16 de out de 2017

Geddel some da TV e o irmão foge da internet

Na quinta-feira (12), a revista Época postou uma curiosa matéria sobre o irmão de Geddel Vieira, um dos homens de confiança de Michel Temer que está na cadeia. Diz a notinha bem minúscula: “Os seguidores do deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) nas redes sociais sentem falta de suas postagens descontraídas. Ele está sumido há mais de um mês. O sumiço coincide com a apreensão de R$ 51 milhões em um apartamento atribuído, pela Polícia Federal, a seu irmão, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, no dia 5 de setembro, em Salvador. Geddel está preso na Papuda, em Brasília. A sua última postagem pública foi no Twitter no 8 de setembro, quando discutiu com um seguidor que o provocou sobre as malas de dinheiro”.

A revista da famiglia Marinho, que ajudou a alçar ao poder a quadrilha de Michel Temer, poderia aproveitar para também ironizar o sumiço do próprio Geddel Vieira Lima e de outros membros da máfia palaciana. Os bandidos golpistas sumiram da mídia chapa-branca. Não são mais capa de jornal ou de revista e nem motivo de ácidos comentários dos “calunistas” da rádio e da tevê. Como já ensinou o mestre Perseu Abramo, a manipulação midiática se dá principalmente através da omissão e realce. Diariamente, a velha imprensa ataca o ex-presidente Lula, mesmo sem apresentar provas. Já os bandidos que tomaram de assalto o poder, com a inestimável ajuda da mídia falsamente moralista, simplesmente somem do noticiário.

Em um recente evento de professores em Brasília, um jovem ativista expôs a sua indignação diante da cena da apreensão de R$ 51 milhões no “bunker” de Salvador, mas confessou sua ignorância: “Como era mesmo o nome do deputado? Ele era de que partido? Eu não me lembro”. Esse desconhecimento é fruto típico da manipulação midiática, que evita realçar o que não lhe interessa. Na ocasião, lembrei que vários outros integrantes do covil golpista também já foram “esquecidos” pelos “competentes” jornalistas investigativos da chamada grande imprensa. A lista do “quadrilhão” de Michel Temer é imensa. Vale relembrar alguns nomes:

- Romero Jucá. Senador pelo PMDB de Roraima e atual presidente nacional da legenda, ele é um dos chefes do governo corrupto. Após articular o criminoso processo de impeachment de Dilma Rousseff, ele virou ministro do Planejamento de Michel Temer. Só caiu após o vazamento do áudio em que confessava que o objetivo principal do golpe seria “estancar a sangria” das investigações sobre corrupção no país. Romero Jucá é alvo de 14 inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), mas segue impune no parlamento e blindado pela mídia chapa-branca.

- Eliseu Padilha. Velho cacique do PMDB, ele é considerado o “braço direito” do golpista e ocupa o cargo estratégico de ministro-chefe da Casa Civil. Segundo recente matéria da Folha, “ele é avaliado como o aliado mais fiel do presidente, de uma ‘obediência quase cega’”. Foi denunciado por delatores da Odebrecht como autor dos pedidos de dinheiro para campanhas do partido. É alvo de dois inquéritos no STF. Na segunda denúncia apresentada pelo ex-procurador geral da República, Eliseu Padilha aparece como um destacado integrante da “organização criminosa” comandada por Michel Temer.

- Moreira Franco. Também apelidado de “gato angorá”, ele é um dos principais estrategistas do covil golpista, sendo responsável pelo bilionário Programa de Parceria de Investimentos (PPI). Participa de todas as decisões governamentais, inclusive das escolhas políticas para a composição de cargos. Moreira Franco é alvo de duas investigações no STF e também foi denunciado pela PGR sob a acusação de organização criminosa. Recentemente, ele foi nomeado como ministro como uma forma de lhe garantir imunidade. A mídia venal, que fez o escarcéu quando da indicação de Lula para o ministério, evitou dar manchetes contra o “gato angorá”.

- Rodrigo Rocha Loures. O ex-deputado é considerado um dos principais “operadores” de Michel Temer, tendo recebido a tarefa de fazer a interlocução com poderosas empresas e sinistros lobistas. Foi ele quem fez a ponte com Joesley Batista, o chefão da JBS. Filmado carregando uma mala de dinheiro, ele foi denunciado pela PGR sob a acusação de corrupção passiva, tendo sido preso e solto logo em seguida. Em setembro passado, ele também foi acusado de pertencer a “organização criminosa” chefiada pelo Judas.

- José Yunes. Amigo íntimo do golpista, o advogado e empresário é um dos seus principais conselheiros políticos. Chegou a ocupar o posto de assessor especial da Presidência, mas pediu demissão após ter o seu nome citado por delatores da Odebrecht. Atua na penumbra como “investidor” de Michel Temer.

- Tadeu Filippelli. Ex-vice-governador do Distrito Federal, ele foi assessor especial do gabinete pessoal de Michel Temer, fazendo a interlocução com parlamentares e empresários. Foi preso em maio passado sob a acusação de corrupção e lavagem de dinheiro no escândalo envolvendo a construção do estádio Mané Garrincha, em Brasília. Mas logo ganhou a liberdade e sumiu do noticiário.

- Coronel João Batista Lima. É amigo do usurpador desde os anos 1980, quando o assessorou na Secretaria de Segurança Pública do governo de São Paulo. Sua fazenda no interior paulista era o “bunker” de Michel Temer. Ganhou contratos milionários com o governo nos últimos anos. Segundo as delações dos executivos da JBS, o sinistro “coronel Lima” recebeu R$ 1 milhão em dinheiro não contabilizado para as campanhas do golpista. Ele também é suspeito pela realização de obras na casa da filha de Michel Temer.

- Henrique Eduardo Alves. Outro esquecido pela mídia venal na cadeia, o ex-líder do PMDB na Câmara Federal ficou responsável no covil golpista pela distribuição de cargos em estatais e ministérios. Em troca, segundo denúncia da PGR, ele recebia propina. Ex-ministro do Turismo, Henrique Alves foi preso em junho passado sob a suspeita de ter recebido R$ 7,1 milhões de empreiteiras.

Altamiro Borges

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