14 de nov de 2017

Ativismos implodem a imagem do Brasil


Um dos quatro países do grupo BRIC, nação  emblemática do mundo moderno, maior pais tropical do planeta em território e população, maior pais católico do mundo, maior civilização multirracial e multiétinica, Estado árbitro das grandes, fundamentais, perigosas e estratégicas mudanças climáticas pela sua reserva de floresta úmida, pulmão do mundo. Um Pais de enorme importância no contexto do planeta, o Brasil está vendo sua imagem destroçada por ativismos moralistas provincianos que jogam roupa suja para o mundo inteiro ver e nos desprezar, brasileiros que mostram ao mundo que o Brasil é ruim e vicioso.

A corrupção é inerente à politica, jamais um jogo limpo, de Washington a Pequim, passando por Moscou e Ryad, POLITICA É POLITICA, desde tempos imemoriais um jogo pesado de interesses, a História registra e todos sabem como se faz politica em todos os tempos e lugares, nunca foi um cenário para santos e moralistas.

Um País tem como um de seus grandes capitais o valor de sua imagem, de seu prestígio enquanto Nação, de sua marca nacional, que é sempre fundamental preservar.

A exibição de mazelas na vitrina do mundo é um SUICÍDIO POLÍTICO que o Brasil pratica por ignorância, desconhecimento da realidade, provincianismo ridículo, autoflagelação.

O Brasil NÃO é o País mais corrupto do mundo, como pregam ativistas em busca de holofotes no Wilson Center de Washington. Qualquer dos países dos BRIC tem um jogo politico muito mais corrupto e pesado que o Brasil MAS eles não são loucos de se expor como bandidos para o mundo ver, o jogo do poder Moscou, envolvendo os oligarcas e a maquina politica herdada do autoritarismo que vem dos czares e passa por Stalin, é INFINITAMENTE mais pesado do que em Brasília mas nós fazemos questão, apoiados por uma mídia idiota e  irresponsável, em nos  exibir como vagabundos para o mundo  ver. Ninguém faz isso, somos únicos em despudor, em falta de noção, em ignorância cultural, em ausência de sofisticação nesse tipo de assunto.

Existe roubo maior na História do que o que foi alvo o imenso ativo do Estado soviético, petróleo, alumínio, indústria pesada, que sendo estatal desde sua criação passou para mãos privadas em um passe de mágica, construindo algumas das maiores fortunas da Europa?

São centenas de bilhões de dólares que eram do Estado e tornaram-se propriedade privada, alguns dos beneficiários foram os burocratas que administravam esses bens, uma privatização estilo assalto que o mundo parece ter esquecido e os russos não comentam para manter bem alto o prestígio da Rússia como potencia temida e respeitada, a corrupção que ninguém comenta.

O jogo politico em Washington, de onde nos querem dar lições de moral, absorvidas em êxtase por provincianos, é MUITO MAIS corrupto do que no Brasil, mas eles tem uma vantagem: NÃO SÃO HIPÓCRITAS. O dinheiro é fator fundamental nas eleições americanas, BILHÕES DE DÓLARES de corporações do armamento, do petróleo, dos remédios, dinheiro na veia do Congresso, É TUDO LEGAL. Usa-se o truque dos PAC-Political Actions Committees, para onde as corporações fazem doações SEM LIMITE para financiar causas, que coincidem com determinados candidatos. Pelos PAC corre dinheiro grosso, bilhões de dólares, DEDUTIVEIS DO IMPOSTO DE RENDA. Tudo aquilo que no Brasil levou à Lava Jato, lá existe legalizado.

Aqui queremos fingir que politica deve ser CIDADÃ, com doações de vizinhos, empresas não podem doar, por édito do Supremo, matéria que é explicitamente do Congresso em qualquer País democrático, quem estipula regras eleitorais é o Parlamento e não o Judiciário.

Criamos um “mundo de faz de conta” onde não pode haver dinheiro de empresas nas eleições e se houver é crime. Sendo crime, cai no campo de ação do JUDICIÁRIO e portanto aumenta o poder deste. Pela hipocrisia estamos aumentando ao infinito o poder das corporações judiciárias sobre a politica, conferindo a eles um poder acima dos demais poderes.

As eleições presidenciais e congressuais de 2018 serão DEFINIDAS PELO JUDICIÁRIO, um mandarinato não  eleito, mas que hoje detém maior poder soberano que  o Legislativo e o Executivo, pela covardia, pequenez e mediocridade destes, deixaram chegar a este ponto.

Basta abrir inquérito para acabar com candidaturas e se houver DENÚNCIA, liquida-se com candidatos. Nem o Diabo em pessoa poderia criar sistema mais maquiavélico.

Deu-se ao Ministério Publico e ao Judiciário o PODER de dizer quem pode governar o Brasil.

É trágico. A democracia brasileira e seu sistema de governo foram liquidados por esse processo alucinado, delegou-se a NÃO ELEITOS o poder de dizer quem pode ser eleito.

Isso não existe em Washington, em Pequim, em Moscou, em Nova Delhi, somos únicos no mundo e depois se orgulham de prêmios e elogios recebidos de ONGs de transparência.

A liquidação do Brasil pela cruzada moralista foi o maior desastre praticado nestas terras desde 1.500. Liquidamos nossas instituições, Congresso, empresas privadas e estatais por delações, inquéritos, denúncias, na terra arrasada vem os biscateiros de ocasião inventados pela Rede Globo, vem as empresas estatais chinesas comprando tudo, vem os aventureiros do mercado financeiro ganhando comissões para vender o Brasil.

A decomposição da imagem do Brasil produziu largos efeitos econômicos-financeiros, com a DEPRECIAÇÃO do valor dos ativos brasileiros, companhias, imóveis, recursos naturais.

O rebaixamento da marca Brasil significa que o Pais é um lugar mais arriscado, de enorme  insegurança jurídica, uma autoridade com quem se negocia pode estar na cadeia no mês seguinte, um empresário com quem o investidor parceiriza pode ser delatado na próxima semana. Ao mesmo tempo, por causa do “efeito demonstração” das denúncias, funcionários de carreira do Estado para não correr riscos não assinam mais contratos, licitações, pagamentos, faturas, a chamada “aversão ao risco”, se já tenho emprego garantido porque vou me arriscar? Com isso, 1.500 obras estão paralisadas no Brasil, nada anda, projetos ficam nas gavetas, para que arriscar? Não fazendo nada, estamos seguros.

O ativismo moralista é parte do grande movimento “politicamente correto” que nasceu a partir do fim da Primeira Guerra com os Quatorze Pontos do Presidente Wilson.

Woodrow Wilson desprezava a antiga tradição diplomática europeia que ele achava ter contribuído para a Grande Guerra. Propunha a “transparência” nas negociações diplomáticas que deveriam se dar em aberto e sem protocolos secretos, desprezava arranjos sofisticados como o do Congresso de Viena de 1814 que garantiu 100 anos de paz, acreditava em um tipo de diplomacia “cidadã”, de bom mocismo contra o cinismo das chancelarias.

Wilson descolava-se da realidade e propunha um mundo ideal que ele imaginava poder existir desde que os homens estivessem bem intencionados e fossem honestos, com ele se julgava.

O símbolo dessa crença seria a Liga das Nações que evitaria dai por diante as guerras.

Quando seu próprio Congresso não aprovou a entrada dos EUA na Liga, caíram as ilusões angelicais de Wilson, seu Pais não tinha a pureza que ele imaginava, a começar de seu próprio Congresso que não confiava nele para reorganizar o mundo, achavam um visionário.

Desse irrealismo fantasioso nasceu o primeiro grande movimento “politicamente correto” sufocado pela Segunda Guerra e que depois veio a rebrotar nos movimentos de contra-cultura nascidos na Califórnia contra a Guerra do Vietnam no fim dos anos 60, o “paz e amor” dos anos 60, gente que não entendia nada de geopolítica e acreditava em flores contra a guerra.

O “politicamente correto” tinha então como foco o pacifismo, a proteção das minorias raciais e de gênero, o anti-militarismo e já com as sementes da anti-politica, do anti-Washington.

Mas o grande crescimento do “politicamente correto” veio com as redes sociais e a militância liberal esquerdista de uma franja da sociedade americana centrada nas universidades californianas e da Nova Inglaterra, tudo misturado com filosofias contestatórias do mundo real e um certo existencialismo vago lastreado por mentes flutuantes tipo Herbert Marcuse.

O “politicamente correto” espalhou-se por outras áreas chegando fortemente ao jornalismo e à cultura, como contraponto a esta.  Em Washington o “politicamente correto” é centrado no Departamento de Justiça, que pretende purificar o mundo mesmo que não possa purificar os Estados Unidos e nos “think tanks” liberais como o Wilson Center do Smithsonian Institute.

O “politicamente correto” provoca seu contraponto, o radicalismo de direita, que levou à eleição de Trump e aos movimentos direitistas na Europa. No Brasil está produzindo o eleitorado de Jair Bolsonaro e o renascimento de uma direita confusa e destrutiva.

O saldo do “politicamente correto” é desastroso porque ao ignorar a realidade provoca estragos e inimigos que geram conflitos e distorções na politica, na cultura e na economia.

O Brasil está sendo uma das vitimas mais notórias ao permitir a criminalização da politica e abrindo caminho para aventureirismos da pior espécie, muito piores do que a  politica que visa combater, no modelo do “remédio pior que a doença”. Sem politica não há democracia  e na falta da politica vem a barbárie e não a bonança, aparecem os “milagreiros”.

O “politicamente correto” renasce a cada ciclo histórico, depois é eliminado por forças muito maiores e sua semente rebrota em outro ciclo, às vezes séculos depois.

As chamadas “forças purificadoras” tentam reformar o mundo, não conseguem, mas no processo causam enormes estragos, por isso são eliminadas por reações organizadas e desaparecem para renascer em outro ciclo. Na História essas forças foram AS CRUZADAS, SAVANAROLA, A INQUISIÇÃO, O “TERROR” DA REVOLUÇÃO FRANCESA, OS 14 PONTOS DO PRESIDENTE WILSON, A LEI SECA NOS EUA, O MACARTISMO, todos movimentos “purificadores” dos males da época, na linha “vamos liquidar para limpar”.

O Brasil está sendo vitima de um ciclo histórico de purificação que ja causou e irá causar enormes, gigantescos danos, mas parece algo dentro do determinismo histórico que completará seu ciclo de vida e morte, talvez com a eleição de um biscateiro de ocasião para a Presidência. O custo histórico deve ser enorme e o povo pagará a conta como pagou no passado com a eleição de um cruzadeiro moralista, Jânio Quadros, para “varrer” a corrupção. Jânio levou o Pais a uma crise sem precedentes ao renunciar, plantou a semente do ciclo militar de 64, ao final sua cruzada desorganizou a Democracia de 1946 que sem ele provavelmente estaria nos regendo até hoje sem a crise de continuidade que vem nos assolando há décadas. Infelizmente a História é mestra mas os alunos se recusam a aprender.

André Araújo
No GGN

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