8 de set de 2017

Funaro delata Temer e diz que ele levava propina dos esquemas de Cunha


Recém-homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), a delação do operador financeiro Lúcio Funaro deve encorpar novas denúncias contra o presidente Michel Temer (PMDB).

Conforme Funaro, o presidente cobrou e recebeu propina, fez lobby para políticos e tinha operadores em diversas áreas do governo. As informações são de reportagem da revista Veja desta 6ª feira (8.set.2017).

O doleiro afirma que nunca conversou sobre dinheiro diretamente com Temer. Mas que o presidente “sempre soube de tudo”.

Narra que Temer foi beneficiado em pelo menos 2 repasses de “conta-propina” administrada por Cunha. O primeiro teria sido de R$ 1,5 milhão, do grupo Bertin. O segundo, em 2014, de acordo com a JBS: seriam R$ 7 milhões para Temer, Cunha e o então ministro da Agricultura, Antônio Andrade.

O delator é apontado em investigações como operador de fraudes em 4 dos maiores fundos de pensão de empresas públicas do país: Funcef (Caixa), Petros (Petrobras), Previ (Banco do Brasil) e Postalis (Correios). O analista financeiro também foi citado nas delações da empresa JBS.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve apresentar acusações contra Temer por obstrução de Justiça. A denúncia deve ser oferecida até 17 de setembro, quando o PGR passa o cargo para Raquel Dodge.

A delação de Funaro levanta suspeitas que o presidente conhecia tentativas de compra do silêncio do operador financeiro, preso desde julho de 2016. Joesley Batista, delator da JBS, teria um pacto com Funaro: repassaria R$ 100 milhões ao operador, em caso de prisão.

Após Funaro ser detido, Joesley “procurou Michel Temer e os outros membros do PMBD” para avisar que “estava cuidando do Lúcio e que a situação estava sob controle”, disse Funaro.

O operador também relata participação de Temer em lobby para repasses à campanha. Nas eleições de 2012, Cunha teria dito a Funaro que precisava de recursos para candidatura de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo. A ordem seria do presidente.

O operador afirma que conseguiu os valores com o empresário Henrique Constantino, que receberia favores na Caixa em troca. Temer teria telefonado ao empresário “agradecendo a doação”.

Funaro cita esquema de Temer e Cunha para compra de votos no congresso durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT). O delator não detalhou quanto dinheiro repassou neste episódio.

Funaro e o PMDB

Funaro é testemunha-chave em investigações envolvendo o grupo político de Michel Temer.

Segundo o delator, o PMDB recebeu R$ 170 milhões em propinas de empresas com demandas na Caixa.

Funaro narra que ele e Cunha faziam contatos e negociavam valores com os empresários interessados em obter empréstimos do banco. O dinheiro seria liberado pelo ministro Moreira Franco (Secretaria Geral) e o ex-ministro Geddel Vieira Lima, preso nesta 6ª feira (8.set).

A propina seria paga às empresas de Funaro. Cunha era quem definia a parte de cada um no esquema, conforme o delator.

Provas materiais

Funaro teria entregue como anexo de delação registros de trocas de mensagens de celular, de voos de seu jatinho particular, de pagamentos e extratos bancários. O material até agora publicado pela revista não inclui as supostas provas materiais.

Delcídio do Amaral também entregou farto material na sua delação (agendas de compromissos, bilhetes de avião, estratos de ligações telefônicas). No entanto, o Ministério Público pede a suspensão de seus benefícios como colaborador da Justiça.

No mesmo caso, o MP também pede a absolvição do ex-presidente Lula e de do banqueiro André Esteves por falta de provas em processo baseado na delação de Delcídio.

Planalto: delação tem ‘inconsistências’

Antes de homologar a delação, o Planalto já havia divulgado nota sobre as acusações contra o presidente Temer. O texto recorda que Funaro já fez um acordo de delação em 2005, na época da CPI dos Correios. “Qual mágica teria feito essa pessoa, que traiu a confiança da Justiça e do Ministério Público, ganhar agora credibilidade?”, afirma a nota.

Eis as possíveis acusações de Lúcio Funaro:

acusacoes-funaro


Em delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal, o corretor financeiro Lúcio Funaro, operador do PMDB, revelou, entre outros crimes, propinas a parlamentares, venda de legislação e grandes esquemas de corrupção.

Funaro acusa Michel Temer de fazer lobby para políticos, cobrando repasses de caixa dois e, também, como destinatário de propina. O doleiro diz que nunca conversou sobre dinheiro diretamente com Temer, "pois essa interface era feita por Eduardo Cunha", mas declara que era informado por Cunha sobre as divisões da propina.

Ele garante que Temer "sempre soube" de todos os esquemas tocados pelo ex-deputado. "Temer participava do esquema de arrecadações de valores ilícitos dentro do PMDB. Cunha narrava as tratativas e as divisões (de propina) com Temer", diz Funaro na delação que a revista Veja teve acesso.

Temer é protagonista de dois repasses de propina na delação de Lúcio Funaro. Um deles, de R$ 1,5 milhão, veio do grupo Bertin. O segundo, em 2014, saiu de um acerto com a JBS. Funaro conta ter intermediado um pagamento de R$ 7 milhões da JBS que tinha como destinatários Temer, Cunha e o ministro da Agricultura na ocasião, Antônio Andrade. O presidente ainda teria intermediado um pagamento de R$ 5 milhões de Henrique Constantino, do Grupo Constantino, à campanha do então deputado Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo, em 2012.

Funaro aponta propina milionária paga a Eunício


Além de apontar propinas pagas a Michel Temer e de denunciar a compra de votos no golpe de 2016 (leia aqui), o corretor Lúcio Funaro também tem uma bomba reservada para o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), que preside o Congresso Nacional.

Segundo Funaro, a Hypermarcas pagou R$ 1,6 milhão a Eunício pela aprovação de uma medida provisória de seu interesse.

Os recursos foram pagos à Confederal, empresa do senador, que reconhece que os serviços não foram prestados e tenta agora devolver os recursos.

O caso está sendo investigado pela Polícia Federal.

No 247

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