17 de ago de 2017

Ressentimento

Abraham Lincoln escolheu o general Ulysses S. Grant para comandar as tropas da União contra os Estados rebeldes do Sul, na última fase da Guerra Civil americana, porque Grant não tinha “medo da matemática”. Os números que não assustariam Grant, segundo Lincoln, eram os de mortos e feridos, numa das guerras mais ferozes da História. Grant não decepcionou Lincoln e arrasou com o inimigo sem dó, com baixas terríveis dos dois lados. 

A guerra da secessão deles acabou oficialmente em 1865, com a derrota dos rebeldes, mas é só andar pelo sul dos Estados Unidos para duvidar da história oficial. Veem-se bandeiras da confederação sulista que enfrentou o Norte por todos os lados, comemorando uma vitória que não houve ou uma derrota gloriosa. Há toda uma cultura de ressentimento que mais de 150 anos não apagaram, e nota-se isso em tudo, do sotaque sulista deliberadamente carregado à música caipira e à exaltação de heróis e mártires como o general Robert E. Lee, comandante das tropas do Sul na guerra, cuja estátua em Charlottesville, ameaçada de vir abaixo, foi o pretexto para a manifestação fascista da semana passada, numa explosão de ressentimento.

A guerra aconteceu por uma causa nobre, na superfície: a abolição da escravatura. Teve outras causas, no fundo. Foi uma guerra entre interesses econômicos, o Norte do país em vias de se industrializar contra um modelo agropastoril que dependia do trabalho escravo para subsistir. Foi uma guerra de costumes, um Norte desenvolvendo-se com o trabalho e a influência liberal de imigrantes contra a aristocracia reacionária do Sul. E galvanizando essas diferenças, o ressentimento herdado por uma guerra perdida.

Implicância.

É implicância minha, eu sei, mas não entendo por que no Brasil “Juan” se pronuncia “Ruan”, como no espanhol. Existem falsos castelhanos, todos “Ruans” sem razão, no nosso futebol. São Juans de batismo, mas “Ruans” para narradores e comentaristas. Se “Ruan” é o certo, por que não “Rorge”, “Rair” ou até “Rosé”? Era o que eu queria dizer. Obrigado. Um abraço nos meus familiares.

Luís Fernando Veríssimo

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