9 de out de 2017

Grupo que jogou tomates em Gilmar Mendes é fã da Lava Jato e defende golpe militar

O Tomataço diz agir em defesa da investigação de corrupção e tem como alvo a classe política

Manifestante joga tomate em carro de Gilmar Mendes, em São Paulo
O grupo identificado como "Tomataço", que nesta segunda-feira 9 atacou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes com tomates, apoia a Operação Lava Jato, a derrubada do governo de Michel Temer e a prisão de "bandidos que estão na política" por parte das Forças Armadas.

O protesto contra Gilmar foi divulgado na página do grupo no Facebook no sábado 7. Em vídeo, Ricardo Rocchi, que aparenta ser o líder do Tomataço, aparece na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) recolhendo tomates podres e marcando a manifestação para a manhã desta segunda-feira 9 em frente à sede do Instituto de Direito Público de São Paulo (IDP), na Bela Vista, região central da cidade. Gilmar é sócio do IDP e esteve em São Paulo para lançar um curso de pós-graduação em Direito Eleitoral.



"Fala, Gilmar, nós vamos mostrar o que o povo brasileiro sentiu com relação às injustiças do STF promovidas por você, que quer soltar agora na segunda instância todo mundo que está preso e os que seriam presos", afirma Rocchi, em referência às prisões após o julgamento em segunda instância, determinadas como regra pelo Supremo, mas questionadas por Gilmar. "Sarrafo nos traidores da pátria", conclui.

O histórico da página do Tomataço no Facebook mostra que o grupo tem como pauta principal o apoio à Operação Lava Jato e, mais recentemente, a defesa de um golpe militar.

Em dezembro de 2016, Rocchi encontrou o deputado federal Wéverton Rocha (PDT-MA) em um aeroporto e o hostilizou. Em protesto contra emenda do parlamentar que desfigurou o projeto das 10 medidas contra a Corrupção, bancado e promovido pelo Ministério Público Federal, o ativista espremeu um tomate na camisa do deputado. "Sergio Moro representa todo esse aeroporto", afirmou Rocchi na ocasião.

No fim de agosto, o Tomataço tentou acertar o mesmo Gilmar Mendes, quanto este participou de um debate na sede do jornal O Estado de S.Paulo. O próprio Ricardo Rocchi foi responsável pela manifestação e acabou retirado do local. Em entrevista a veículos de imprensa, Rocchi justificou o protesto como uma defesa da Lava Jato. "[Gilmar Mendes] fica metendo o pau na Lava Jato, e a Lava Jato é a maior operação contra a corrupção do mundo, né? Qual é a dele? Tá pensando que pode?", disse.

Mais recentemente, Rocchi e a página do Tomataço passaram a apoiar abertamente um golpe militar. Em setembro, Rocchi escreveu um texto no qual unia seu apoio à Lava Jato e a possibilidade de uma "tomada" do Congresso. A página do Tomataço compartilhou o conteúdo.


"Acorda povo gado e por favor apoiem sempre o que a Lava Jato fala e dá a diretriz, pois eles, sim, têm informação verdadeira", escreveu. "E como Carlos e Deltan falaram novamente que Temer tem que ser enviado para o STF nós que sabemos ler e que apoiamos a Lava Jato e que não somos vendidos e nem burros vamos para cima dos desgovernante$ até fazerem o que é certo, ou vamos gerar o caos e retomar a casa do povo com auxílio das forças de segurança de todo Brasil", afirmou. "Carlos e Deltan" são Carlos Fernando de Santos Lima e Deltan Dallagnol, ambos procuradores da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

Em 2 outubro, o ativista e a página do movimento compartilharam a convocação de uma "Marcha Cristã pelo Brasil", promovida pelo SOS Forças Armadas, grupo que desde o início das manifestações contra o governo Dilma Rousseff defende uma "intervenção militar".

No dia seguinte, os dois perfis divulgaram um vídeo com declarações de apoio ao Exército, feitas por esportistas como Pelé e Bernardinho. A imagem estava, no entanto, editada de forma a fazer parecer que essas pessoas apoiavam a prisão, por parte do Exército, "de todos os bandidos que estão na política brasileira".



Também no dia 3, os perfis deram apoio ao general do Exército Antônio Hamilton Mourão. Em 3 de abril, Mourão defendeu de forma aberta uma possível intervenção das Forças Armadas caso as instituições "não resolvam o problema político". Segundo o general, ou o Judiciário retira da vida pública "esses elementos envolvidos em todos os ilícitos" ou o Exército terá de "impor isso". Segundo o Tomataço, "o desgoverno vai tomar uma bica tão grande do coturno do general Mourão e das Forças Armadas que vão sair da órbita da Terra em breve".


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