22 de set de 2017

Com vencimentos acima do teto, Yeda Crusius vai integrar comissão sobre supersalários

Yeda recebe, somando dois salários, cerca de 66 mil reais mensais, valor que excede o teto estipulado legalmente para servidores públicos
A ex-governadora e deputada federal Yeda Crusius recebe, atualmente, duas remunerações do poder público: uma pelo cargo que ocupa no Legislativo, de R$ 33.763,00; soma-se, a isso, o valor que recebe de pensão por ter ocupado o cargo máximo no governo estadual, cuja quantia foi de R$ 32.427,37 em agosto. Yeda recebe, portanto, cerca de 66 mil reais mensais, valor que excede o teto estipulado legalmente para servidores públicos, que é de R$ 33.763,00, equivalente ao salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Ela é deputada desde janeiro deste ano, quando assumiu a vaga que Nelson Marchezan Júnior (PSDB), que deixou o Congresso para ser prefeito de Porto Alegre.

Após a notícia, veiculada pela Rádio Gaúcha, de que Yeda assumiu, apesar da própria remuneração, uma vaga em Comissão Especial da Câmara sobre supersalários, a deputada reagiu em sua página no Facebook.  “Informem-se melhor Rádio Gaúcha (sic)”, escreveu. Ela não é atingida pela regra do teto porque se trata de duas remunerações, somadas. O Supremo Tribunal Federal autorizou, neste ano, que servidores recebam salários maiores que o teto no caso de acumulações. “Reafirmo que é hora de fazer valer o teto constitucional. A começar pelo meu”, escreveu. Ela havia publicado, na quarta-feira (20), um vídeo no qual defende que a existência de supersalários “explica a maior parte da desigualdade na remuneração dos servidores públicos” – e houve, a partir daí, alguns questionamentos em sua página quanto à própria situação.

Perguntada se “já abriu mão de parte dos seus vencimentos para ficar no teto constitucional”, Yeda respondeu que “certamente” tomou “providências para isso”. “Pode ficar tranquilo”, disse ao homem que lhe pediu explicações. No final da noite de ontem, uma mulher questionou se “apenas agora tomou providências?”, depois de nove meses de ter assumido como deputada, Yeda ainda não respondeu.


No Sul21

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