16 de ago de 2017

Um país que se apequenou


A notícia da Folha – com todos os foros de verdade, dados pelo quase imediato anúncio de que a Standard & Poors manteria a nota de crédito do Brasil – de que Henrique Meirelles foi beijar a mão das agências de classificação de risco e ” pediu que esperassem um trimestre antes de rever as notas brasileiras”evoca, para quem já viveu o Brasil da virada do século, episódios hoje muito próximos.

Era o “waiver”, o perdão perseguido como fonte de água no deserto, no Brasil quebrado de Fernando Henrique Cardoso buscava repetidamente no Fundo Monetário Internacional.

Hoje, claro, a fonte de nossos problemas não é o FMI, mas continua a ser o capital estrangeiro, tanto pelo fluxo de investimentos quanto pela sua participação – e aceitação – da nossa dívida pública que passou a crescer de forma vertiginosa desde o final de 2014.

E a percepção geral é a de que, embora seja possível alguma recuperação no nível de uma atividade econômica já deprimida até o rés do chão, o Brasil não tem outro rumo senão permanecer em crise.

As medidas de austeridade (mais!) propostas beiram o ridículo.

Primeiro porque – e logo se verá isso na propositura da Lei de Diretrizes Orçamentárias, porque supõem um investimento virtualmente zero, anulando qualquer possibilidade de que o Estado seja o indutor de crescimento econômico.

Segundo, porque nem de perto tocam na capacidade de arrecadação fiscal. A taxação contínua dos fundos privados de investimento é, apenas, uma antecipação de receita que, claro, adiante será ausente. O aumento de alíquota previdenciária dos servidores de maior renda, conjugado com o adiamento de seus reajustes, só piora o ambiente nas categorias-chave para a administração da máquina.

Como o próprio Henrique Meirelles mostrou ontem, em sua exposição, o setor industrial está com sua capacidade contributiva esgotada, mas não se cogitou taxar quem vai bem: o setor financeiro e o agronegócio,

Some-se a isso o fato de que o Governo acena com aquilo que não pode entregar mais: a maioria no Congresso que lhe permita aprovar mais “reformas” .

A meta de R$ 159 bilhões de déficit não é impossível de cumprir, claro. Mas depende de um elemento dificílimo quando se olha a realidade política, institucional e econômica do país: “tudo correr bem”.

Ao contrário do que fez ano passado, o Governo reviu a meta “no talo".

Nenhum critério que possa ser chamado de sério, apenas o de não mostrar que, desde que o golpismo assumiu, o rombo aumentou, pelo que não se fez para recuperar a ponta da receita pública.

O Brasil virou um pato, que se encolhe, paralisado, à espera da hira de ir pra panela ou de um milagre  pelo qual não consegue nem mesmo rezar. agora que lhe cortaram as asas.

Fernando Brito
No Tijolaço

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