8 de out de 2017

Aula Pública Opera Mundi: o que levou à Revolução Russa em 1917?

Professor Vitor Schincariol, da UFABC, explica as condições e o contexto que resultaram na ascensão da União Soviética

Vladimir Ilyych Lenin fala a tropas do Exército Vermelho diante do Teatro Bolshoi, em Moscou, em 1920;
embaixo à direita estão Leon Trotsky e Lev Kamenev
Essa é análise de Vitor Schincariol, doutor em História Econômica pela USP e professor da UFABC, durante a Aula Pública sobre O Que Levou à Revolução Russa em 1917?

Para o especialista, com as condições políticas adversas e o envolvimento na Primeira Guerra, questões econômicas e e sociais criaram um forte movimento trabalhista com várias correntes políticas — cada qual com sua especificidade —, resultando numa organização popular para derrubar o Estado czarista.

"A mobilização do proletariado, ao longo da guerra, se dirigia do ponto de vista socialista. Logo, o elemento central que vai explicar o porquê dos trabalhadores conseguirem derrubar o Estado czarista é a situação extremamente precária, do ponto de vista econômico, que o país chegou em 1917. Quando falamos em precariedade, tratamos, por exemplo, de ração diária servida à população: chá e um pão, sendo este várias vezes escasso", explica.

Outro aspecto decisivo para compreender a queda do Estado czarista foi a politização dos soldados a partir de uma perspectiva de esquerda. Na associação das Forças Armadas com o proletariado, surgiu o que se convencionou chamar de sovietes.

"Não só a Guerra deveria ser encerrada, mas também o próprio Estado que conduziu o país para o conflito deveria ser substituído por uma organização mais democrática, baseada na formação de conselhos de trabalhadores e soldados. O soviete nada mais é que o conjunto de conselhos que passaram a ser formados no interior da Rússia, nas fábricas — com a participação dos trabalhadores — e nas Forças Armadas — com os soldados", explica Vitor.




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