10 de set de 2017

20 mil famílias vivem na pobreza e extrema pobreza na Serra catarinense




Levantamento feito pela Associação dos Municípios da Região Serrana (Amures) mostrou que 13 mil famílias vivem na pobreza e extrema pobreza na Serra catarinense, considerada a região mais pobre do estado. A Secretaria de Assistência Social de Lages afirmou que essas famílias são acompanhadas pelo CRAS e pelo CREAS, serviços de referência da assistência social.

Pelo Cadastro Único, programa do governo federal que identifica as famílias brasileiras de baixa renda, é considerado extremamente pobre quem ganha R$ 85 por mês e pobre que sobrevive com até R$ 170 mensais.

Contando quem vive com menos de meio salário mínimo por mês, o que equivale a R$ 468.50, o número de famílias pobres na região chega a 20 mil.

Dificuldades

Um exemplo é Vanusa Tavares Castro. Na casa dela, moram quatro pessoas que tentam sobreviver com R$ 500 por mês. O dinheiro vem de uma das pensões da filha dela e do Bolsa Família. Vanusa está desempregada e o marido faz serviços temporários. "É o que a gente faz para poder pagar água, luz e poder comprar alimentos", afirmou Vanusa.

O secretário de Assistência Social de Lages, Samuel Ramos, falou à reportagem sobre o acompanhamento feito às famílias: "nós sempre incentivamos as pessoas a buscarem, a se desenvolverem um pouco mais. Encaminhando para serviços, cobrando muito a frequência escolar, para que não viole nenhum direito das crianças".

Outra família que enfrenta dificuldades é a de Franciele Franco de Oliveira. Ela mora em uma casa de dois cômodos graças ao sogro, que cedeu o espaço. Ela vive com o marido e mais quatro filhos. Há pouco tempo, ele conseguiu um emprego de carteira assinada. Mesmo assim, o dinheiro que ganha é quase insuficiente para comprar comida.

"Eu faço pastel para ter um dinheirinho extra e é assim. Não é fácil. O que está faltando é um emprego, que a gente procura, procura, mas nunca tem", disse Franciele.

Para o responsável pela pesquisa, o assistente social da Amures Lauro Santos, é preciso fazer mais por essas pessoas. "Porque muitos desses extremamente pobres nem chegam aos nossos serviços. Que é da saúde, da educação, que é da assistência social. A partir desse mapeamento, todas as ações municipais têm que ter esse pensamento que de é tirar essas pessoas da extrema pobreza", afirmou.

Para essas famílias, cada dia é um desafio. Em casas como a de Franciele e Vanusa, todos os móveis e roupas são de doações. "O meu esposo não consegue arrumar serviço de carteira assinada, também não consigo. Então a gente só depende de ajuda, de ajuda de pessoas", disse Vanusa.

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