9 de set de 2017

O triste espetáculo da política contemporânea

Macron, Trump, Jong, Temer. Líderes de Estado afundam-se, e ao mundo, em caricaturas de estadistas
“A política virou um espetáculo midiático”: é frase que se ouve para e de todo lado, direita, centro, esquerda.

É, mas há espetáculos e espetáculos, de acordo com o roteiro, a direção e os atores

Vejamos o exemplo maior: é claro que Trump e Kim-Jong-un estão encenando um espetáculo. Este dispara mísseis de lá, aquele dispara rojões bufo-retóricos de cá. Mas que ninguém se iluda: de repente um destes mísseis ou um destes rojões cai no lugar errado e a catástrofe está feita. Mas isto não impede que eles sejam péssimos atores. A mídia Ocidental sempre contou que Jong-un era um péssimo ator: bufo, um adolescente de topete desafiando a águia americana como se fosse um galo garnisé. Agora está às voltas com Trump: uma águia balofa e de topete desafiando um galo garnisé. Afora isto, Trump, um ator de quinta categoria, pode procurar uma briga armada com Maduro, que não é um ator. Pode merecer críticas, mas não a de ser hipócrita como Trump.

Adiante, encontramos Macron, na França: um Doria sem botox, que gasta milhares de euros para se embonecar para as câmaras, e agora se propõe como o cônjuge (político) de Merkel, querendo “refundar” a União Europeia. Temos também Rajoy, o primeiro-ministro espanhol que finge que é governo, porque na verdade é um desgoverno na Espanha sem rumo de hoje. E se formos pela Europa adiante, teremos de ver estas monarquias que não passam de um teatro de bonecos e bonecas sem muito interesse nem valor estético.

Mas aí… aí entra o nosso país, hoje uma república dos bananas, isto é, os coxinhas que ajudaram a entronizar no Planalto a maior e pior quadrilha da nossa história. Se olharmos para seus protagonistas de hoje, ficaremos pasmos.

Na batuta, um juiz em Curitiba que lembra o mendigo de “Deus lhe Pague”, de Joracy Camargo dos anos 30, que com uma mão acariciava o altar e com a outra o bezerro de ouro. Mas o mendigo dos anos 30 era Procópio Ferreira, já este de hoje é um ator medíocre que só faz caretas de seriedade. Ao seu lado a fiel esposa, espécie de candidata a Lady Macbeth sem a grandeza desta, só sua avidez.

Ao redor, a caterva de procuradores, cada um pior que o outro. Dallagnol não consegue nem fazer o papel de D’Aragnoll direito, parecendo um guri à solta num teatrinho de colégio. E aí no meio deles aparece Palocci fazendo o papel de Silvério dos Reis. Com papelzinho de cola na mão e tudo, para citar certo: “pacto de sangue”…

Janot fez tantos papeis que se perdeu. Não sabe mais o que faz. O promotor perdido e reencontrado? Torquemada? O Grande Inquisidor? O carrasco de Lille? Perdeu o ritmo e a iniciativa.

A Rede Globo? Perdeu-se no golpe que construiu. Mais ainda a mídia que lhe seguiu os passos: Folha, Estado etc. Coadjuvantes de uma ópera medíocre.

Bom, mas aí chegamos ao bufo supremo: Temer, primeiro e único. O cara que se esconde dentro de um automóvel fechado no Dia da Pátria. E que – ato falho – deixa de vestir a faixa presidencial neste mesmo dia. Melhor impossível.

Tudo isto a nu, diante do mundo inteiro. Sem noção de decoro nem vergonha na cara.

É triste. Lembro os dias da Ditadura de 64, quando éramos acusado de “atacar a imagem do Brasil no exterior”. Hoje não precisa. Os golpistas mesmos se encarregam disto.

Flávio Aguiar
No Sul21

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