14 de out de 2017

Um golpe sem futuro


Em abril de 2016, artigo de Felipe Camarão – “O fim do mundo unipolar“, publicado em Senhor X, alertava que “avizinha-se o fim dos escombros dos acordos de Bretton Woods que regulavam as relações econômicas e financeiras entre as principais potencias”. O artigo apontava algumas das principais causas, como a quebra da paridade entre o dólar e o ouro que converteu o dólar em moeda mundial, e a fúria neoliberal de Reagan e Thatcher, que liberaram a brutal especulação do capital financeiro. E, como consequência, uma imensa desindustrialização dos países centrais agravada, em 2008, com a quebradeira de instituições financeiras, particularmente nos EUA e Europa.

Nesta semana, o portal Sputnik noticiou que o Sistema de Comércio Cambial da China (CFETS, na sigla em inglês), gerenciado pelo Banco Popular da China, anunciou ter criado um sistema de pagamento que permite realizar transações tanto em yuan como em rublo. Segundo a informação do portal, “trata-se do sistema “payment versus payment” ou PVP (pagamento versus pagamento), lançado em 9 de outubro depois da autorização do Banco Popular da China. Com a plataforma, os dois países evitarão pagamentos recíprocos em dólar, reduzindo riscos relacionados ao câmbio de moeda e melhorando a eficiência do mercado de divisas.

A medida adotada pela República Popular da China é um golpe mortal no papel do dólar como moeda mundial e tudo o que isso representa para as economias mundiais. As eleições norte-americanas sinalizaram a derrota das forças da globalização, e do sistema financeiro em especial, com o aprofundamento da crise imperialista. “A vitória de Trump, ou qualquer que fosse o resultado, não significa solução à vista, mas o aprofundamento dessa divisão nacional e mundial”, escrevemos logo após as eleições – situação expressa na atual agressividade dos Estados Unidos, como vemos nos ataques à Coréia do Norte, Venezuela e Irã.

Este fato, somado a outros recentes, torna ainda mais evidente o alto grau de traição nacional presente no cavalo-de-pau que os golpistas deram na economia, na política externa e na postura geopolítica do Brasil. Cada vez mais claramente a serviço do interesses dos Estados Unidos, do sistema financeiro e das empresas estrangeiras, o golpe de Estado afastou o Brasil do BRICS, da aliança do Mercosul e dos principais fóruns internacionais. De um país em crescente afirmação de sua independência e soberania, o Brasil está a caminho de tornar-se uma colônia norte-americana, fornecedora de matérias-primas e mão-de-obra escrava.

O golpe de Estado, no entanto, tem os dias contados quando os povos e as Nações dão sinais claros de não mais aceitar as imposições da globalização que submetem economias locais, destroem instituições e fragilizam identidades nacionais. Assim como em outras regiões, as vozes da soberania nacional se levantam e, passo a passo, mobilizam o povo, os trabalhadores, democratas e patriotas para impedir o retorno à barbárie. Nação vocacionada para tornar-se uma grande potência, com uma história de resistência nacional desde a primeira Guerra Brasílica, o Brasil não se renderá a viver na contramão do mundo.

Fernando Rosa
No Senhor X

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.