11 de set de 2017

STF deve ignorar suspeição de Janot. Tonto, Planalto celebra vitória de Pirro


STF deve rejeitar suspeição e fortalecer PGR

Prisão de Geddel é sinal de agonia do presidente

Não há luz no fim do túnel: só falsos brilhantes

Até aqui o Judiciário tem sido mais parte das crises que afligem a República brasileira –onde abundam réus e são escassos os projetos públicos dignos de assim serem chamados– do que caminho para o desenho de soluções viáveis. Na próxima quarta-feira 13 de setembro, quando o plenário do Supremo Tribunal Federal aprecia o recurso de Michel Temer que argui a suspeição do procurador-geral Rodrigo Janot para denunciá-lo em processos, pode-se virar uma página e dobrar uma esquina dessa História.

Diz-se em Brasília que a estátua granítica da deusa Têmis, responsável por velar o prédio do STF na Praça dos Três Poderes e cujos olhos são vendados, mas parece ouvir bem, já escutou o provável veredito da arguição: por maioria folgada, ou até por unanimidade, a Corte vai indeferir o pleito. Como os áulicos palacianos fazem questão de celebrar os toscos ardis antes de receberem sinais seguros da eficácia de seus balões de ensaio, a equipe de governo descobrirá que segue a crise política em ritmo de Nação encurralada.

A prisão do empresário Joesley Batista e de seu valete boçal, Ricardo Saud, e a recusa do ministro Luiz Edson Fachin de também aceitar o pedido de encarceramento do ex-procurador Marcello Miller, solicitação feita pela PGR, não compõe o quadro alvissareiro para o Palácio do Planalto. A placidez com que sanguíneo e mercurial Geddel Vieira Lima embarcou em Salvador, desembarcou em Brasília e regressou ao Presídio da Papuda depois do estouro de seu bunker financeiro soteropolitano, é outro sinal de agonias iminentes para Temer e a intrépida trupe que o cerca. Somado a tudo isso, a segunda denúncia virá, assinada por um Janot revigorado pela provável decisão unânime do Supremo e aí já reinvestido de uma representação classista que o fará falar de novo pelo conjunto do Ministério Público – e não vocalizando o patético discurso personalista que ensaiou, provavelmente testando voos solo mais ambiciosos.

Se havia intenção política pessoal no desairoso comportamento de Janot que levou à trapalhada da delação da JBS, a arrogância e a estreiteza da visão do entourage do Planalto levaram Temer ao cometimento de erros em série. E isso permitiu a imediata recuperação de seus antagonistas na PGR. Ao contrário do que imaginam, a partir da assunção de Raquel Dodge ao cargo, dia 18, e em razão dessa recuperação do vigor de Rodrigo Janot em meio à crise que quase quebra a banca de sua credibilidade, o horizonte planaltino está opaco em pleno setembrino céu azul de fim de seca em Brasília.

Se numa aresta da Praça o STF precisa se reposicionar, na outra o Planalto lutas desesperadamente para sair das cordas, na terceira delas o Congresso Nacional joga gasolina na crise: a base governista ligou o taxímetro e põe preço escorchantes para dar cada passo que lhe é pedido e assim seguir abrindo caminho para as pretensões da equipe ministerial. Não há projeto – e sim soluços e solavancos tentando empurrar o país até o primeiro trimestre de 2018 quando todos desembarcarão do bólido pilotado por condutor trêfego, afinal o pesadelo de todos é ser vitimado numa derrapagem em curva mal calculada. Hoje, como se diz nos becos acarpetados da Câmara dos Deputados, até há quem esteja disposto a matar um ou outro (em sentido figurado) pelos balões de ensaio lançados por Temer e seus ministros mais próximos. Ninguém, contudo, está disposto a morrer por eles.

É um cenário inimaginável: o Brasil só descende, só cai, só piora. Indicadores descontrolados dão outra impressão e um ou outro anuncia ver já luz no fim do túnel. São falsos brilhantes, são vaga-lumes.

Luís Costa Pinto

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