14 de out de 2017

O colar de botijões de Ana Maria Braga

Na cruzada para derrubar Dilma Rousseff, a Rede Globo acionou todas suas estrelas midiáticas – de Willian Bonner, âncora do Jornal Nacional, ao “indignado” Fausto Silva, com seu salário de R$ 5 milhões. Um dos papeis mais ridículos, porém, coube a apresentadora Ana Maria Braga, que no passado recebeu o apelido de “Anameba Brega” do cáustico Zé Simão. Para fustigar a presidenta eleita democraticamente pela maioria dos brasileiros, ela desfilou em seu programa com um colar de tomates – em uma crítica descontextualizada sobre a alta do preço do produto. Imagine se agora, após ajudar a alçar ao poder da quadrilha de Michel Temer, ela resolvesse desfilar com um colar de botijões de gás – produto que teve aumento de 48% no preço em apenas quatro meses?

Na terça-feira passada (10), a Petrobras – comandada pelo privatista Pedro Parente – anunciou o quarto aumento consecutivo no preço deste produto essencial. Com o reajuste de 12,9%, o botijão de gás acumulou uma alta de 47,6% desde que a estatal iniciou sua nova política de preços do combustível, em 7 de junho. O aumento passou a valer apenas para o produto vendido em botijões, mais usado em residências. O preço do gás consumido no comércio e indústria não foi alterado. Em nota oficial, a empresa afirmou que, se o repasse for integral, o preço para o consumidor poderá subir 5,1% – cerca de R$ 3,09 por botijão. Vale recordar que entre 2003 e 2015, durante os governos Lula e Dilma, o preço do gás vendido em botijões ficou congelado.

É evidente que Ana Maria Braga, uma serviçal da famiglia Marinho, não vai desfilar com o colar de botijões de gás. E isto não é devido ao peso de 13 kg do produto. A ausência do colar se deve à linha editorial da Rede Globo, que tem feito de tudo para convencer o seu telespectador de que a economia está em plena recuperação e que o Brasil está prestes a virar um paraíso. Para impor seu projeto ultraliberal de desmonte do trabalho, da nação e do Estado, o império global evita criticar o desastre imposto pelo covil de Michel Temer. Mas nem o midiota mais tacanho acredita neste falso otimismo. No seu cotidiano, ele observa o comércio mais vazio, o aumento de estabelecimentos com placas de “vende-se” e a explosão do desemprego.

Na quarta-feira passada (11), o IBGE divulgou que o volume de vendas no varejo caiu 0,5% em agosto em relação a julho. Nos meses anteriores houve relativa estabilização no comércio, em decorrência principalmente da injeção de recursos do FGTS, o que fez a mídia chapa-branca disparar rojões de alegria. Agora, porém, ele evitou fazer escarcéu com a retração nas vendas – que acumulam um resultado negativo de 1,6% nos últimos 12 meses. A queda nas vendas em agosto acompanhou a retração da indústria no mesmo mês – baque de 0,8%. Ana Maria Braga, a do colar de tomates, não foi acionada pela famiglia Marinho para ironizar estas péssimas notícias no front econômico.

Altamiro Borges

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