17 de out de 2017

Lugar mais seguro para se esconder no caso de ataque norte-coreano fica na América Latina

A emissora australiana ABC News criou um mapa interativo para calcular que partes do mundo correm risco no caso de um ataque por parte da Coreia do Norte.


No âmbito das ameaças recentes da Coreia do Norte de que a Austrália enfrentará uma "catástrofe" se continuar apoiando as políticas dos Estados Unidos, a emissora ABC News revisou no seu site o alcance dos mísseis norte-coreanos e fez um infográfico interativo.

Qual seria o lugar mais seguro do mundo se a Coreia do Norte lançasse um ataque potente? De acordo com as estimativas da ABC News, "o único continente que seria em grande parte seguro seria a América do Sul".

Em um hipotético ataque realizado através de veículos de lançamento espacial, os mísseis norte-coreanos poderiam cobrir uma distância de 15 mil quilômetros em sua configuração de três etapas, informou o canal. Nessas circunstâncias, o ponto mais distante de Pyongyang seria Mar del Plata, na Argentina.

Entretanto, a ABC News sublinhou que é improvável que o alcance dos mísseis em questão seja tão grande se transportarem uma ogiva, que é uma carga bastante pesada, e que "eles só foram testados com satélites relativamente leves".

Além disso, a preparação para o lançamento de mísseis tão potentes levaria muitos dias, o que "dá tempo aos adversários para se prepararem e possivelmente interceptarem os mísseis, por isso é altamente improvável que eles sejam usados como mísseis ofensivos".

Os especialistas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês) estimam que o único míssil de Pyongyang capaz de atingir um alcance máximo de 15 mil quilômetros é o míssil balístico de três etapas Taepodong-2.

Especialista sobre contra-ataque de Pyongyang: será doloroso, mas virá após o dos EUA

De acordo com Dmitry Mosyakov, diretor do Instituto de Estudos Orientais da Academia de Ciências da Rússia, a Coreia do Norte sem dúvidas é capaz de responder a uma provável intervenção em seu território por parte dos EUA. Contudo, Pyongyang não vai ser o primeiro a iniciar a guerra.

Mais cedo, o representante permanente adjunto da Coreia do Norte (RPDC) para as Nações Unidas, Kim Em Ryong, avisou que "a situação na península coreana atingiu ponto crítico; uma guerra nuclear pode começar a qualquer momento".

Kim Em Ryong acrescentou que caso os EUA se atrevam a invadir o território da Coreia do Norte, não poderão escapar de punição severa.

Quando perguntado se a Coreia do Norte é capaz ou não de provar suas palavras com ações em caso da invasão dos EUA, Mosyakov respondeu: "É claro."

"Acredito que dificilmente Coreia do Norte venha a ser o primeiro país a atacar. É óbvio. Mas uma coisa é evidente: a Coreia do Norte tem todas as capacidades para 'responder' de maneira muito forte e muito dolorosa. Só que se trata do território sul-coreano, não o dos EUA. É um problema grande já que nenhum ataque dos norte-americanos pode impedir Coreia do Norte de destruir de fato todos ou os mais importantes centros da Coreia do Sul", acrescentou o especialista.

Para Mosyakov, ninguém duvida que a Coreia do Norte seja capaz de responder a um ataque, já que nos últimos anos eles estão focados no desenvolvimento de seu potencial de defesa para criação de Forças Armadas efetivas.

"A questão é outra. É evidente que a Coreia do Norte não realizará o ataque primeiro. A questão é qual seria o contra-ataque por parte da Coreia do Norte e quais perdas seriam inaceitáveis para seus inimigos. Esta é a maior incerteza […], pois já faz 40 anos que eles [norte-coreanos] estão se preparando."

A Coreia do Norte, apesar da pressão internacional, continua desenvolvendo seu programa nuclear e de mísseis. Em 3 de setembro, a Coreia do Norte declarou ter realizado um teste bem-sucedido de uma bomba de hidrogênio, destinada a equipar seus mísseis balísticos intercontinentais, cuja potência, de acordo com as estimativas, superou 10 vezes a das bombas atômicas lançadas em Hiroshima e Nagasaki em 1945. Uma semana mais cedo, a Coreia do Norte realizou os testes de um míssil balístico que sobrevoou o território do Japão.

O presidente norte-americano, Donald Trump expressou repetitivamente a probabilidade de aplicar a força visando resolver a crise coreana. Os EUA agiram também como iniciadores de sanções internacionais que o Conselho de Segurança da ONU impôs contra Pyongyang.

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