21 de nov de 2017

Cientistas avistaram pela primeira vez asteroide de outro sistema solar

É a primeira vez que os astrônomos detectam um objeto de origem interestelar.
Interpretação artística do asteroide Oumuamua.

Um misterioso objeto rochoso de forma alargada detectado em outubro proviente de outro sistema solar, uma observação sem precedentes que foi confirmada segunda-feira pelos astrônomos.

Esta detecção abre uma nova janela sobre a formação de outros mundos estelares na nossa galáxia, a Vía Láctea, segundo estes cientistas, cujo trabalho publica a revista britânica Nature.

O asteroide, que seus descobridores batizaram de Oumuamua (mensageiro em hawaiano), tem 400 metros de largura e seu comprimento é de aproximadamente dez vezes sua largura.

Esta inusual forma não tem precedentes entre os cerca de 750.000 asteroides e cometas observados até agora em nosso sistema solar, onde se formaram, de acordo com estes investigadores.

Os cientistas concluíram com certeza a natureza extra estelar deste asteroide porque a análise dos dados recopilados mostra que sua órbita não pode ter sua origem dentro de nosso sistema solar.

Os astrônomos creem que um asteroide interestelar similar a Oumuamua passe pelo interior do sistema solar aproximadamente uma vez ao año.

Mas é algo difícil de rastrear e até agora não se havia detectado. E tem relativamente pouco tempo que os telescópios para monitorar estes objetos são suficientemente potentes como para poder descubrí-los.

Segundo os astrônomos, este estranho objeto tem viajado só através da Vía Láctea durante centenas de milhões de anos antes de passar por nosso sistema solar e continuar seu caminho.

“Durante décadas pensamos que tais objetos de outro mundo poderiam encontrar-se perto de nosso sistema solar, e agora, pela primeira vez, temos evidência direta de que existem”, diz Thomas Zurbuchen, responsável adjunto das missões científicas da NASA, que financiou esta última investigação.

“Esta descoberta abre uma nova janela para estudar a formação dos sistemas solares para além do nosso”, considerou.

“É um estranho visitante procedente de um sistema estelar muito distante que tem uma forma que nunca havíamos visto em nossos alrededores cósmicos”, acrescentou Paul Chodas, diretor do Centro para Estudo de Objetos Próximos da Terra do Jet Propulsion Laboratory da NASA, em Pasadena, California.

Oumuamua foi descoberto em 19 de outubro com o telescópio Pan-STARRS1 localizado no Hawai, que rastrea objetos próximos a nosso planeta.

Imediatamente depois de seu descobrimento, outros telescópios de todo o mundo, entre eles o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeo Austral (ESO) no norte do Chile, começaram a observar o asteroide para determinar suas características.

Uma equipe de astrônomos dirigida por Karen Meech do Instituto de Astronomia do Hawai constatou que a potência do brilho do objeto varia em até dez vezes a medida em que completa un giro sobre si mesmo a cada 7,3 horas.

Nenhum asteroide ou cometa em nosso sistema solar experimenta essa magnitude na variação de seu brilho ou essa proporção entre o comprimento e largura, enfatizam os especialistas.

Estas propiedades sugerem que Oumuamua é denso e está formado de rochas e possivelmente também de metal.

Mas não tem água nem gelo e sua superfície tenha se endurecido pelos efeitos das radiações cósmicas durante centenas de mihares de anos.

Telescópios terrestres de alta potência continuam monitorando o asteroide enquanto desaparece rapidamente a medida que se distancia da Terra.

Dois telescópios espaciais da NASA, o Hubble e o Spitzer, o seguem esta semana.

Na segunda-feira o objeto viajava a uma velocidade de 38,3 quilômetros por segundo e estava a uns 200 mihões de quilômetros da Terra.

Oumuamua passou próximo a pela órbita de Marte em 1 de novembro e passará próximo de Júpiter em maio de 2018. Depois continuará sua rota além de Saturno em janeiro de 2019 e sairá de nosso sistema solar para dirigir-se em direção a constelação de Pegaso.

As observações com os grandes telescópios terrestres continuarão até que o asteróide se torne praticamente indetectável depois de meados de dezembro.

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