11 de out de 2017

Delegado da PF preso por extorsão militava contra a corrupção, era seguidor de Bolsonaro e citava gen. Mourão

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Preso nesta terça (10) a partir de investigação da corregedoria da Polícia Federal, o delegado Mario Menin Filho é acusado de quatro crimes, segundo a juíza federal Valdirene Falcão, especializada em crimes contra o sistema financeiro.

Menin Filho e outras três pessoas foram detidos para apuração dos crimes de organização criminosa, extorsão, usurpação de função e concussão (quando agente público solicita uma vantagem indevida).

O detalhamento da prisão foi feito pela juíza a partir de pedido da Folha.

Os valores da extorsão continuam mantidos sob sigilo, mas a Folha ouviu de três policiais que o montante seria de R$ 5 milhões. A Justiça não mencionou valores no pedido enviado à 9ª Vara Federal.

O caso foi revelado nesta terça (10) pela coluna "Painel".

Campinas

Menin Filho foi preso com o trio sob acusação de extorquir empresários da região de Campinas (SP). Os outros três se faziam passar por delegados da PF para se aproximar de empresários e então extorqui-los.

Delegado há mais de 30 anos, com cargos de chefia na corregedoria, no aeroporto de Cumbica e na delegacia de combate ao crime organizado, Menin Filho era considerado um policial acima de qualquer suspeita por seus colegas.

Aos 53 anos, é extremamente católico e vive com a mãe num apartamento em São Paulo. Ele chegou chorando à Superintendência da Polícia Federal nesta terça (10). Nunca havia se envolvido em atividades suspeitas, ainda de acordo com colegas.

A prisão foi feita a partir de investigação iniciada em órgão que o próprio Menin Filho chefiou em São Paulo, a corregedoria, encarregada de apurar irregularidades na atividade policial.

Corregedoria

A corregedoria usou métodos sofisticados para obter as provas – além de interceptação telefônica, os policiais recorreram a escutas ambientais, tudo controlado pela Justiça. Escuta ambiental é quando policiais gravam os suspeitos em locais que eles costumam se reunir. É uma prova delicada porque os policiais precisam instalar equipamentos nos locais usados pelos suspeitos.

Em nota à Folha, a juíza diz que "identificou-se uma estrutura criminosa hierarquizada, composta por diversos membros, dentre os quais o delegado, que, conforme apontado pelas autoridades policiais, utilizava-se de seu cargo para a prática dos delitos."

A reportagem procurou o advogado de Menin Junior, Pedro Luiz Aguirre Menin, mas familiares informaram que ele estava viajando para São Paulo para cuidar da soltura do sobrinho. Aguirre Menin foi desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Familiares mostravam-se tão incrédulos quanto seus colegas policiais sobre os supostos crimes de Menin Junior. Um deles disse que o trio deve ter usado o nome de Menin Junior para praticar as extorsões.

Conforme informações obtidas com a Vara, a juíza federal Valdirene Falcão, da 9ª Vara Federal de Campinas, especializada em crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de bens, direitos e valores, decretou a prisão preventiva do delegado da Polícia Federal Mario Menin Junior, bem como de Luis Francisco Caselli, José Celso da Silva e Silvio de Oliveira Mileo, em razão de investigação criminal, instaurada para apurar eventual prática dos crimes capitulados no artigo 2º, da Lei nº 12.850/2013 (organização criminosa); artigo 158 (extorsão); artigo 328, parágrafo único (usurpação de função); e artigo 316 (concussão), todos do Código Penal.

Após a instauração de inquérito policial e o deferimento de medidas investigativas como interceptações telefônicas, escutas ambientais e buscas e apreensões.

As investigações continuam em curso para reunir mais provas quanto à materialidade e autoria delitivas, bem como apurar os valores envolvidos nas condutas criminosas, em tese, praticadas.

No fAlha

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