21 de out de 2017

“A ocasião faz o ladrão” e mais 16 frases que perderam o sentido no Brasil de hoje


No Brasil do golpe, aquele do grande acordo com “o Michel Temer, com o Supremo, com tudo”, muitas coisas perderam o sentido. Já não significam (quase) nada. Honra, dignidade, ética, justiça… essas palavras vão, digamos assim, perdendo a serventia.

O mesmo acontece com velhos ditados, frases, provérbios e outras expressões que já não exprimem o que representavam em outros momentos. Em alguns casos, caíram completamente em desuso, em outros, exigem uma nova interpretação.

Vamos a alguns deles:

O crime não compensa.

Quem ainda teria coragem de pronunciar isto? As malas de dinheiro do Geddel e tantas outras que “foram morar sozinhas” em apartamentos ou viajam para paraísos fiscais estão aí para confirmar que este provérbio caiu em desuso.

Pau que bate em Chico também bate em Francisco.

Foi substituída por pau que bate em Delcídio NÃO bate em Aécio… nem a pau, Juvenal!

Em boca fechada não entra mosca.

E muito menos as regalias oferecidas pela delação premiada na Lava Jato. Quem não abre a boca pra falar o que o Moro quer, vai ficar espantando moscas na prisão.

Um dia é da caça, outro do caçador.

Com essa bancada da bala e do boi, um dia é do caçador e o outro também.

Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.

Provérbio foi adaptado. Hoje em dia, mais vale um tucano na mão de um judiciário manso e protetor do que inimigos do golpe, voando como zumbis, de processo em processo, nas mãos da Lava Jato.

Se queres conhecer o vilão, põe-lhe uma vara na mão.

E puseram! A 13ª (quanta ironia!) Vara Federal Criminal, onde a justiça do Moro funciona com “dois pesos, duas medidas”.

A ocasião faz o ladrão.

Hoje em dia não é mais preciso esperar por uma ocasião, talvez única, na vida. Há eleições a cada dois anos. Depois de eleito é só se locupletar. Quase todos, afinal, confundem tomar posse com “apossar”.

A mentira tem perna curta.

Mas corre pra caramba, nas redes sociais e nos principais veículos de comunicação. Ao contrário do que tenta induzir o provérbio, até hoje tem se dado muito bem, principalmente no Jornal Nacional.

Quem tem boca vai a Roma.

O correto é “vaia” Roma, ou seja, na época, um protesto contra o centro do poder, o império. Durante o golpe contra Dilma, quem tinha boca, carro na garagem, apartamento classe média e inteligência mediana bateu panela, gritou e vaiou da sacada do apartamento. Hoje, continua a escrever nas redes sociais contra Lula, Dilma e o PT. A corrupção pós-golpe e todo retrocesso que acontece no país, ah, deixa pra lá…

Quem ama o feio, bonito lhe parece.  

Esta é uma exceção, posto que continua atualíssima, principalmente para a Cláudia e a Marcela, esposas do Cunha e do Temer, respectivamente.

Deus tem mais para dar do que o diabo para tirar.

Não é o que tem acontecido, ultimamente. Pelo menos em boa parte das igrejas evangélicas, Deus não consegue repor o tanto que pastores, com seu fiel escudeiro, o diabo, tiram dos fiéis todos os dias.

Para bom entendedor, meia palavra basta.

Aécio para Joesley: “Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer a delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho.” Para o juiz Moro, o Congresso Nacional, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal nem meia dúzia ou mais de palavras claras, claríssimas,  permitiram vislumbrar algum tipo de crime.

O boi engorda é com o olhar do dono.

Hoje em dia engorda mais com a grilagem de terras, com a invasão do Cerrado e da Amazônia, com financiamentos agrícolas camaradas e que, ainda assim, muitos não pagam, e com o perdão de dívidas…

Mato tem olhos, paredes têm ouvidos.

Ainda mais no Brasil, onde quase todo mundo tá grampeado.

Quem semeia vento, colhe tempestade.

Mudou para: Quem semeia ignorância, colhe bolsonaros.

Não é pelos vinte centavos!

Verdade! É pelo golpe, pela destruição do país, pela entrega das nossas riquezas, pela perda da soberania, pelo eterno papel de colônia de outras nações.

Celso Vicenzi
No DCM

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