22 de out de 2017

Jornalismo de guerra avança contra as Forças Armadas


O “jornalismo de guerra” deu mais um passo “editorial” neste final de semana com a matéria “Corrupção nos quartéis”, publicado pelo portal UOL, afirmando que “o Ministério Público detecta desvios de R$ 191 milhões nas Forças Armadas”. Depois de atacar, quase sempre de forma irresponsável, e desmoralizar a maioria das instituições nacionais, agora investe contra as Forças Armadas Brasileiras. A matéria dá sequência à pequenas provocações feitas nesta semana, em matéria sobre “trotes” em quartéis e desmaios de alunos em atividades militares, que ganharam destaque nas pautas dos jornais.

A matéria não pode ter origem mais suspeita sob a autoria da encomenda e do interesse em sua publicação, quando se observa mais detalhadamente como foi construída. Segundo o próprio autor, a matéria está baseado em investigações conduzidas pelo MPM (Ministério Público Militar) e um levantamento inédito do STM (Superior Tribunal Militar) feito a pedido do UOL. De acordo com a matéria, “o MPM (Ministério Público Militar) identificou, nos últimos dez anos, desvios de pelo menos R$ 191 milhões nas Forças Armadas. Em um surto de sinceridade, o autor da matéria admite que “o valor é resultado de um levantamento feito pelo UOL com base em informações repassadas pelo MPM”.

Ainda, “o levantamento tem como base um conjunto de 60 denúncias feitas pelo MPM e mostra que a corrupção não apenas existe nas Forças Armadas, mas que ela é praticada tanto por praças (cabos e soldados) quanto por oficiais de alta patente, a elite entre os militares”, faz questão de destacar a matéria. Em outro sincericídio, o autor da matéria informa que “o MPM é um braço do Ministério Público Federal especializado na apuração de crimes cometidos por militares ou civis contra as Forças Armadas”. E que – vejam só! – “seus promotores e procuradores são civis, embora alguns deles já tenham tido carreira militar”.

Não por acaso a sequência de matérias, em especial esta em questão, são divulgadas neste momento em que se aproxima a data das manobras militares na Amazônia e a Operação Lava Jato começa a fazer água. Nos próximos dias, contra a vontade de parte expressiva dos militares brasileiros, o governo entreguista patrocina, em território da Amazônia, operações conjuntas com o Exército dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, até o final do ano, Temer pretende entregar as chaves da Base de Alcântara aos mesmos norte-americanos, sobre quem pesa a suspeição de sabotagem ao desenvolvimento tecnológico nacional, de acordo com telegramas divulgados pelo Wikileaks.

“Minha condenação interessa ao sistema internacional contrário aos BRICS”, definiu o Almirante Othon, pela segunda vez libertado de um sequestro, com condenação a 43 anos de prisão – perpétua, em entrevista à Carta Capital, ignorada pela mesma mídia que ataca as FFAA. “Os brasileiros transnacionais, muito provavelmente, ficaram satisfeitos com o meu processo e a minha saída do cenário”, disse o Almirante, completando a análise de sua prisão. “Considero como brasileiros transnacionais aqueles que, embora tenham nascido neste belo país, gostariam de ser cidadãos de outros países, em particular dos Estados Unidos”, define.

Ainda contribui para entender os ataques às Forças Armadas neste momento, a denúncia do Almirante Othon, quando diz esperar que a Justiça brasileira deixe de ser direcionada por um pequeno grupo – onde existe a possibilidade de participarem alguns brasileiros transnaciionais”. “Causou-me muita tristeza ver atuando como auxiliar de acusação, pela Eletrobras, um advogado indicado pela empresa estrangeira Hogan & Lovells, muito ativo”, advertiu ele na entrevista. Nada diferente do que faz o governo ao assinar um protocolo internacional para submeter o Brasil à bisbilhotice externa em suas instalações nucleares, após investir no desmonte do projeto do submarino nuclear (Pro-Sub).

As ações midiáticas desta semana, que também inclui a entrevista de Sérgio Moro na Rede Globo para tentar legitimar a delação sem provas como prova, e as novas invencionices contra Lula e sua família, aprofundam a “guerra assimétrica” contra o Estado Brasileiro. Não basta apenas apropriar-se das riquezas nacionais, é fundamental para “o sistema transnacional contrário ao BRICS” – como disse o Almirante Othon – destruir as instituições nacionais, criminalizar suas lideranças e afastar o povo das decisões. Como disse recentemente o ex-chanceler Celso Amorim, em artigo, não interessa aos transnacionais internos e externos um país trabalhando “em favor de um mundo mais multipolar, no qual os interesses do Brasil e dos países em desenvolvimento como um todo pudessem ser afirmados e respeitados”.

Antes que a campanha cresça, inclusive com apoio de setores esquerdistas, contumazes fregueses das campanhas do Império contra os interesses nacionais, é fundamental que as FFAA compreendam de vez por todas os interesses em curso. A cristalina declaração do Almirante Othon não pode mais deixar mais dúvidas sobre o plano geopolítico internacional em curso, fruto do desespero norte-americano diante do fim do mundo unipolar sob seu exclusivo controle. O Brasil é grande demais para ser submetido a atores e interesses menores que apontam para a criminalização de tudo que é brasileiro, nacional e popular, em favor do sistema financeiro internacional.

Fernando Rosa
No Senhor X

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