16 de out de 2017

Historiador venezuelano radicado no Brasil, analisa as eleições na Venezuela

Ivan Gonzalez - venezuelano, professor de Historia 
e ativista sindical residente no Brasil



Ivan Gonzalez, venezuelano, professor de Historia e ativista sindical residente no Brasil, conversa com O Charuto e analisa o resultado das eleições do último domingo (15) na Venezuela:

O resultado é muito importante! A participação massiva expressa o interesse do povo em continuar na linha da democracia, da participação para decidir os assuntos do país. 61% de concorrência à eleição de governador é um êxito total, retumbante, no sentido de que nunca há muito interesse nesse tipo de eleições, isso explica também a decisão da maioria do povo, inclusive da oposição, de resolver o problema pela via eleitoral.
Ter ganhado em 18 estados é muito importante, mesmo perdendo dois – a oposição já tinha o controle de três, ganhou mais duas, mas, em sentido amplo foi muito importante, veja-se, por exemplo, o estado de Miranda, que foi recuperado da oposição e era o principal foco da desestabilização.
Perdemos os estados Táchira e Zulia, que são estados fronteiriços, com força econômica muito importante e a conexão desses estados com a Colômbia é muito importante no sentido de ser estar no caminho da presença do paramilitarismo colombiano, que já está presente na Venezuela, Zulia e Táchira, então, podem ser de novo espaços para rearticular essa posição violenta, mas deve ser analisado juntamente com o quadro geral.
Com relação ao resultado, a massiva votação e os estados em que o Chavismo ganhou, demonstram o forte apoio do povo, o apoio a revolução, mesmo com todos os problemas, com toda a situação econômica dificílima, ainda assim o apoio popular é forte.
O governo ganha, também, fôlego depois da Assembleia Nacional Constituinte, uma maior estabilização do quadro político interno, mas sabemos que a oposição, já, antes do resultado, tinha acusado fraude. Essa matriz internacional vai ser de novo utilizada, só que a própria oposição participou do processo prévio de preparação das eleições, de certificação do processo, auditorias internas antes e durante o processo eleitoral e, portanto, fica muito difícil agora querer falar em fraude quando, até domingo, tudo estava sendo feito da maneira correta.
O resultado é importante, temos que comemorar, mas esperar, também, o efeito disso, no sentido da reação da oposição, sobretudo da agressão imperialista fora da Venezuela.

ZULIA E TÁCHIRA NAS MÃOS DA OPOSIÇÃO - O PROBLEMA DA FRONTEIRA

O problema da fronteira não são as guerrilhas, não são as FARCs e nem a ELN.
O problema é o paramilitarismo, que são bandas armadas que agem na Colômbia e também na Venezuela apoiando as ações da direita. O problema é que tem muita arma e muita experiência de luta violenta na Colômbia e isto esta se refletindo na Venezuela.
E esses bandos paramilitares agem com o apoio do exercito colombiano ou do governo colombiano, que nos últimos meses tem sido muito hostil contra a Venezuela. O presidente Santos é a principal voz da oposição em nível internacional, então o problema está no fato de como o território colombiano pode ser usado para desestabilizar a Venezuela.
Na Colômbia tem sete bases (SETE BASES!) militares dos Estados Unidos, então a influencia que podem ter esses dois estados em abrir o que chamamos de cabeça de praia para ações de desestabilização militar, por conta da presença, não só dos grupos paramilitares colombianos, como a própria presença das tropas norte-americanas na Colômbia.
Esse e o grande assunto: como Táchira e Zulia podem se converter, a partir desses estados, como um foco de desestabilização da Venezuela. A questão é, não só um problema geoestratégico, no sentido da localização geográfica desses dois estados, mas também econômica, porque pela fronteira colombiana se produz um intercambio comercial historicamente muito forte e, também, porque Zulia é o principal estado petroleiro da Venezuela. Tem um componente de geopolítica muito forte e isso pode pesar a partir de agora se a oposição decide agir de maneira violenta, pois poderia passar a contar com esses estados.
Isso não está confirmado, uma vez que, quem ganhou no estado Zulia é da Primeira Justiça e desconheço a referencia e uma mulher ganhou em Táchira, da Acción Democrática (AD), isso pode depender muito de como esses dois partidos se pronunciem a partir de agora no quadro geral político, então é um risco que temos que levar em conta.

No Charuto

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