8 de set de 2017

Geddel preso




Pavor no grupo de Temer: Geddel deve virar delator


A festa no Planalto com a capotagem de Joesley Batista e Rodrigo Janot durou pouco. Com a prisão de Geddel Vieira Lima, Michel Temer e seus parceiros do grupo “PMDB da Câmara” estão apavorados com a hipótese, bastante provável, de que ele venha a se tornar delator premiado. Apesar de ser truculento e agressivo no trato com os mais fracos, Geddel é conhecido pela tibieza diante das dificuldades. Este traço ficou conhecido no meio político ainda em 1993, quando ele surtou, chorou e implorou para que seu nome fosse tirado da lista dos implicados (e depois cassados) na CPI dos anões do orçamento. Escapou na pescaria negociada entre os partidos de uns peixes gordos que precisavam ser poupados. Quando foi preso pela primeira vez em julho, pela Operação Cui Bono, antes de ganhar o direito à prisão domiciliar que agora perdeu, ele chorou copiosamente declarando estar disposto a “cooperar com a Justiça no quer for preciso”. Nada contra o choro raro dos homens, quando expressam sensibilidade. O de Geddel traduz sua fraqueza, que agora deve resultar na delação de seus cúmplices no PMDB. Naquela ocasião, o Ministério Público o qualificou de “criminoso em série”.

Geddel atua no “esquema do PMDB” desde os anos 1990. Quando conquistava uma posição, o rival ACM estocava: “Geddel vai às compras”. Mas sua carreira ganhou impulso foi a partir de 2007, quando se tornou ministro da Integração Nacional no segundo governo Lula. Embora tenha fustigado o presidente e o governo petista no período anterior (2003-2006), com a reeleição de Lula a aliança com o PMDB foi sacramentada e Geddel tornou-se ministro com a bênção de Michel Temer, que presidia a Câmara. Neste cargo ele tocou várias obras de infraestrutura de alto valor no Nordeste e principalmente na Bahia, que chegaram á ordem dos R$ 500 milhões, como os projetos de irrigação do Baixio de Irecê e de Salitre, em Juazeiro, ambas na Bahia, e deu início às obras da transposição das águas do Rio São Francisco.

Ele deixou o governo para concorrer ao governo da Bahia em 2010 mas foi derrotado por Jacques Wagner, do PT. Esperneou porque o PT não o apoiou e lançou candidato próprio e ganhou a disputa. Nesta eleição, segundo colegas de partido da ala adversária, deve ter começado a torrar parte do tesouro agora descoberto. . Apesar da escaramuça local, através de Temer conseguiu ser indicado para a vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal em 2011. Dilma resistiu mas acabou cedendo à pressão de seu vice. Neste cargo, deu curso ao esquema de cobrança de propinas para a liberação de empréstimos e de recursos do FI-FGTS para empresas, conforme já relatado pelo delator Cleto Falcão e por empresários delatores, em parceria com Eduardo Cunha. Esta atuação é que foi investigada pela Cui Bono e levou à sua primeira prisão.

Deixou o cargo em 2013 para disputar o Senado em 2014 e foi derrotado por Otto Alencar, apoiado por Jacques Wagner, apesar do derrame de dinheiro na campanha. Desde então, passou a defender o rompimento do PMDB com o PT e foi um dos mais ativos conspiradores do golpe de 2016 contra Dilma. Com a posse de Temer em maio de 2016, tornou-se um dos homens mais poderosos do governo, assumindo o cargo de ministro-chefe da Secretaria de Governo. Durou seis meses no cargo. Em novembro, caiu depois que o então ministro da Cultura, Marcelo Calero, denunciou as pressões que dele sofria para que autorizasse a elevação do gabarito de um prédio na área histórica de Salvador, de 13 para 30 andares.

Temer e Geddel são unha e carne. Sua carta de demissão foi dirigida ao “fraterno amigo” que ajudou a colocar no cargo com o golpe de 2016. Seus apadrinhados continuam no governo e no Palácio. Ele tem muito a contar sobre tudo o que fizeram juntos neste anos todos. Com a delação de Lucio Funaro homologada, ele terá que oferecer mais revelações, além das que já foram feitas pelo operador do PMDB, para conseguir a delação. Tremei, palacianos. Geddel vem aí.

Tereza Cruvinel



Há 20 anos, Geddel já chantageava FHC para abafar a compra da reeleição


Preso nesta sexta-feira em Salvador, o ex-deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) é um dos corruptos mais longevos da política brasileira; há vinte anos, o Globo noticiava que ele e Michel Temer chantagearam o então presidente Fernando Henrique Cardoso para abafar investigações sobre a compra de votos para a reeleição; os peemedebistas só sossegaram quando arrancaram de FHC os ministérios dos Transportes com Eliseu Padilha e Íris Rezende

Preso nesta sexta-feira em Salvador, o ex-deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) é um dos corruptos mais longevos da política brasileira, que já havia despontado no escândalo dos anões do orçamento.

Há vinte anos, o Globo noticiava que ele e Michel Temer chantagearam o então presidente Fernando Henrique Cardoso para abafar investigações sobre a compra de votos para a reeleição.

Os peemedebistas só sossegaram quando arrancaram de FHC os ministérios dos Transportes com Eliseu Padilha e Íris Rezende.

Abaixo, texto da Reuters sobre a prisão de Geddel:

BRASÍLIA (Reuters) - O ex-ministro Geddel Vieira Lima foi preso pela Polícia Federal nesta sexta-feira em Salvador e deverá ser transferido para Brasília, disse uma fonte com conhecimento do assunto.

Na semana passada a Polícia Federal apreendeu cerca de 51 milhões de reais em espécie em um apartamento na capital baiana que seria usado por Geddel, ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo do presidente Michel Temer.



No dia do golpe, Geddel disse não ser bicho-papão


Pivô da maior apreensão de dinheiro sujo da história do Brasil, Geddel Vieira Lima, preso nesta manhã em Salvador (leia aqui), foi também um dos principais articuladores do golpe de 2016, que instalou Michel Temer no poder.

No dia da posse, ele disse que não poderia ser juiz da honestidade da presidente honesta e deposta Dilma Rousseff e afirmou que mantém relações próximas com Temer há mais de 30 anos.

Relembre, abaixo, alguns trechos da entrevista:

No Congresso há mais gente honesta ou desonesta?

Há honestos, desonestos, homens, mulheres, todas as crenças e convicções, é o espelho da sociedade brasileira. Como acho a maioria da sociedade é honesta, acho a maioria do Parlamento é honesta.

No primeiro governo Dilma, o senhor teve atritos com Michel Temer. Vocês se resolveram?

Minha relação com Temer é de 30 anos. Essa relação me dá absoluta liberdade de dizer o que penso. Em nenhum momento deixamos de nos falar. Ele sabe que gente como eu faz o papel que muitos deixam de fazer, que é dizer aquilo que verdadeiramente pensa e que, por vezes, alerta para alguns equívocos.

O senhor acha Dilma Rousseff uma mulher honesta?

Eu não sou juiz de honestidade, seriedade de ninguém. Julgo a gestora, isso que me cabe como eleitor. A Dilma se mostrou inepta e incapaz como gestora e absolutamente inapetente como política para ser presidente de um país com as complexidades de um país como o Brasil. A honestidade ou desonestidade dela não me cabe avaliar. Estou convencido de que ela burlou a Constituição e cometeu crime de responsabilidade fiscal e por isso está afastada pelo Senado.

O PMDB é apontado como fisiologista. Como lidar com quem for fisiologista junto ao governo?

Não concordo com essa avaliação. O PMDB ficou estigmatizado. Tem outro partidos que têm estigmas como tais. Como o PMDB muda isso? A política brasileira vive um novo momento. O início da Lava Jato é importante. Temos que mostrar que práticas vistas como normais lá atrás não é mais visto assim hoje. Rui Barbosa já dizia: "até as pedras mudam", então nós temos que mudar para que a sociedade não nos mude dessa atividade.

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