28 de out de 2017

A admiração do matador de Goiânia por Bolsonaro é muito mais que um detalhe da tragédia

O adolescente que matou dois colegas em Goiânia: fã de Trump e Bolsonaro
Não é à toa o fascínio do estudante de Goiânia que matou dois colegas na sala de aula pelo candidato a presidente Jair Bolsonaro.

Alvo de bullying, ele encontrou acolhimento não na família, mas no ódio ululante do submundo dos sites de extrema direita, onde Jair é rei.

Sua psicopatia foi alimentada à base de fake news. Segundo trocas de mensagens que às quais a Veja teve acesso, o rapaz tentava, por exemplo, convencer um interlocutor de que o Holocausto era uma fraude dando links de notícias falsas.

“Em um trabalho sobre ética, louvou o regime militar, desenhou suásticas em folhas de caderno e nos próprios braços”, diz a matéria.

Um amigo pediu para ele não discutir esses assuntos em sua casa. ”O quê? Eu discuti com sua mãe comunista? Eu nunca faria isso”, responde o outro.

Na conversa online, “o adolescente também defende outros ditadores (Augusto Pinochet e Benito Mussolini, entre eles) e mostra-se admirador do presidente Donald Trump e do deputado Jair Bolsonaro, a quem chama de ‘futuro presidente’’’.

Ele não está sozinho no Brasil ou no resto do mundo. Muito pelo contrário.

Em janeiro, Alexandre Bissonnette, de 27, assassinou seis muçulmanos numa mesquita em Quebec, no Canadá.

Como o brasileiro, era introvertido, tímido, ridicularizado, branco e de classe média. Refugiava-se na web, onde podia encontrar e expressar ideias radicais.

Os seguidores de Jair Bolsonaro encontram no mito o modelo que almejam.

Inseguros, muitos deles doentes, vêem aquele homem gritar que gays deveriam apanhar dos pais em casa, que vai liberar as armas para todo mundo, que os comunistas são o mal, que segurança pública se resolve na porrada — e isso é música para seus ouvidos entupidos de testosterona.

Em fevereiro, o DCM contou de onde se originava a campanha difamatória contra a deputada Maria do Rosário e sua filha, quando fotos da garota vazaram.

Os caluniadores se reuniam no site 55chan, conhecido por ser um antro com toda sorte de conteúdo racista, homofóbico, militarista e pornográfico.

Bolsonaro é o messias dessa gente, citado com frequência sob a alcunha “Gibeiranaro”. “Tem que mandar pro Gibeiranaro e para os filhos dele [as imagens da menina]. Aposto como eles estão com o cu coçando”.

Depois da violência em Charlottesville, na Virgínia do Sul, causada por neonazistas, sites da chamada alt-right foram banidos do Google. O Daily Stormer e o Vanguard America, de supremacistas brancos, estavam entre os mais acessados.

Quando se manifestou sobre o incidente, Trump deixou claro que estava protegendo seus eleitores fascistas. “Há culpa dos dois lados”, declarou, acusando as vítimas.

Bolsonaro está em silêncio e assim permanecerá no caso da tragédia em Goiânia. Ele sabe que outros ovos estão sendo chocados.

Como gostam de repetir os bolsominions: é melhor JAIR se acostumando.


A troca de mensagens do jovem que matou os colegas em Goiânia, reproduzida pela Veja

Kiko Nogueira
No DCM

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