27 de out de 2017

Recepção de Lula em MG é surpreendente após ataques da imprensa, diz Fernando Morais

Jornalista acompanha caravana de ex-presidente por municípios mineiros

Foto: Ricardo Stuckert
Na estrada entre Itinga e Araçuaí, municípios do norte do estado de Minas Gerais, o escritor e jornalista Fernando Morais conta que ficou surpreso com a recepção de ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado. "Olha, eu vou a dizer a vocês, com a absoluta sinceridade, que há muito tempo que não vejo um negócio tão emocionante", disse ele, rodeado de jornalistas em um ônibus. 

Escritor deve lançar biografia de petista no próximo ano
Mídia Ninja
Acompanhando a segunda etapa da caravana do ex-presidente pelo país, o escritor mineiro concedeu uma entrevista coletiva aos veículos alternativos que cobrem o evento.  "Eu estou muito, muito impressionado. Um político arrebatado por multidões não é a primeira vez que acontece na vida. O que surpreende é ele estar sendo recebido pelas pessoas depois da tempestade, do massacre e de porrada que ele vem tomando."

Morais é autor das biografias de Olga Benário e de Assis Chateaubriand, além de escritos sobre a América Latina, como A Ilha. Desde 2011, o escritor acompanha o ex-presidente para a produção de um livro biográfico. A obra, que deve ser lançada no próximo ano, vai narrar a trajetória de Lula desde a militância sindical no anos 1980 até a data da confirmação ou não de sua candidatura às eleições de 2018, passando pelos bastidores de oito anos de governo do petista.

Ele conta que o melhor momento de entrevistar o ex-presidente são nas viagens longas nas quais ele costuma acompanhar Lula. 

Conservadorismo

No decorrer do caminho, além das massivas manifestações em apoio à caravana, Lula também foi alvo de protestos mais localizados, como em Teófilo Otoni (MG). Para o escritor, a ascensão do conservadorismo não é novidade no país.

"Eu não acho que o Brasil piorou neste sentido, com relação ao que era antes. Eu acho que o Brasil saiu do armário. O fascismo saiu do armário. Esses caras estão aí há muito tempo. Talvez antes tivessem o pudor de se assumirem como eleitores do [Jair] Bolsonaro, coisa que a gente vê hoje, gente com camiseta do Bolsonaro presidente".

Morais pontua que há tolerância na grande imprensa com figuras como a do deputado federal do PSC.  "Eles não estão vendo o óbvio, que é o seguinte: eles estão cuspindo para cima. Hoje eles estão pegando a gente, amanhã vai ser a Globo, os Marinho, os Civita. Eles deveriam denunciar essa trama fascista no Brasil."

Ainda assim, ele afirma que não é pessimista quanto ao futuro dos meios de comunicação. "Estou absolutamente convencido de que jornal acabou, a revista acabou e a televisão não está se sentido nada bem. O jornalismo vai para internet e telefone", projeta.

O jornalista mantém o blog Nocaute onde publicou recentemente entrevistas com Dilma Rousseff, o ciberativista australiano Julian Assange e o líder das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Timochenko.

América Latina

Já próximo a Araçuaí, última cidade das sete pelas quais a caravana naquela quarta-feira, o escritor também analisou a conjuntura política da Venezuela, país do qual ele se diz "velho frequentador". 

Ele afirma não estar surpreso com a estabilização política do governo de Nicolás Maduro e critica o conteúdo jornalístico produzido no Brasil sobre o país vizinho. 

Já a economia do país, pondera o escritor, está em "situação de enfermaria". Para ele, o principal problema da Venezuela é o mesmo que dificultou a consolidação do processo revolucionário em Cuba: a monocultura.

Morais afirma que a soberania alimentar é pauta urgente para a Venezuela: "Um país que importa todo o alimento que consome está em uma fragilidade permanente porque de uma hora para outra seus fornecedores podem fechar a torneira", pondera.

O escritor faz parte da Telesur,  o canal de televisão multiestatal sediado em Caracas, na Venezuela.  Ele avalia como um erro o Brasil não ter se incorporado ao projeto, quando a estatal venezuelana foi criada. 

"De qualquer maneira, eu não descarto a possibilidade de ganhar a eleição no ano que vem, se houver eleições ano que vem, que o Brasil possa aderir a Telesur, não sei com quantos anos de atraso, mas foi um erro certamente", pontua.

Rute Pina
No Brasil de Fato

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