6 de out de 2017

Temer degrada a Presidência e monta balcão de negócios

“A historia se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. A frase antológica de Karl Marx serve de moldura para a atual “Blitzkrieg” de Temer sobre os deputados federais, com o objetivo de barrar mais uma denúncia da Procuradoria-Geral da República, desta vez por organização criminosa e obstrução da justiça.

Ambas as alternativas apontadas por Marx para a repetição de fatos históricos servem à perfeição para a movimentação desesperada do presidente golpista visando salvar seu pescoço. É uma tragédia para os cofres públicos já em frangalhos devido à recessão sem precedentes e ao rombo fiscal recorde produzidos pela política econômica da dupla Temer-Meireles. Sem falar nos 14 bilhões gastos para livrá-lo da primeira acusação.

E a segunda versão da operação vale-tudo protagonizada pelo usurpador, para evitar seu afastamento do cargo e o fim do escudo protetor do foro privilegiado, também é uma farsa, na medida em que ao fim e ao cabo visa manter no poder os responsáveis pela farsa do impeachment contra a presidenta Dilma, sem crime de responsabilidade.

Aparício Torelly, o Barão de Itararé, dizia que de “onde menos se espera é que não vem nada mesmo”. Por isso, não só no mundo político, mas nos lares, escolas, igrejas, sindicatos, esquinas e botecos espalhados pelo Brasil ninguém apostava um tostão furado de que Temer fosse capaz de provocar uma autometamorfose súbita e adotar um comportamento republicano diante da segunda denúncia, que no momento tramita na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

Contudo, não deixa de ser chocante a repetição do modus operandi do golpista para conquistar os votos necessários entre os parlamentares. Sem quaisquer resquícios de escrúpulos e pudor, ele não se peja de degradar a instituição Presidência da República, transformado-a em um balcão de negócios nebulosos e escusos.

Crime de responsabilidade é perdoar dívidas com a União de financiadores de deputados no sistema financeiro; crime de responsabilidade é ampliar o Refis da forma mais irresponsável, beneficiando grandes empresários a quem suas excelências devem favores; crime de responsabilidade é atentar contra o erário através da isenção tributária de igrejas e seduzir a bancada da bíblia.

E todas as tratativas não republicanas ocorrem à luz do dia, seja na forma das dezenas de deputados que Temer recebe no Palácio, seja através da ação parlamentar de sua bancada no Congresso Nacional.

Quando a democracia for reconquistada, além da convocação de um referendo revocatório com o propósito de anular todas as medidas antipopulares e antinacionais da era Temer, os democratas não podem abrir da responsabilização política, civil e criminal de todos os os envolvidos nessa “Sodoma e Gomorra” com o dinheiro do povo brasileiro.

Wadih Damous - deputado federal e ex-presidente da OAB
No CAf

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