no papel, deputado Marun diz que declara seus bens 'de boca'

Por Ranier Bragon

Quem acessa as declarações públicas de bens do possível novo ministro da articulação política de Michel Temer, Carlos Marun (PMDB-MS), se depara com um cenário desolador. O deputado federal declarou à Justiça, nas eleições de 2004, não ser dono de um centavo sequer. Dois anos depois, e tendo cumprido metade de um mandato de vereador em Campo Grande, declarou uma poupança de R$ 352,75. Seu verdadeiro salto, porém, ocorreu em 2010, quando concorreu e foi eleito ao segundo mandato como deputado estadual. Na ocasião, informou à Justiça ter R$ 228 mil, incluindo uma casa.

Mas o infortúnio econômico parecia não ter ido embora, pelo menos no papel: quatro anos depois, em 2014, a casa sumiu de sua prestação de contas, e Marun entregou à Justiça Eleitoral declaração de bens de R$ 94 mil. Naquele ano, seria eleito deputado federal para um mandato em que se destacaria como defensor aguerrido do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do presidente Michel Temer.

Nesta quarta (22) Marun quase virou ministro da articulação política de Temer. O vazamento da escolha irritou o PSDB, até agora dono da função, o que fez a mudança ser abortada por ora.

Poucas horas depois de ter sido "desconfirmado" no cargo, Marun recebeu a Folha em seu gabinete para falar sobre a sua curiosa evolução e involução patrimonial. Manuseando de forma desorganizada um dúzia de papeis que mandara imprimir, revelou que, na verdade, seu patrimônio real é muito maior do que aquele que a Justiça conhece.

"A partir de um certo momento, o meu patrimônio familiar passou a fazer parte do Imposto de Renda da minha mulher, porque ela começou a ficar com medo de eu vender casa, vender cachorro, vender filho por causa da política", disse o deputado, afirmando ter, na verdade, dois escritórios, carro, investimentos e uma casa de R$ 1,08 milhão, financiada.

Questionado se isso não representaria uma omissão aos eleitores, afirma não ver dessa forma, já que em toda eleição diz declarar, em entrevistas, o que tem.

Apesar disso, afirma que na declaração de Imposto de Renda de 2017 a casa foi passada para o seu nome.

"Fica ruim aparecer na minha prestação [de contas] que eu não tenho nem casa, né?"

A legislação eleitoral exige que os candidatos apresentem sua declaração de bens com o objetivo, entre outros, da transparência.

Falando de forma genérica, sem se referir ao caso específico, Daniel Falcão, advogado e professor da USP, afirmou que, para ele, a única possível consequência eleitoral de uma situação como essa é a eventual denúncia pelo crime do artigo 350 do Código Eleitoral, de falsidade ideológica eleitoral.

Doutor em Direito Eleitoral, Carlos Enrique Caputo Bastos diz, também falando em tese, não ver irregularidade, a princípio. "Compete ao Ministério Público Eleitoral, aos demais candidatos e partidos verificar se há eventual incompatibilidade com os valores declarados e a utilização de recursos próprios durante a campanha. Essa diferença poderá, em tese, configurar fraude eleitoral e abuso."

Altamiro Borges

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