24 de out de 2017

Corrupção não diminuiu na Itália, diz juiz da “Mãos Limpas”


A cara de “pimpões” de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol expõe como a vaidade os diferencia dos juízes italianos da Operação Mãos Limpas italiana.

Mas não é só isso que os separa.

Enquanto os dois superheróis tupiniquins defenderam o “prende mais, prende mais, prende mais”, os magistrados italianos mostraram que o combate à corrupção depende menos de perseguição policial-judicial do que da mudança das estruturas sociais e políticas.

No insuspeito Estadão, patrocinador do evento que os reúne em São Paulo, registra-se que o  ex-promotor e  ex-magistrado italiano Gherardo Colombo, “que conduziu a Operação Mãos Limpas, afirmou, nesta terça-feira, 24, que a grande investigação – iniciada nos anos 80 – contra empresários e políticos, não resultou na redução da corrupção naquele país”.

 “Olhando retrospectivamente hoje, podemos entender que a corrupção na Itália não diminuiu absolutamente. Me demiti 14 anos antes da minha aposentadoria, pois acredito que seja absolutamente necessário olhar outra fonte que é importante, que é a frente da educação”

Como o Colombo do século XV, também este coloca o ovo em pé: diz o óbvio, mas que ninguém consegue pensar, de tão simples.

O grau de corrupção de um país é igual ao nível de educação, inclusive a política, de sua população.

Quando não se vende o voto, não adianta ter dinheiro para comprá-lo. Quando se tem partidos que funcionam e representem algo, os aventureiros endinheirados (como Sílvio Berlusconi) não se criam.

Quando, ao contrário, se destrói os valores do humanismo, da fraternidade, da solidariedade, da felicidade coletiva pela asquerosa ideologia do “agregar valor” e do “bem sucedido” que a classe dominante vende pelos meios de comunicação, tem-se um país de corruptos, públicos e privados, a começar dos grandes, que vendem o trabalho de seu povo e a riqueza de seu país.

O país que retrocedeu, na economia e no comportamento social, desde a Lava Jato é agora todo desta gente, porque vive a era do desemprego e da entrega de seu patrimônio.

E é a estes que a histeria judicial dos dois “pimpões” tem ajudado, ou não é?

Fernando Brito
No Tijolaço

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