16 de nov de 2017

Globo negociou propina com cartolas "para muito além de 2022", diz testemunha

Rede Globo era meio-campo na negociata para viabilizar a continuidade dos milhões em propinas para os direitos de transmissão de emissoras, após a troca da Presidência da CONMEBOL

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No terceiro dia de audiências do julgamento "FIFAgate" no Tribunal Federal do Brooklyn, em Nova York, o jornalista que vem acompanhando o caso e transmitindo ao vivo pelo Twitter, Ken Bensinger, do BuzzFeedNews, narrou que o esquema de propina da Globo com os cartolas para a tramissão dos campeonatos da Libertadores e Sul-Americana estavam sendo negociados "para muito além de 2022".

Bensinger ironizou: "Em um comunicado na terça-feira, a Globo disse que não 'faz ou tolera pagamentos de propinas'. Mas hoje, Burzaco disse que a TV Globo pagou parte dos US$ 15 milhões de suborno para os direitos 2026 e 2030 da Copa do Mundo".

A informação foi dada na tarde desta quarta-feira (15) por Alejandro Burzaco, empresário argentino da Torneos y Competencias (ex TyC) e, após se entregar, uma das maiores testemunhas de acusação dos investigadores. 

Ele arrolou a Globo, até então mencionada apenas indiretamente, e também a Televisa, a Media Pro, a Fill Play, a Traffic e a Fox Sports. E, ainda, narrou encontros do então diretor da Globo Esporte, Marcelo Campos Pinto, com cartolas do esquema (Julio Humberto Grondona, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero) para negociar as propinas.

Nesta quarta, o repórter do BuzzFeedNews seguiu transmitindo trechos dos depoimentos dados no Tribunal Federal do Brooklyn pelo Twitter. Como grande parte das acusações se tratavam de figuras argentinas do futebol, muitas mensagens foram publicadas em espanhol pelo jornalista. 
O GGN noticiou que a TV Globo, Televisa e Torneos [y Competencias] concordaram em pagar US$ 15 milhões ao vice-presidente da FIFA na época, Grondona, pelos direitos de transmissão das Copas do Mundo 20126 a 2030 no Brasil e na América Latina. 

Mas em outro dos pontos altos das acusações dos depoentes, Ken Bensinger trouxe outro contra a rede Globo: o esquema de corrupção da FIFA e emissores de televisão da América não tinha data para acabar. 

Durante um jantar no Hotel Cipriani, no Rio de Janeiro, em 2014, o empresário argentino e o dirigente esportivo paraguaio, Juan Ángel Napout, ex-presidente da CONMEBOL, e outros empresários do futebol tratavam de "estender para a Globo e Torneos [y Competencias] os contratos da Libertadores e da Copa Sul-Americana muito além de 2022", narrou o jornalista, sobre o depoimento de Burzaco.

"E, claro, os subornos. Sempre os subornos", completou:
No terceiro dia de audiências, quando os polêmicos depoimentos do argentino ainda seguiam pela agenda do Tribunal de Nova York, o repórter trouxe detalhes sobre o acordo pela Globo, Televisa e Torneos de pagamento de US$ 15 milhões a Julio Humberto Grondona, que foi vice-presidente Executivo da FIFA.

O dirigente argentino que também ocupava a Presidência Financeira da FIFA recebeu as quantias pelo banco Julius Baer, na Suíça. "As três companhias se encontraram em Zurique, durante um encontro do comitê executivo da FIFA. Burzaco não informou os nomes dos dois funcionários da Televisa e da TV Globo presentes. Ele chamou as empresas de "parceiras". A propina para Grondona foi paga de uma só vez, disse Burzaco, e os US$ 15 milhões entraram por uma 'sub-conta' no banco Julius Baer da Suiça", publicou. 

No post, Bensinger conta que em junho, um ex-banqueiro do Julius Baer e do Credit Suisse, Jorge Arzuaga, se declarou culpado de ajudar Burzaco a esconder pagamentos a Grondona, usando subcontas nos bancos @

Os detalhes dessas negociatas foram contados pelo argentino Burzaco ontem no Tribunal: 

"Quando [Eugenio] Figueredo assumiu a Presidência da CONMEBOL [em 2013], os funcionários decidiram que os subornos da Libertadores e Sul-Americana não seriam mais retirados dos preços dos contratos dos torneios, mas que deveriam aparecer já com os valores somados, disse Burzaco. Para isso, a T&T vendeu seus direitos à sua subsidiária T&T holandesa abaixo do preço do mercado e, em seguida, recebeu o pagamento da TV Globo pelos direitos de transmissão dos torneios. Uma parcela desse dinheiro foi usada para pagar propinas aos funcionários da CONMEBOL, disse Burzaco".

Burzaco conta que, em outra ocasião, segundo o repórter, em setembro de 2014, o argentino se encontrou com Napout, Luis Bedoya, então vicepresidente de la CONMEBOL, e Hernan Lopez e Carlos Martinez, da Fox Sports, em um restaurante grego em Miami para discutir a extensão dos direitos da Libertadores e Sul-Americana e quanto custaria. 

"Mas uma das preocupações, disse Burzaco, foi a questão dos pagamentos da TV Globo pelos direitos de T&T holandesa, que era a tática para gerar a propina. Todos naquele almoço sabiam que parte do financiamento para os subornos veio desse acordo", seguiu contando o repórter.

Daquela negociata, milhões de propinas foram distribuídos aos envolvidos: 

Nos vocabulários para o esquema de propinas, chamavam o então vice-presidente Executivo e Presidente Financeiro da FIFA, Grondona, de "El Papa" e Ricardo Teixeira como "Brasileiro". Nas publicações, o jornalista do BuzzFeedNews afirmou que o depoimento de Burzaco seguiria hoje, no quarto dia de julgamento do FIFAgate.

Patricia Faermann
No GGN

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