26 de nov de 2017

Lula, gênio da raça

Foto: Ricardo Stuckert
O Brasil, pela sua Constituição, é uma República, apesar do topo da pirâmide se considerar como membros da realeza.

O sistema de governo brasileiro, segundo a mesma Constituição, é presidencialista, por duas vezes ratificado pela sociedade através de plebiscitos, para desespero de congressistas que gostariam de deter o poder do país indefinidamente.

No presidencialismo, para o bem ou para o mal, muito poder é colocado nas mãos do presidente da República.

Na maioria dos modelos de parlamentarismo, o presidente passa a ser uma figura meramente decorativa, sem poder.

Eleições para presidente com este parlamentarismo se trata de mais uma tentativa de ludibriar a sociedade, desta vez com “eleições para mudar o presidente, que nada irá mudar”.

Dentro de um quadro hostil para candidatos compromissados com a sociedade, Lula foi eleito pela primeira vez presidente do Brasil em 2002.

Conseguiu um feito inacreditável uma vez que a sociedade brasileira não ficou politizada do dia para a noite.

Principalmente a Globo, mas também os demais canais de TV, a Veja, a IstoÉ, o jornal Globo, o Estadão, a Folha, enfim, toda a mídia convencional brasileira continuava influenciando enormemente a nossa sociedade a favor dos interesses dos donos do capital, inclusive o internacional.

Ao abandonar o discurso raivoso de campanhas anteriores e usando a sua extraordinária capacidade de comunicação, Lula começou a atingir níveis de aprovação da sociedade preocupantes para o capital que, à época, carecia de alguma “solução brilhante”, como tinha sido Collor em 1989.

Mas o capital com sua poderosa mídia, insatisfeito, podia fazer alguma diabrura contra a sua candidatura.

Nesta altura, Lula fez um pacto com o diabo, imagino eu, se comprometendo a, se eleito, não mexer em alguns dos domínios do capital, como a mídia e os rendimentos dos “rentistas”.

Ainda na minha compreensão, recebeu em troca a garantia que poderia tomar medidas nas áreas da educação, saúde e outras de grande impacto social sem receber oposição radical.

Este pacto teria sido selado pela enigmática “Carta ao povo brasileiro”.

Certamente, esse pacto, se existiu, facilitou muito a sua eleição.

Intermináveis discussões ocorrem, neste ponto, quando os adeptos da “ética de princípios” e os da “ética de resultados” se colocam.

Os oito anos do governo Lula não compuseram o melhor governo que a população brasileira poderia receber, mas formaram um governo infinitamente melhor que todos os recentes que o país teve.

Estou retirando os governos Vargas e Goulart da comparação, pois eram diferentes mundos, então.

Não vou perder dígitos preciosos para listar os benefícios sociais que Lula trouxe para o povo brasileiro, pois não quero alongar este artigo.

Também, as pessoas, que ainda hoje não reconhecem os benefícios do governo Lula, são aquelas que têm interesses inconfessáveis e é perda de tempo argumentar logicamente com elas.

Por outro lado, infelizmente, todos nós iremos morrer de forma inexorável.

No entanto, dependendo de vários fatores, a estadia de cada um na Terra pode ter durações e graus de felicidade variados.

Lula e alguns outros presidentes do Brasil prolongaram a estadia de brasileiros na face da Terra com razoável grau de felicidade.

Estes presidentes aumentaram a longevidade e a qualidade de vida, basicamente, dos mais carentes.

Isto acontece porque programas de inclusão social fazem a população se alimentar melhor, ter um atendimento de saúde melhor etc.

Em compensação, outros presidentes, à medida que retiram conquistas sociais já ocorridas, que significaram no passado o prolongamento e a melhoria da vida, são “encurtadores” da vida de brasileiros e “destruidores” da sua qualidade.

Não tenho dúvida que Temer, dentre as várias desqualificações que possui, é um dos presidentes “encurtadores e destruidores” da vida dos brasileiros.

Ele comete estes crimes à medida que, por exemplo, dificulta o acesso da população à saúde, dificulta a obtenção da aposentadoria, diminui o salário médio dos trabalhadores e aumenta a taxa de desemprego, resultando em carência alimentar da população.

Outra área de atuação brilhante de Lula foi a da política externa, graças também aos conselhos de Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim.

Com grande discernimento, entendeu rapidamente que era preciso agir de forma soberana para poder beneficiar a sociedade brasileira.

Enfim, Lula é um gênio da raça porque, com toda a conspiração midiática e de grupos do capital, conseguiu ser um presidente “prolongador” da vida dos brasileiros e autor da melhoria da qualidade de vida deste povo.

Paulo Metri, Conselheiro do Clube de Engenharia e do CREA-RJ
No Viomundo

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