15 de nov de 2017

A agonia da Abril, a decadência da 'Veja' e a hora da Globo

Nesta segunda-feira (13), o Grupo Abril – que edita várias revistas, entre elas a fascistoide “Veja” – divulgou um comunicado preocupante aos seus funcionários. Sem maiores explicações, informou que o executivo Walter Longo vai deixar a presidência da empresa após apenas dois anos no cargo. Ele será substituído por Arnaldo Figueiredo Tibyriçá, vice-presidente jurídico da corporação há 15 anos. A abrupta mudança atiçou o pânico nas redações do Grupo Abril, sinalizando que novas demissões podem ocorrer nas próximas semanas. No mercado editorial há consenso de que a empresa passa por uma fase de enormes dificuldades financeiras. Alguns especialistas garantem que ela está agonizando, beirando a falência.

Segundo uma notinha publicada na Folha, “a empresa está implementando neste momento um processo de reestruturação na tentativa de reverter os prejuízos causados pela crise econômica e pelas transformações no mercado de mídia. Enxugou o portfólio de produtos e reduziu praticamente pela metade o número de funcionários. O corte mais recente foi anunciado na segunda-feira da semana passada (6): o fechamento da revista de moda Estilo, versão brasileira da marca americana InStyle”. Diante do clima de medo, inclusive entre os jornalistas que ainda insistem em chamar o patrão de companheiro, o presidente do conselho de administração do Grupo Abril, Giancarlo Civita, divulgou uma nota lacônica, tentando aparentar tranquilidade.

Entre outras baboseiras, o neto do fundador da Abril, Victor Civita, e filho de Roberto Civita, criador da revista Veja, agradece a colaboração do agora defenestrado Walter Longo, afirmando que os seus serviços “foram fundamentais para mostrar ao mercado que a Abril é uma empresa dinâmica e multidisciplinar e que a sua força e importância estratégica seguem contando com o total apoio dos principais agentes do segmento de comunicação e mídia”. Pura bravata do famoso embusteiro. Como afirma o blogueiro Luiz Nassif, que conhece bem os bastidores desta decadente empresa, “a troca de presidente da Editora Abril é mais um capítulo da sua agonia”.

“A mudança faz parte de uma nova tentativa de reequacionar as dívidas do grupo. No ano passado houve uma outra reestruturação, acertada com os credores fora do âmbito recuperação judicial. A empresa trocou o prédio da Marginal por um edifício menor, no Morumbi, fechou diversas revistas e lançou uma modalidade de assinatura, dando direito a todas as publicações. O ajuste foi insuficiente. Este ano precisou recorrer aos bancos para bancar a folha. E não teve recursos para bancar os direitos de um grupo de funcionários demitidos. Agora, entra em uma segunda rodada de negociações com os bancos. Mas, aparentemente, não conseguiram identificar um modelo de negócios sustentável. Veja continua alardeando uma tiragem de 1,2 milhão. No mercado, não se acredita que a venda efetiva seja superior a 500 mil”.

Altamiro Borges



A hora da Globo


Não vejo Jornal Nacional, por recomendação médica, mas fui ver o VT da edição recente, sobre o escândalo da Fifa.

É pânico em estado puro.

Sem nenhum outro argumento, o JN anunciou, em quatro oportunidades, num jogral constrangido de seus apresentadores, que uma "investigação interna" nada encontrou que corroborasse a denúncia de pagamento de propina feita, nos Estados Unidos, pelo empresário argentino Alejandro Burzaco.

"Investigação interna" é, obviamente, uma fantasia ridícula pensada às pressas para ser colocada no Jornal Nacional, uma vez que a outra alternativa - não falar sobre o assunto - deixou de ser viável, por causa das redes sociais.

Qualquer mentecapto, mesmo entre os que veem o JN todo dia, percebeu que nunca houve investigação interna nenhuma, mas a construção de uma desculpa esfarrapada para segurar as pontas enquanto a turma decide como sair dessa enrascada com a cabeça em cima do pescoço.

Explica-se: o crime de perjúrio, nos Estados Unidos, é gravíssimo, e o processo de delação, ao contrário do que ocorrer na República de Curitiba, existe para gerar consequências práticas dentro do processo legal. Em suma, o Judiciário americano não usa a delação para fustigar inimigos, mas para produzir provas.

Burzaco não iria acusar a Globo e outra meia dúzia de ultrapoderosos grupos internacionais de mídia se não tivesse como provar o que está dizendo.

E como a Globo não tem como amansar juízes dos EUA com diáfanas premiações do tipo faz-a-diferença, é certo que, pela primeira vez na vida, os Marinho correm um risco real de se dar mal.

A conferir.

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