12 de set de 2017

O silêncio militante de Zé Dirceu


O ex-ministro José Dirceu, condenado na Operação Lava Jato, diz que prefere morrer antes de delatar, como fez o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, em mais uma prova de sua postura militante

Nesses tempos sombrios, em que delações premiadas são tratadas pela mídia como troféus, principalmente se ajudarem a destruir ainda mais e, se possível mortalmente, mesmo que sem provas, a imagem do ex-presidente Lula, o comportamento militante do ex-ministro José Dirceu merece ser exaltado por aqueles que, como eu, embora discorde dos erros cometidos pelos governos de Lula e Dilma, valorizam a militância, a lealdade e o compromisso com a luta pela democracia.

Não se trata aqui de defender Zé Dirceu ou de inocentá-lo. Acho sim que ele, como tantos outros, cometeu erros, que precisam ser criticados, corrigidos e, se devidamente provados, o que até agora não aconteceu, punidos.

O que se discute aqui é sua postura de um verdadeiro militante político, que sempre foi em toda a sua vida, e que o difere de oportunistas de ocasião.

Questionado sobre a delação premiada do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que tentou envolver Lula diretamente com o recebimento de propinas para o PT, embora sem apresentar provas, Zé Dirceu disse à coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo: “Só luta por uma causa quem tem valor. Os que brigam por interesse têm preço. Não que não me custe dor, sofrimento, medo e às vezes pânico. Mas prefiro morrer que rastejar e perder a dignidade".

A frase de Zé Dirceu fala por si.

As diferenças entre as posturas de Dirceu e Palocci são reveladoras. Dirceu suportaria tudo em nome de uma causa. Já Palocci jamais teve qualquer compromisso com ela. Zé Dirceu tem uma história de militância política de anos, antes mesmo da fundação do PT. Já Palocci, antes do PT e do governo Lula, era um ilustre desconhecido.

Entre os que delatam sem provas, apenas para usufruir benefícios e vantagens pessoais, ou fazer o jogo dos que querem destruir o ex-presidente Lula, mesmo que sem provas, e o silêncio militante de Zé Dirceu, eu fico sempre com o silêncio do militante.

Delatores e traidores me dão asco. Militantes comprometidos com uma causa, mesmo que tenham cometido erros, por mais graves que possam ser, me dão ânimo para ainda tentar acreditar no futuro.

Espero que essa postura militante de Zé Dirceu, que sempre foi uma das marcas registradas da sua biografia, o leve a dar passos ainda mais importantes, passada a atual tempestade, aconteça o que acontecer com Lula e o PT, e liderar um profundo, corajoso e necessário processo de autocrítica dos erros cometidos nos governos Lula e Dilma, que não foram poucos, que contribua decisivamente para expurgar o passado, punir quem merece ser punido, afastar os oportunistas, fanfarrões e deslumbrados com as benesses do poder, e reconstrua um projeto de esquerda, independe de legendas, para o país.

Sonhar não custa nada.

Moacyr Oliveira Filho - Moa

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