27 de ago de 2017

Regimes

Está chegando a hora de o povo (leia-se o Gilmar Mendes) decidir sob que sistema de governo quer viver. As opções são as seguintes:

Monarquia (do grego mono arquia, ou governo de um único macaco) em que um só homem usa a coroa, o manto e os sapatinhos de cetim do poder, e os outros morrem, mas morrem, de inveja. As monarquias podem ser absolutas ou constitucionais. A diferença é que nas monarquias absolutas o monarca se diverte muito mais. No Brasil, já tivemos dois imperadores, sendo que um, Dom Pedro II, pertencente a uma das mais antigas famílias reais da Europa, a dos Segundos, foi derrubado pelo Marechal Deodoro da Fonseca e obrigado a se exilar. Isto causou muita confusão na época, porque os dois usavam a mesma barba e Dom Pedro insistia em viajar com ela. O Baile da Ilha Fiscal é sempre apontado como símbolo da inconsciência de uma aristocracia alienada que, ao sair do baile, encontrou na rua, em vez de táxis, a República. Foi ali, dizem historiadores, que a monarquia brasileira acabou. Outra corrente sustenta que a monarquia realmente acabou ali, mas a República não começou, e o que tomou conta do país foi o baile.

República (do latim res publica, ou vaca conhecida). Nome dado a um sistema político onde o governo é eleito pelo povo, mas aí dá confusão, e quem acaba na Presidência é o Temer. Numa República, todos são iguais perante a lei, mas é só a lei dar as costas que recomeça a algazarra. A República pode ser presidencialista (caso dos Estados Unidos), parlamentarista (como em muitos países europeus) ou PMDBista (Brasil). Um traço comum a todas as repúblicas é a saudade da monarquia, tanto que quem se destaca numa república é logo chamado de rei disto ou (o caso do Manecão Tripé) daquilo. Uma república pode ser entreguista ou não. Uma república entreguista entrega tudo no país à iniciativa privada, até a impressão do seu dinheiro, e dá o que sobra a estrangeiros em troca de espelhinhos e miçangas. Uma república não entreguista faz a mesma coisa, só que disfarça e chama de reforço de caixa.

Existe um movimento para restaurar a monarquia no Brasil, nem que seja para barrar o Lula em 2018. Se fôssemos uma monarquia constitucional, teríamos um rei (há herdeiros dos Bragança prontos para assumir) e um Parlamento que escolheria um primeiro-ministro, e seríamos uma espécie de Inglaterra com cerveja gelada. Mas é preciso ser inglês.

Luís Fernando Veríssimo

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