15 de set de 2017

Conselheiro de Temer trabalhou para empresas envolvidas no esquema dos portos

Na lista de clientes de Gaudêncio Torquato, amigo de Temer há décadas, aparecem a Rodrimar (empresa suspeita de pagar propina ao presidente em vários esquemas) e a CODESP (estatal responsável por administrar o Porto de Santos)


O especialista em marketing político Gaudêncio Torquato, amigo pessoal, marketeiro e conselheiro de Michel Temer há décadas, já prestou serviços na área de comunicação para a Rodrimar. A empresa é objeto de investigação da Procuradoria Geral da República por causa de um novo escândalo envolvendo pagamento de propina ao grupo de Temer. As vantagens indevidas estariam vinculadas à edição de um decreto que que alterava as regras para a concessão de exploração de portos, lançado no início do ano.

Além da Rodrimar, Torquato também atendeu a CODESP (Companhia Docas do Estado de São Paulo). No início dos anos 2000, Temer foi acusado de indicar nomes para compor a direção da estatal encarregada da administração do maior porto brasileiro, o Porto de Santos. Em sua delação, Joesley Batista afirma que Wagner Rossi chegou à presidência da CODESP porque era apadrinhado por Temer.

A Procuradoria Geral da República suspeita que Temer, até hoje, vem beneficiando empresas do setor por causa de grampos em Rodrigo Rocha Loures, o homem de confiança do presidente nos esquemas com Joesley Batista. Loures aparece conversando com um dos sócios da Rodrimar sobre o decreto de Temer. Os áudios mostram que a empresa vinha acompanhado de perto as discussões nos bastidores. Veja mais aqui.

A Rodrimar já foi investigada no Supremo Tribunal Federal junto com Temer, por suposto pagamento de propina em esquema no Porto de Santos. Reportagem de Marcelo Auler mostra que Temer era acusado de fazer as indicações políticas na CODESP que garantiam a fraude em licitações. Em troca, ficava com 50% da propina gerada.

O caso acabou sendo arquivado pelo ministro Marco Aurélio Mello, em 2011. Agora, Temer corre o risco de ver a investigação ganhar fôlego a reboque das revelações da JBS.

Em seu site profissional, Torquato elenca a Rodrimar entre as empresas para as quais "já prestou e/ou presta serviços" de consultor de marketing institucional. 

Além da Rodrimar, outras instituições ligadas ao setor portuário também estão na lista do amigo de Temer. É o caso da ABREMAR (Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas), da Brasil Terminal Portuário S/A e da CODESP.

Em sua delação, Joesley Batista não detalha como o ex-presidente da CODESP Wagner Rossi operava no esquema com Temer. Mas afirmou que ele “era afilhado político de Michel Temer e operava com ele no Porto de Santos”. Joesley também disse que conheceu o hoje presidente da República por "intermédio de Rossi", quando este era ministro da Agricultura (abril de 2010).

Joesley ainda afirma que Temer, ao lado de Eduardo Cunha, atuou para beneficiar empresas amigas na edição da MP dos Portos, em 2013. O ex-deputado federal, hoje preso pela Lava Jato de Curitiba, teria elos com o grupo Libra. O GGN abordou o assunto aqui.

Com as novas informações, o Supremo Tribunal Federal autorizou inquérito contra Temer. A Procuradoria Geral da República havia pedido acesso ao inquérito 3105, arquivado em 2011, pelo ministro Marco Aurélio Mello, sobre a suspeita de que Temer havia favorecido indevidamente a empresa Rodrimar no Porto de Santos. 

Torquato também trabalhou com empresas investigadas da Lava Jato, como o Grupo Odebrecht e a Galvão Engenharia, além do Ministério de Minas e Energia, pasta sob forte influência do PMDB - partido que igualmente aparece na lista de clientes.

A relação completa está disponível aqui.

No GGN

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