17 de out de 2017

Clóvis Rossi é desmoralizado pela própria Folha de S. Paulo


A desmoralização de um jornalista!
(E o que é mais incrível, no seu próprio jornal)

Li, hoje cedo, a coluna de Clóvis Rossi, Folha 17/10, sobre as eleições na Venezuela e fiquei estarrecido. Sem qualquer informação relevante, sem demonstrar conhecimento ou familiaridade com o assunto, o jornalista apenas destila animosidade contra o governo venezuelano, com afirmações do tipo:

"Algum governo (qualquer governo) pode ganhar uma eleição (qualquer eleição) com uma situação catastrófica como essa?"

"Só ganha com fraude, o que, de resto, já havia acontecido há pouco, na eleição trucada para uma Assembleia Constituinte ..."

"Como é possível que, três meses depois, o governo obtenha votos suficientes para ficar com três quartos dos governos estaduais?"

Achei estranho. Ainda que Rossi nos últimos tempos se comporte mais como um raivoso escriba, contra tudo e contra todos, do que propriamente como um jornalista, pois as conclusões dele na coluna não foram acompanhadas de nenhuma informação de "fonte", nem da observação "in loco" do processo eleitoral. Nada, só "achismo" da pior espécie.

Bom, horas depois, vejo matéria na mesma Folha/UOL, 17/10, de Diego Zerbato, que entrevista juízes brasileiros que estiveram na Venezuela, como observadores internacionais, que desmente, de forma categórica, as afirmações de Clóvis Rossi.

"Convidado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela para acompanhar as eleições de domingo (15/10), o juiz André Luis de Moraes Pinto disse que o sistema eleitoral do país caribenho "é exemplarmente blindado a fraude.

À Folha, o magistrado da 2ª Vara Cível de Santa Cruz do Sul (RS) e membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD) afirmou que a atmosfera do pleito era "pacífica, civilizada e respeitosa", apesar da rivalidade política. Além dele, as autoridades venezuelanas chamaram a juíza Karla Aveline de Oliveira, de Porto Alegre, também da AJD. Os dois já foram juízes eleitorais."

Vejam o que dizem os juízes brasileiros, respondendo ao repórter da Folha, que, diferentemente de Rossi, acompanham as eleições presencialmente na Venezuela:

"Folha - Os senhores ficaram em algum centro eleitoral no dia da eleição? Chegaram a ver algum tipo de irregularidade?

Cada qual de nós, no estado para o qual foi dirigido estivemos presentes, desde antes da abertura das mesas (às 6h) e ao longo de todo o dia em diversos pontos de votação, espalhadas por distintas localidades.

Nenhum ilícito eleitoral me foi trazido por eleitores ou fiscais e, também, não os percebi.

Concluímos que o sistema de votação — com identificação do eleitor 100% biométrica, com uso de urna eletrônica e voto impresso e com a aposição da digital do eleitor ao lado da assinatura no caderno de presença — revela solidez, organização, rapidez do ato, transparência e sofisticação, mostrando-se, assim, exemplarmente blindado a fraude.

A existência de auditorias e certificações — antes, durante e depois da votação (todas com acompanhamento de representantes das forças políticas participantes do processo) igualmente merece destaque.

Folha - Os senhores acompanharam o processo de apuração? Se sim, em que condições ele foi feito?

Assistimos o processo de encerramento da votação, extração dos dados registrados na urna eletrônica, transmissão deles para a Junta Nacional em Caracas e apuração da urna com as cédulas de papel sorteada, procedendo à conferência e verificação do número de eleitores votantes e dos votos dirigidos a cada qual dos partidos.

Todos estes atos foram acompanhados também pelos fiscais indicados pelos partidos que participaram do pleito e, o escrutínio (realizado no próprio local), inclusive contou com a assistência de dez cidadãos escolhidos aleatoriamente (por previsão legal).

Não foi registrada nenhuma impugnação ou queixa pelos fiscais políticos.

Folha - Em relação ao efetivo de segurança da missão, os senhores puderam sair a outros lugares que não as seções eleitorais?

Tanto nas seções eleitorais, quanto fora delas tivemos contato e conversamos com diversos cidadãos, sem que tenha havido qualquer embaraço por parte da segurança.

No dia das eleições, testemunhamos eleitores voluntariamente se dirigindo as centrais e mesas de votação, podendo exercer o direito ao voto com liberdade, garantido plenamente o sigilo da sua escolha."

Impressionante! Poucas vezes na minha vida de leitor de jornais - o que faço há pelo menos 45 anos - vi algo do gênero. Um jornalista "sênior" de um grande jornal ser confrontado de forma contundente por uma matéria publicada no próprio jornal. Confronto que mostra o quão leviano e irresponsável ele foi na sua coluna de "opinião" - opinião baseada em preconceitos, que resultou em um texto que é verdadeira excrescência jornalística.

Claudio Guedes
No Esquerda Caviar

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