21 de out de 2017

O caso Raquel Dodge e Geddel Vieira Lima


Não é correta a versão de que, ao considerar Geddel Vieira Lima chefe de quadrilha, a Procuradora Geral da República Raquel Dodge teria tido a intenção de vetar sua delação premiada e, consequentemente, proteger seu chefe Michel Temer.

Chefe de quadrilha pode fazer acordo: só não pode ter imunidade. E, a rigor, ela não afirmou que ele era chefe de quadrilha, mas que agia como chefe de quadrilha. Objetivamente, usando o jargão do Ministério Público, ela “encareceu” o acordo, isto é, obrigará Geddel a entregar delação valiosa para concretizar o acordo.

Duas lições do caso:

1. A PGR Raquel Dodge não sabe usar a mídia, nem para propósitos corretos: esclarecer mal-entendidos. Na outra ponta tem um adversário mestre na arte das intrigas, e que montou uma boa rede de jornalistas nos seus tempos de PGR. O jornalista que espalhou o fato é sério. Uma mera explicação da assessoria de comunicação conseguiria o desmentido, matando o boato na fonte.

2. Em casos que exijam conhecimento das técnicas de investigação e dos procedimentos jurídicos, Raquel Dodge merece no mínimo o benefício da dúvida. Mas saber se valer da boa comunicação ajudaria bastante a desarmar boatos ou versões imprecisas de seus atos.

Luís Nassif
No GGN

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