10 de out de 2017

Bolsonaro já defendeu a tortura e o fuzilamento de FHC — assista

A entrevista foi dada em 1999, quando o deputado já tinha 44 anos, ou seja, não era nenhum garoto


A coluna de Bernardo Mello Franco da Folha desta terça-feira (10) (abaixo) cita viagem que Jair Bolsonaro faz aos Estados Unidos para divulgar sua candidatura a presidente. De acordo com o colunista, Bolsonaro tenta a partir de agora suavizar o seu discurso para parecer menos radical.

Mello Franco lembra, no entanto, que em 1999, já com 44 anos, ou seja, não era nenhum garoto, o capitão reformado expôs suas ideias no programa “Câmera Aberta”, na Bandeirantes.



Na entrevista ele se gaba de sonegar impostos e estimula os telespectadores a fazerem o mesmo, defende a ditadura e a tortura, prega o fechamento do Congresso e diz que o Brasil precisava de uma guerra civil, mesmo que isso provocasse a morte de inocentes.

Depois, diz que a democracia é uma “porcaria” e conta o que faria se chegasse ao poder: “Daria golpe no mesmo dia. Não funciona”.

O deputado afirma que Chico Lopes, ex-presidente do Banco Central, merecia ser torturado em pleno Senado. “Dá porrada no Chico Lopes. Eu até sou favorável a CPI, no caso do Chico Lopes, tivesse pau de arara lá. Ele merecia isso: pau de arara. Funciona. Eu sou favorável à tortura.”

Mais adiante, Bolsonaro defende o fuzilamento do presidente Fernando Henrique e revela desprezo pelas eleições diretas: “Através do voto, você não vai mudar nada neste país. Nada, absolutamente nada. Você só vai mudar, infelizmente, quando nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. E fazendo um trabalho que o regime militar não fez. Matando 30 mil, e começando por FHC”.

As imagens de Bolsonaro falando à vontade, sem marqueteiros e assessores estão ai pra quem quiser ver.

No Fórum



Show do Milhão

18/09/2017 - PORTO ALEGRE, RS - João Doria. Antes de embarcar para Porto Alegre, Doria ressalta que viaja com o próprio dinheiro. O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), palestrou nesta segunda-feira, no Fórum de Gestão do Rio Grande do Sul, que reúne empresários na Associação Leopoldina Juvenil. Doria falou sobre seu modelo de gestão e seu plano de metas até 2020 para a capital paulista, que contempla eixos de desenvolvimento social, econômico e gestão, meio ambiente e institucional. Foto: Evandro Leal/Agência Freelancer. ***PARCEIRO FOLHAPRESS - FOTO COM CUSTO EXTRA E CRÉDITOS OBRIGATÓRIOS***
João Doria no Fórum de Gestão do Rio Grande do Sul
Um dos avanços da reforma política seria a criação de um limite para o autofinanciamento de campanhas. Essa regra chegou a ser aprovada por deputados e senadores. Para a alegria dos milionários, o presidente Michel Temer vetou a mudança ao sancionar a nova lei.

A Câmara havia fixado um teto de R$ 200 mil para todos os políticos que pretendem bancar as próprias candidaturas. Numa trapalhada legislativa, o Senado tentou derrubar o limite e impôs um valor ainda mais baixo, de R$ 9.690,00.

Agora Temer resolveu o impasse a favor dos super-ricos. Com a canetada presidencial, eles poderão financiar até 100% de suas campanhas. Assim, as eleições de 2018 arriscam se tornar um grande Show do Milhão. Em vez de comprar votos, como sempre ocorreu, os magnatas poderão comprar mandatos.

Para um ministro do Tribunal Superior Eleitoral, a derrubada do teto de autofinanciamento representa o primeiro "tiro de canhão" na sucessão presidencial. Ele avalia que o veto terá um beneficiário direto: o prefeito João Doria, cujo patrimônio declarado é de R$ 179 milhões.

Em 2016, o tucano já levou vantagem na eleição de São Paulo ao injetar R$ 4,4 milhões na própria campanha. A autodoação representou 35% da receita do tucano e 57% do orçamento do segundo colocado, o petista Fernando Haddad.

Além de ajudar o aliado Doria, o veto de Temer estimulará os partidos a lançarem outros magnatas. Isso tende a distorcer ainda mais a representação política dos brasileiros. Em 2014, quase metade dos deputados eleitos (248 dos 513) já tinham patrimônio superior a R$ 1 milhão.

É ilusão pensar que os super-ricos vão tirar dinheiro do bolso para bancar suas campanhas, seja vendendo iates ou esvaziando contas no exterior. Exemplo simples: um lobista que quiser entrar na política poderá passar o chapéu entre empresários e dizer à Justiça Eleitoral que só usou recursos próprios. Qualquer semelhança...

Bernardo Mello Franco
No fAlha

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