2 de out de 2017

Morre reitor afastado da UFSC: hipótese é suicídio


Reitor da UFSC é encontrado morto no Beira-mar Shopping. A morte seria produto de suicídio, confirmado pelo Instituto Médico Legal e a Polícia Militar.

Luis Cancelier se jogou no vão central do mercado, segundo funcionários do estabelecimento, por volta das 10:30 desta manhã.

Luis Cancellier de Olivo, natural da cidade de Tubarão, tinha sido empossado em 2016 e estava afastado do cargo por causa da Operação Ouvidos Moucos da Polícia Federal, e por determinação da Justiça.

As autoridades universitárias ainda não fizeram declarações.

Nota do Beira-mar Shopping sobre o suicídio: “É com pesar que o Beiramar Shopping confirma a ocorrência de um suicídio na manhã desta segunda-feira. Segundo boletim divulgado pela Polícia Militar, confirma-se a identidade da vítima, sendo o reitor da UFSC, Luís Carlos Cancellier”.

Nota escrita por Luis Cancellier na quinta-feira passada.

Leia:

“POR LUIZ CARLOS CANCELLIER DE OLIVO

28/09/17 – 00h00 | Atualizado: 28/09/17 – 03h46

A humilhação e o vexame a que fomos submetidos — eu e outros colegas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) — há uma semana não tem precedentes na história da instituição. No mesmo período em que fomos presos, levados ao complexo penitenciário, despidos de nossas vestes e encarcerados, paradoxalmente a universidade que comando desde maio de 2016 foi reconhecida como a sexta melhor instituição federal de ensino superior brasileira; avaliada com vários cursos de excelência em pós-graduação pela Capes e homenageada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Nos últimos dias tivemos nossas vidas devassadas e nossa honra associada a uma “quadrilha”, acusada de desviar R$ 80 milhões. E impedidos, mesmo após libertados, de entrar na universidade.

Quando assumimos, em maio de 2016, para mandato de quatro anos, uma de nossas mensagens mais marcantes sempre foi a da harmonia, do diálogo, do reconhecimento das diferenças. Dizíamos a quem quisesse ouvir que, “na UFSC, tem diversidade!”. A primeira reação, portanto, ao ser conduzido de minha casa para a Polícia Federal, acusado de obstrução de uma investigação, foi de surpresa.

Ao longo de minha trajetória como estudante de Direito (graduação, mestrado e doutorado), depois docente, chefe do departamento, diretor do Centro de Ciências Jurídicas e, afortunadamente, reitor, sempre exerci minhas atividades tendo como princípio a mediação e a resolução de conflitos com respeito ao outro, levando a empatia ao limite extremo da compreensão e da tolerância. Portanto, ser conduzido nas condições em que ocorreu a prisão deixou-me ainda perplexo e amedrontado.”

Ele estava impedido judicialmente de entrar no campus, mas ele entrou com um pedido para fazer orientação de alunos e foi autorizado a entrar na quinta-feira, por duas horas, para a orientação no CCJ.

No Desacato

Um comentário:

  1. É lamentável a estupida morte do Reitor da UFSC, em razão da humilhação, vergonha e crueldade do Poder Judiciário ( Justiça Federal), que o tratou como um bandido de alta periculosidade. A intenção do "sistema" "autoridades", foi no sentido de causar dor, mágoas e desânimo, para que o mesmo continuasse lutando para provar sua inocência. Aliás, nem sequer, o reitor teve chances de provar sua inocência. A arbitrariedade cometida contra ele, teve início com sua prisão de forma espetacular, o qual foi jogado no presídio, com roupa de presidiário, tendo as mãos e os pés algemados. Que vergonha para a Justiça, ele não teve sequer, a oportunidade de oferecer sua defesa, conforme os ditames da lei. A sua morte, não pode ser considerada uma covardia, mas sim, uma resposta política, para que se dê um basta nas "autoridades", que indiretamente ceifaram sua vida, da forma mais triste e cruel. A UFSC, jamais esquecerá a pessoa e profissional Luiz Carlos.

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