23 de set de 2017

Ordem no cabaré

Gostem ou desgostem, o recado está dado: Ou, o executivo, o legislativo e o judiciário tomam tenência na vida e acabam com essa balbúrdia que tomou conta do País ou, as Forças Armada entram em cena e colocam as coisas nos eixos.
Numa linguagem mais chula e, portanto, mais apropriada aos atores da cena política atual: “ordem no cabaré, senão os meganhas tomam conta da casa”.
Desde que o pronunciamento do general Hamilton Mourão – devidamente chancelado pelo seu superior hierárquico, o comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas – ganhou espaço na mídia, uma onda de preocupação tomou conta dos parlamentos em Brasília. A maioria golpista assustou-se. Seria um golpe dentro do golpe?

Os mais inocentes passaram a exigir com veemência o cumprimento da Constituição que proíbe os militares de se intrometerem na política. Vociferaram pela destituição do ministro da Defesa, o golpista Raul Jungmann, do comandante do Exército e do seu subordinado insubordinado, Mourão.

Generais Hamilton Mourão (o insubordinado) e Eduardo Villas Bôas  (Foto reprodução da Internet)
Generais Hamilton Mourão (à esquerda) , o insubordinado cuja pregação golpista
foi coonestada pelo chefe, o comandante do Exército Eduardo Villas Bôas
(Foto reprodução da Internet)
Tolinhos! Como exigir que uma camarilha formada por ladrões e golpistas enquadre uma alta patente do Exército? O chefe do “quadrilhão do PMDB” hoje encastelado no Palácio do Planalto não tem moral nem para dar um pito no Michelzinho, quanto mais determinar que os generais calem suas bocas. Caso contrário seriam, devidamente, encarcerados no xilindró.

O ministro da pasta da Defesa Nacional, Raul Jungmann, esta na mesma situação de um bêbado de cabaré. Não sabe nada do que está acontecendo no recinto e mal se sustenta sobre as próprias pernas. O mesmo pode-se dizer do pai do Michelzinho.

Como de costume, numa entrevista para a Reuters, em Nova Iorque, esta semana, o impostor Michel Temer foi um primor na arte de embromar o próximo. No exato momento, em que dizia que o Brasil goza da mais plena estabilidade institucional, as palavras de Mourão e Villas Bôas sacudiam o chamado establishment pátrio.
Quem viveu os 21 anos de ditadura militar sabe, exatamente, o que significam “colocar ordem na casa ou acabar com o caos”. Retrocederemos a 64, às torturas dos adversários do regime, à censura da imprensa, aos atos institucionais e ao fim das liberdades individuais. Será que este é o preço que o Brasil terá que pagar, novamente, para voltar a viver na democracia.
Há gente em Brasília, contudo, enxergando algo positivo nas recentes vozes vindas das casernas. Preveem que elas poderão influenciar os parlamentares na próxima vez em que a Câmara tiver que se manifestar sobre nova investigação das roubalheiras praticadas pelo chefe-mor do “quadrilhão”.

Ocorre que estamos diante de um golpe parlamentar. No Congresso Nacional, bandidos dão cobertura a bandidos. O que as Forças Armadas pensam sobre a realidade do País pouco importa para essa gente. O que se discute, hoje, para valer no Legislativo diz respeito ao que exigirão do presidente ladrão para livrar o pescoço dele da guilhotina mais uma vez.

Afinal de contas, num cabaré que se preza ninguém está interessado em questiúnculas que envolvam a moral e ética. Geralmente, os templos ou as igrejas são os locais mais apropriados para se falar destes assuntos.

Arnaldo César Ricci é jornalista
No Marcelo Auler

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