21 de out de 2017

El Nacional denuncia “golpe”: É a espanização da Catalunha

Ecos do franquismo no embate entre a monarquia espanhola e os herdeiros de Tarradellas
Foi um golpe, a cobertura constitucional foi uma desculpa

O Estado espanhol decidiu suspender o governo autônomo da Catalunha.

É a única manchete possível depois das medidas anunciadas sábado pelo primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, em sua aparição pública na residência oficial de Moncloa, que se tornará histórica.

Com o rei espanhol Filipe VI diante dele e com a presença de seus servidores leais Pedro Sánchez e Albert Rivera, líderes dos partidos espanhois socialista e dos Cidadãos, o governo espanhol decidiu transformar seu contraparte catalão em lixo, agindo contra a Generalitat da Catalunha, contra o governo em si, contra o Parlamento catalão, contra a mídia pública da Catalunha e contra a força policial da Catalunha, os Mossos.

Contra tudo. Sem bondades.

Não apenas decapitaram o governo da Catalunha ao propor que o Senado demita o presidente catalão e seus 13 ministros, mas o primeiro ministro espanhol se posicionou para se tornar o 131 presidente da Catalunha.

Ninguém havia ousado ir tão longe; ninguém havia desafiado as leis da gravidade a este ponto.

O ato de atacar as instituições democráticas da Catalunha vai levar à resistência das massas, como se viu nas massivas demonstrações dos últimos anos.

O poder na Catalunha hoje reside em muitos lugares, não apenas nos partidos e nas instituições de governo, como já foi.

É difícil, muito difícil neste momento, para o povo evitar ser tragado por sentimentos de ódio e indignação.

Os mesmos sentimentos foram provocados em boa parte da sociedade catalã no dia primeiro de outubro — sem olhar para o passado — como reação às imagens sórdidas dos ataques da polícia, dirigidos contra pessoas comuns que pacificamente foram às urnas votar.

Neste caso, no entanto, há um fator agravante, o de que a Espanha está penetrando num caminho típico de outro tipo de regime, mesmo que as medidas adotadas estejam sob os auspícios do artigo 155 da Constituição espanhola.

É óbvio que o artigo está sendo usado simplesmente como um guarda-chuva para colocar em prática medidas que eram desejadas há anos, mas que não eram possíveis sob eleições.

A “espanização” da Catalunha.

Isso coloca o bem estar dos catalãos em risco e, contrariamente ao que está sendo dito, não os preserva.

As ideias do ex-primeiro-ministro José Maria Aznar ganharam entre os formuladores de política da Espanha, com a aquiescência dos socialistas espanhois do PSOE, que são cúmplices, calados e desorientados. E uma parte da esquerda catalã se enquadra na mesma categoria, não apenas o partido socialista, PSC.

As medidas aprovadas pelo governo espanhol colocam o conflito entre a Catalunha e a Espanha em uma nova dimensão. O Estado espanhol mostrou todas as suas cartas e a jogada final está nas mãos do presidente catalão e de seu governo.

Como eles serão afastados de suas responsabilidades na próxima sexta-feira, isso determina o limite de tempo e provavelmente significa que estudarão três alternativas: uma declaração de independência com todas as consequências; uma declaração de independência com convocação de eleições constituintes; ou eleições com o status atual da Catalunha, como uma região autônoma da Espanha. Uma quarta opção, por exemplo, não fazer nada, parece irrealista no momento.

Diante daqueles que tentaram brincar com a dignidade da Catalunha, a resposta deve ser baseada na restauração daquela dignidade. Porque a dignidade jamais será submetida a medidas preventivas ou ações sob o artigo 155.

É aquela dignidade que o ex-presidente da Catalunha, Josep Tarradellas, preservou durante a era franquista com seu exílio na França, dignidade com a qual voltou em 23 de outubro de 1977 — uma data que faz 40 anos na próxima segunda-feira.

Quatro décadas depois, o estado espanhol preferiu, em meio a um silêncio ensurdecedor na Espanha — com exceção do Podemos — colocar toda a sua máquina em ação.

No Viomundo

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